domingo, 30 de abril de 2017

Casar ou juntar?


"Quando minha esposa me convidou (me intimou, na verdade!) para casar, fui pego de surpresa. Já morávamos juntos quase três anos. Compartilhávamos contas, viagens, cursos, trabalhos, família, como um casal compartilha. E francamente, acho que para muitos homens, a palavra casamento tem um peso diferente: significa responsabilidade, que muitas vezes, pode sufocar. Prender. Assustar.

Escolado que sou em olhar para minhas emoções e programações internas, partiu o Alex a entender o porquê desta negação, afinal, casar é só um papel e uma cerimônia, não é? Não. Não era. Este seria o meu segundo casamento. E a separação do primeiro havia sido bem dolorosa, afinal, eu acreditei quase toda a minha vida que um casamento e ter filhos me faria feliz. E ao ver o meu sonho sendo destruído, o conto de fadas se despedaçou.

Os modelos de relacionamento afetivo que tive na família não foram saudáveis. Meus pais se separaram antes mesmo de eu nascer. Não conheci meus avós maternos, mas a notícia que tinha era de um avô alcoólatra, dominador, e uma avó submissa. E os avós paternos, apesar de viverem sempre juntos, tinham uma relação muito ruim. De brigas, confronto, o homem submisso e a mulher mandona e histérica. Exatamente o contrário do lado da minha mãe. Meu pai teve diversas outras relações, em algumas das quais acabei sendo apresentado às brigas, às confusões, no convívio com as mulheres e amantes que papai arrumava.

Enquanto meu casamento ia se despedaçando, comecei a procurar com mais seriedade terapia. E somente então percebi que meu sonho estava baseado na negação do que ocorrera no passado. E duramente entendi que tudo aquilo que é negado, se repete. Neguei as relações conflituosas dos meus pais e avós, dos dois lados, e eis que o conflito bate a minha porta!

Bert Hellinger, meu mestre em constelação familiar sistêmica, diz assim: “Quando um relacionamento termina, isso está sempre vinculado a uma profunda dor. É importante que ambos os parceiros se abandonem a ela. Muitas pessoas preferem se esquivar à dor. Por exemplo, através de acusações ou procurando pela culpa: Quem é o culpado? Agora sou culpado? O outro é culpado? Por trás dessa procura e dessas acusações está a idéia de que poderia ter sido diferente. Ou que talvez pudesse haver uma reviravolta. Entretanto, a corrente da vida flui para a frente, e não para trás.”

Realmente foi muito doloroso. Anos de dor, até conseguir chegar ao divórcio. E um desejo embutido em tudo isso: não quero mais passar por esta dor…

O casamento é um caminho espiritual

Porém, a vida apresenta situações onde somos confrontados a olhar outra e outra vez para nossas emoções desconfortáveis, para que possamos curá-las. E faz isso de uma forma irresistível. Por exemplo, nos faz apaixonar outra vez por uma mulher. Uma mulher que deseja profundamente passar pelo processo do casamento. E se realmente a amo, por que não? Há como uma relação sobreviver com integridade se o desejo dos parceiros não é visto? Sem que ambos possam estar dispostos a abrir mão das próprias convicções, de forma saudável, dialogada e com as emoções e negações dos dois devidamente esclarecidas? Eu diria mais: há como o amor se manifestar em sua beleza e totalidade, sem que baixemos nossa guarda, nossas certezas, nossas verdades e nos entreguemos verdadeira e profundamente um ao outro? Um homem confiando totalmente numa mulher e uma mulher confiando totalmente num homem?

No fundo, sempre acreditei na união do homem com a mulher como um poder místico. O casamento, para mim, é um caminho de autoconhecimento, fusão e transcendência. Deepak Chopra confirma: “As pessoas se casam por diversas razões, mas acho que a melhor delas é se amarem e se dedicarem um ao outro para realizar um amor e um destino espiritual que não conseguiriam alcançar sozinhos. Pode ser preciso uma vida inteira para atingirem juntos esse objetivo sagrado, mas é bom termos desde o início o máximo possível de certeza de que aquela é a pessoa certa para embarcar nessa viagem e com quem ter desde o início a mesma visão do objetivo”.

Eu posso hoje afirmar que encontrei as pessoas certas. Parte deste caminho foi trilhado na relação anterior. Que teve um prazo de validade. E agora, o universo me mostrava mais uma possibilidade de continuar na estrada. Em outro casamento. Resolvi dizer: sim!

A diferença entre casar ou morar junto

Senti imediatamente a diferença entre casar e morar junto. Não entendia muito a lógica disso, o porquê de perceber um peso diferente ao estar oficialmente casado, e busquei novamente em Bert Hellinger a explicação: “O casamento é a despedida da juventude. O relacionamento a dois sem casamento é a extensão da juventude. Quando um casal vive muito tempo junto e não se casa, um diz ao outro: Estou procurando algo melhor. Isso é ferir constantemente.”

Percebi que uma das barreiras que me impediam de confiar plenamente no casamento e numa mulher era ainda estar preso, emocionalmente, às dores da relação anterior. Portanto, era mais cômodo estar “namorando”, ao invés da responsabilidade sagrada de dividir a própria vida com uma mulher – e vice e versa. Sobre isso, Hellinger também esclarece: “Um vínculo se cria através da consumação do amor. Esse vínculo é indissolúvel. Ele permanece.

Um segundo relacionamento somente é possível quando o primeiro vínculo é reconhecido. No segundo relacionamento, o vínculo é menos forte do que no primeiro. Em um terceiro relacionamento ele é ainda menos forte. Ele diminui de relacionamento a relacionamento até que praticamente não exista mais nenhum vínculo.

O amor não é a mesma coisa que o vínculo. É importante saber disso. A gente pode amar mais num relacionamento posterior do que num anterior.

Para que um segundo relacionamento dê certo é preciso, portanto, que o relacionamento anterior seja, em primeiro lugar, reconhecido e, em segundo lugar, deva ter sido dissolvido de maneira positiva”.

Pois é… precisei de muitos anos para poder ressignificar toda a relação anterior, o que também significou ressignificar a relação dos meus pais e avós. Posso dizer que um bom trabalho foi feito. Da parte da minha esposa também.

Até que pudéssemos estar razoavelmente libertos para dizer: Sim! A história acaba aqui? Não… claro que não! A história começou antes, e simplesmente, continua! Porque aprender a abrir o coração e se entregar ao êxtase místico e divino da relação a dois é uma jornada para toda a vida."
Alex Possato
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Quando um homem e uma mulher se aceitam um ao outro no sentido lato de homem e de mulher, então a consumação do seu amor cria uma ligação entre eles que não pode ser dissolvida. Esta ligação é muito diferente dos ensinamentos morais de várias igrejas sobre a indissolubilidade da união. A consumação do amor neste sentido cria uma ligação independente do casamento e de quaisquer rituais ou cerimônias.

Reconhecemos a existência desta ligação pelos seus efeitos. Por exemplo, se alguém frivolamente abandona um parceiro com quem se tenha ligado desta forma, a seguir, tem dificuldade em manter algum outro novo parceiro. O novo parceiro detecta a ligação e não se sente livre para reclamar ao novo parceiro, nem para se tornar completamente aberto e vulnerável. Por exemplo, uma mulher sentiu secretamente que era melhor do que a primeira esposa do seu novo marido, e convenceu-se de que o poderia fazer muito mais feliz do que a primeira esposa tinha feito. Não obstante, após alguns anos, tornou-se incapaz de ter intimidadas com ele. Desta forma, inconscientemente reconheceu a sua ligação à primeira esposa, e também a sua própria lealdade ao primeiro parceiro. Perdeu também o marido, como a primeira esposa tinha perdido.

Em constelações familiares, observamos frequentemente que uma segunda esposa mantém uma pequena distância de seu marido, como se não pudesse tê-lo inteiramente porque ele já estava ligado a outra pessoa.

Também podemos reconhecer a profundidade da ligação pelo seu efeito. Regra geral, o fim do primeiro amor é o mais difícil, é o mais doloroso. A separação é geralmente mais fácil com a segunda ligação, e ainda mais fácil com a terceira.

Esta ligação não é o mesmo que amor. Às vezes acontece que a ligação é muito profunda, mesmo que haja pouco amor, ou que há um grande amor e uma pequena ligação. A ligação é criada pelo ato físico do sexo. 

Este assunto é vasto e as Constelações nos mostram muito bem as consequências de relacionamentos mal resolvidos. Participem de grupos, onde é possível compreender um pouco melhor sobre a dinâmica da vida em comum e dos relacionamentos em geral.

Uma boa semana à todos
Tais

domingo, 23 de abril de 2017

Por que você não consegue concretizar seus desejos e sonhos?


Você já se perguntou por que será que não consegue mudar alguns padrões na sua vida?

Quando você quer muito algo novo a partir da sua consciência individual e essa novidade vai contra os princípios, valores morais e crenças limitantes da sua família, o medo de não pertencer a esse clã por não seguir as regras inconscientes estabelecidas muitas vezes lhe empurra para trás e não permite que você faça a mudança necessária ou alcance o desejo que tanto anseia.

Esse conflito é sempre a briga do velho com o novo padrão. E realmente é um grande desafio estabelecer um novo comportamento, pois o novo acessa todas as suas defesas psíquicas, já que sua consciência individual e coletiva se sente ameaçada. É como se uma luz começasse a piscar, um alarme começasse a soar, um certo pânico tomasse conta de você, se apresentando como uma grande ansiedade que encobre um grande medo do novo.

Muitas vezes a decisão que parece menos ameaçadora é permanecer no lugar seguro, apesar de desagradável. O que reforça o sentimento de frustração, fracasso e incapacidade. Para realmente mudar um padrão em nossa vida, teremos que lidar com um obstáculo a princípio oculto para a maioria das pessoas.

Esse obstáculo oculto, no entanto, extremamente desmotivador e onde a maioria das pessoas costuma ficar é a culpa de ser diferente e o medo de não pertencer ao clã.

Faz parte da nossa jornada rumo à evolução lidar com o medo e a culpa de ser diferente. É assim que a humanidade evolui. O importante é não ficar paralisado nesses sentimentos.

Agora que você tem consciência deles, siga as dicas que estou dando essa semana: 

*Observe-os; 
*Perceba onde esses sentimentos moram no seu corpo, quais são as sensações corporais que se apresentam; 
*Respire nessas sensações; 
*Perceba as emoções e os pensamentos e descubra quais são as imagens que surgem na mente. Tome uma distância delas e       lembre-se: quando o problema está muito grande, a visão está         muito curta; 
*Desindentifique-se do conflito. Dê um passo para trás; 
*Agradeça; 
*Se despeça do velho padrão e siga em frente rumo a uma nova   vida! 

Você provavelmente sentirá medo. Respire nele, o medo e só o medo, vá com medo e tudo! Aprenda a conviver com ele.

De novo e de novo… E mais uma vez… Esse processo é constante. Não tem fim. A cada mudança você terá que lidar com culpas e medos.

Somente acolhendo os seus sentimentos e realizando os seus sonhos que você contribuirá com novas memórias na nuvem inconsciente do seu sistema familiar!

Memórias de mais liberdade, autonomia, abundância, sucesso, entrega ao amor, confiança na vida: essa é a verdadeira contribuição que você pode dar para a família atrás de você, seus ancestrais e a família que está na sua frente… seus filhos… netos… bisnetos… ou os seus projetos.
Cristina Florentino
Psicóloga
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Nas Constelações Sistêmicas podemos "olhar" para todo emaranhamento que nos impede. As crenças e a fidelidade ao clã, o inconsciente coletivo e individual e tudo aquilo que nos impede. 
Podemos então, honrar tudo o que veio antes, da forma que foi, como foi... e assim, nos despedirmos, dando um lugar ao que passou! 
As mudanças acontecem quando tudo fica em paz: nossos ancestrais, as histórias, os sofrimentos , as exclusões...
e aí...somente aí...poderemos seguir!
No inicio de maio estarei constelando no final de semana. O dia e horário será publicado em um convite na página da Arbos Constelações


Clique e curta a página: você receberá um convite na data determinada para ocorrer o evento.
Boa semana
Tais

domingo, 16 de abril de 2017

Família, lugar de perdão!


Páscoa significa Renascimento. Renascer dentro da família...

Homilia que foi lida ontem no retiro pelo Papa Francisco. 

Independente de religião,  o que o Papa Francisco escreveu sobre a família é uma Verdade incontestável. 
Um espírito evangelizador, sem dúvida.

FAMÍLIA, LUGAR DE PERDÃO...

Não existe família perfeita.

Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. 

Temos queixas uns dos outros. 
Decepcionamos uns aos outros. 

Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão.

O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual.

Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.

Sem perdão a família adoece. 

O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração.

Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus.

A mágoa é um veneno que intoxica e mata. 
Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. 
É autofagia. 

Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

E por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte;
-território de cura e não de adoecimento;
-palco de perdão e não de culpa. 

O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; 
-cura, onde a mágoa causou doença.

Papa Francisco.
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Boa Páscoa para todos vocês!
Tais