domingo, 18 de novembro de 2018

Como olhar para o aborto? Homem e mulher...

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Cliente:E quando seu aborto foi contra a sua vontade, com apenas 15 anos, e fruto de um estupro? Como vou dizer que sou mãe de um filho de um homem que me violentou?

Terapeuta:Oi. Entendo a grandeza de sua questão. A Constelação Familiar nos propõe olharmos para a REALIDADE como ela é. 

O não-dito, o não-olhado, o evitamento, as exclusões; tudo são fatos. É impossível ignorá-los - ao menos é isso que tem se revelado na nossa experiência como sapiens. 

Superficialmente até conseguimos esconder algo assim por algum tempo, mas depois tudo vem fortemente à tona. É como tentar segurar uma bola cheia de ar debaixo da água. Temos algum êxito por algum tempo (mas só isso). Passado alguns poucos minutos, o músculo começa a dar sinais de fadiga e fica trêmulo. Até que a bola cheia de ar e as leis da física nos vencem. 

Com a vida-consciencial não é diferente. Há leis aí. A nossa vida psíquica, pouco diversa do exemplo da bola, é cheia de ''outro-ar'' que chamamos de consciência-arcaica. 

A consciência arcaica é inconsciente (ou seja, age sem nos apercebermos e pouco se importa com nossos comandos e quereres). Ela é tipo um rim que funciona independente de nosso arbítrio, entende? É algo forte e natural. E, assim como o rim tem uma função orgânica para manter tudo funcionando direitinho, a consciência arcaica também tem lá suas funções para manter o grupo vivo. 

Uma dessas funções parece ter a ver com o que chamamos de Lei do Pertencimento (uma lei natural dentro da nossa consciência). 

Se houve uma vida gestada naquele sistema ela precisará ser contabilizada (em que circunstâncias for). 

A inclusão acalma a consciência-arcaica e ela volta a dormir (deixando-nos em paz). 

Essas leis que moram na nossa consciência são insubmissas aos nossos desejos e às nossas justificativas, tais como ''mas foi estupro''. Dito assim parece duro e áspero, mas é como funciona essa espécie de órgão natural e psíquico que Bert Hellinger chama de consciência arcaica.

Esconder uma cidade luminosa no alto da montanha é impossível. Fato é fato e contra eles não há argumentos. 

Desse evento em sua adolescência aconteceu uma vida. Esse episódio precisa ser metabolizado (assimilado) em todo seu aspecto por mais dolorido que seja; isso, claro, caso se busque mais leveza e paz na alma (na medida do que lhe for possível, obviamente). 

Então, respondendo você, baseado na CF, eu diria: olhe para a realidade. 

Há um filho, há um estupro, há um aborto, há você em meio a isso tudo. Olhe e vá dizendo a si mesma e aos poucos ''do jeito que foi, eu tomo''. 

Se é fácil? Claro que não. Mas essa é a sua biografia e a sua história. Aí ganha-se força. Plantada na realidade.

Isabela Couto - Psicanalista e Consteladora
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Para facilitar o entendimento, um pouquinho sobre a consciência moral e consciência arcaica: o que é e suas consequências.

As constelações familiares colocam em equilíbrio a consciência arcaica e a consciência moral em relação aos excluídos.

Temos uma consciência moral que regula o que preciso fazer para pertencer, sendo isso plenamente consciente ou não. Podemos experimentá-la como boa ou má conforme nos sentimos culpados ou inocentes. Ela exige a exclusão.

E temos também uma consciência arcaica, primitiva mesmo, da era do surgimento do homem, onde os grupos necessitavam ser coesos para assegurar a sobrevivência. Ela não tolera exclusões. Essa lei sistêmica atua na alma até hoje. Isso nós vemos nas constelações familiares. Quando alguém foi excluído no sistema, a pressão de uma outra "instância" faz com que ele seja mais tarde representado por uma outra pessoa na família. Portanto, considerando o processo em seu conjunto, a exclusão é impossível. Assim, a consciência arcaica não tolera exclusões.

A moral exige que alguém seja excluído, porém, o excluído permanece no campo, por exigência da consciência arcaica. Por isso ele vem a ser representado no campo. Isso se manifesta na constelação, na medida em que outro membro da família tem os mesmo sentimentos do excluído ou chega mesmo a repetir o destino dele, esse é o enredamento, que aparece quando se faz uma constelação. Aí se manifesta o poder do campo e a impotência da moral.

A consciência arcaica também exige hierarquia. As pessoas fracassam, morrem e adoecem quando infringem essa hierarquia.

Pelos efeitos das constelações podemos ver como a cegueira da consciência moral é a causa dos enredamentos, eles se tornam visíveis e são resolvidos. A volta à consciência arcaica é um reconhecimento. Tornamo-nos conscientes de que algo foi reprimido, excluído. Isso muda algo no campo, por exemplo, na família ou para o indivíduo, sem que com isso se abandone o campo. Assim instala-se a paz e a liberdade.
(baseado no livro Um lugar para os excluídos – Bert Hellinger)
Podemos sempre incluir todos ( sem exceção) da nossa família, em nosso coração, com amor...
Boa semana
Tais

domingo, 11 de novembro de 2018

Semelhante atrai semelhante

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"Somente uma pessoa amorosa, aquela que realmente é amorosa; pode encontrar o parceiro certo.

Essa é minha observação: se você está infeliz você irá encontrar alguém também infeliz. Pessoas infelizes são atraídas pelas pessoas infelizes. E isso é bom, é natural. É bom que as pessoas infelizes não sejam atraídas pelas pessoas felizes; senão elas destruiriam a felicidade delas. Está perfeitamente bem.

Somente pessoas felizes são atraídas pelas pessoas felizes. O semelhante atrai o semelhante. Pessoas inteligentes são atraídas pelas pessoas inteligentes; pessoas estúpidas são atraídas pelas pessoas estúpidas.

Você encontra as pessoas do mesmo plano. Então a primeira coisa a lembrar é: um relacionamento está fadado a ser amargo se este surgiu da infelicidade.

Primeiro seja feliz, seja alegre, seja festivo e então você encontrará alguma outra alma festiva e haverá um encontro de duas almas dançantes e uma grande dança irá surgir disso.

Não peça por um relacionamento a partir da solitude, não. Assim você estará indo na direção errada. Então o outro será usado como um meio e o outro lhe usará como um meio. E ninguém quer ser usado como um meio! Cada indivíduo único é um fim em si mesmo. É imoral usar alguém como um meio.Primeiro aprenda como ser só. A meditação é um caminho para ficar sozinho.

Se você puder ser feliz quando você está só, você aprendeu o segredo de ser feliz. Agora você pode ser feliz acompanhado. Se você é feliz, então você tem alguma coisa para compartilhar, para dar. E quando você dá, você obtém; não é de outra maneira. Assim surge uma necessidade de amar alguém.

Geralmente a necessidade é de ser amado por alguém. É a necessidade errada. É uma necessidade infantil; você não está amadurecido. É uma atitude infantil.

Uma criança nasce. Naturalmente, a criança não pode amar a mãe; ela não sabe o que é amar e ela não sabe quem é a mãe e quem é o pai. Ela está totalmente desamparada. Seu ser ainda está para ser integrado; ela ainda não está reunida.

Ela é somente uma possibilidade. A mãe precisa amar, o pai precisa amar, a família precisa banhar a criança de amor. Agora ela aprende uma coisa: que todos têm que amá-la. Ela nunca aprende que ela precisa amar. Agora a criança irá crescer e se ela permanecer presa nessa atitude que todo mundo tem que amá-la, ela irá sofrer por toda sua vida. Seu corpo cresceu, mas sua mente permaneceu imatura.

Uma pessoa amadurecida é aquela que chega a conhecer a necessidade do outro: que agora tenho que amar alguém.

A necessidade de ser amado é infantil, imatura. A necessidade de amar é maturidade.

E quando você está preparado para amar alguém, um belo relacionamento irá surgir; de outra maneira não.

"É possível que duas pessoas num relacionamento sejam más uma para com a outra"?

Sim, isso é o que está acontecendo por todo o mundo. Ser bom é muito difícil. Você não é bom nem para si mesmo.

Como você pode ser bom para outra pessoa?

Você nem mesmo ama a si próprio! Como você pode amar outra pessoa? Ame a si mesmo, seja bom para si mesmo.

Os seus assim chamados santos têm lhe ensinado a nunca amar a si mesmo, para nunca ser bom para si mesmo.

Seja duro consigo mesmo! Eles têm lhe ensinado a ser delicado para com os outros e duro para consigo mesmo. Isso é um absurdo.

Eu lhe ensino que a primeira e mais importante coisa é ser amoroso para consigo mesmo. Não seja duro; seja delicado.

Cuide de si mesmo. Aprenda como se perdoar, cada vez mais e novamente; sete vezes, setenta e sete vezes, setecentos e setenta e sete vezes. Aprenda como perdoar a si próprio. Não seja duro; não seja antagônico consigo mesmo.

Assim você irá florescer.

Nesse florescimento você atrairá alguma outra flor. Isso é natural. Pedras atraem pedras; flores atraem flores. Assim há um relacionamento que possui graça, que possui beleza, que possui uma bênção nele.

Se você puder achar um relacionamento assim, seu relacionamento crescerá para uma oração; seu amor se tornará um êxtase e através do amor você conhecerá o que é o divino."
Osho
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O Amor Próprio
Bert Hellinger nos ensina que devemos aceitar a vida como ela é.
Quando os pais dão a vida, agem de acordo com o mais profundo da sua humanidade, e dão-se enquanto pais aos seus filhos exatamente como são. Não podem adicionar qualquer coisa ao que são, nem podem deixar qualquer coisa de fora.

Pai e mãe, consumando o seu amor um pelo outro, dão aos seus filhos tudo o que são. Assim, a primeira das Ordens do Amor dentro do sistema familiar é que os filhos tomam a vida como ela lhes é dada. Uma criança não pode deixar qualquer coisa de fora da vida que lhe é dada, nem o desejo de que ela seja diferente vai mudar alguma coisa.

Aceitar nossos pais tal como são é um movimento muito profundo. Implica o nosso acordo com a vida e o destino, exatamente como nos são apresentados pelos nossos pais; com as limitações que são inerentes a isso. Com as oportunidades que damos a nós próprios. Com o enredo no sofrimento, má sorte e culpa da nossa família, ou sua felicidade e boa sorte, tal como pode acontecer.

Diante deste contexto, podemos nos olhar no espelho e ver que viemos de uma história de amor e que a partir dessa conexão podemos trabalhar o nosso amor próprio.

Vamos simplificar as relações? 
Este é um ótimo início... Boa semana

domingo, 4 de novembro de 2018

Constelação Sistêmica: os efeitos colaterais de acessar a luz


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"Quando alguém realiza uma constelação sistêmica, está, na realidade, trabalhando a mente, as emoções, o corpo e as energias envoltas na questão. Atingimos o inconsciente individual e também o inconsciente familiar coletivo. A base da constelação é a inclusão, e incluir uma emoção profunda irá, fatalmente, repercutir em todas as áreas onde esta emoção profunda estava agindo antes. Por exemplo, se uma dor inconsciente estava atraindo relações desastrosas, ao ser vista, incluída e deixada de lado, a tendência é que as relações se tornem mais harmônicas.

Porém, é importante entender que o ser humano é um ser holístico, integrado ao seu ambiente, ao corpo, às emoções, aos pensamentos e ao espírito, tanto seu, como de pessoas em sua volta. Assim, tudo o que vivíamos antes, quando identificados com uma dor do sistema familiar, deixará de ter sentido, após ter feito a constelação. Ou seja, os pensamentos fixos, as emoções antigas, relações pessoais e as sensações do corpo que estavam ligadas a esta dor, irão modificando.

A constelação, às vezes, provoca uma reação em cadeia. Não é em todos os casos, mas pode ser que os pensamentos fiquem confusos, sonhos ocorrem, abertura da mediunidade e percepção extrassensorial, questões físicas e pequenas doenças… É um processo que no xamanismo costuma-se dizer “limpeza”.

Eu gosto de usar o termo “afinação do instrumento”. Veja bem, querido. Se estávamos acostumados a dores inconscientes, nossa mente só ficava pensando em problemas, sofrimento, se perdendo em emoções como raiva, medo, angústia, insegurança… O corpo, sem dúvida, está afetado por estas emoções e pensamentos, e os órgãos físicos que processam a energia emocional da raiva, medo, etc., são também afetados. Subitamente, não existe mais a exclusão da dor, e ela deixa de atuar no sistema. É como você vivesse anos e anos carregando uma tonelada nas costas, subindo um morro, e de repente, não está mais com o peso e sente-se num caminho plano. Terá que acostumar a andar desta forma nova.

Pode parecer esquisito, mas estamos muito mal acostumados com o sofrimento. Nossa mente condicionou-se a ver as coisas difíceis, olhar para os obstáculos, sofrer com o problema próprio e dos outros, pensar demais e desnecessariamente, e quando não sentimos mais esta compulsão, temos muita dificuldade em readaptar-se à luz, que é o nosso estado natural.

O que é luz, especificamente? É a sensação consciente de que estamos sendo conduzidos, guiados e protegidos. É perceber o próprio talento e dar credibilidade a ele. É projetar o sucesso pessoal. É ansiar por uma relação excelente e mover-se em direção a isso. É estar bem com o próprio corpo. Estar com a mente em paz e a intuição aflorada. As emoções vistas, sob controle. O vigor físico em ordem. Como um velho instrumento mal usado e empoeirado, aos poucos ele vai sendo limpo e afinado, para poder tocar a bela sinfonia que todo ser humano tem o dom de tocar.

Quando alguém faz uma constelação familiar sistêmica, está se abrindo para um renascimento. Renascer para uma nova forma de viver, de sentir o mundo, as pessoas e a sua relação com a vida. Os hábitos antigos deverão ser deixados. Mas percebo que isso é inevitável – querendo ou não, os hábitos que não fazem mais sentido vão caindo, um a um. O corpo vai solicitando ser cuidado. A alimentação pede por coisas mais naturais, saudáveis. As compulsões e vícios vão perdendo o sentido. As raivas internas, mágoas, ciúme, inveja, cobiça, insistência e teimosia em achar que está “dominando a vida” e outros aspectos mentais que refletem elementos sistêmicos que estavam excluídos dentro de nós, pedem por serem vistos e deixados… Esse é o processo que tenho visto. Em alguns casos, assim como na fitoterapia, aquilo que precisa ser expurgado vem à tona… e assim podemos deixar estes sintomas partirem.

Muitas pessoas estão firmando neste caminho. Um caminho diferente. Vivendo a mesma vida, aparentemente, mas com uma qualidade totalmente diferente. Lembro-me de uma música, que diz assim: “Todo mundo quer viver de amor, mas é preciso aprender… voarás, voarás”. 

Perseverança, meu caro, se você está passando por um processo assim. As nuvens irão se dissipar, e em breve, você verá o céu azul novamente… Continue andando. Há muito o que fazer. E não se engane: se você já está acessando este “céu azul”, é seu trabalho levar, do seu jeito, com seus próprios recursos, mais pessoas para presenciarem o mesmo céu que se mostra deslumbrante para você…"
Alex Possato
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Se ficamos em paz com o nosso destino, existirá uma mudança enorme em nossa vida.
Com essa postura, também podemos lidar diferentemente com doenças, morte, acidente, destino difícil, tanto como atingidos, submetendo-nos, ou como terapeutas  que assistem essas pessoas. 
Quando fazemos isso com a postura de concordar com tudo, tal como é, e fizermos isso de ser humano para ser humano, fizermos o que pudermos e nos for permitido e estivermos conscientes desses limites, então se origina a paz... consequência natural daqueles que aceitam... tudo o que é...como é! 
Afinal, aquilo que passou não podemos mais mudar.
Boa semana.
Taís