domingo, 19 de novembro de 2017

Sagrado e Profano


O mês de novembro traz um convite para penetrarmos nas entranhas de nossa humanidade. Não se deixe guiar pelo medo de sentir medo.

Até 22 de novembro estaremos sob influência do signo de escorpião, e além da presença do sol em Júpiter, Vênus também entra nessa constelação.Portanto, nesse ciclo vamos aprender a linguagem do oitavo signo zodiacal, que nos instiga a atravessar o estreito caminho entre o sagrado e o profano, e que ensina que é na tensão entre os dois que a vida acontece.

 Conta um mito milenar que o semideus Hércules teve de passar por 12 grandes provas -cada signo do zodíaco -para aprender sobre sua natureza divina. Na oitava precisou enfrentar um monstro de nove cabeças (só que surgiu uma décima, imortal). E, cada vez que ele tentava cortar uma das cabeças, duas outras cresciam no lugar! Hércules por fim, consegue vencer o monstro no momento em que se ajoelha perante ele e o tira  do solo e levando-o à luz. 

Hoje, talvez, não nos sintamos tão heroicos assim, afinal, já não há mais bestas e dragões por aí. No entanto, enfrentamos monstros enfurecidos todos os dias. A grande questão é a tal cabeça imortal, que representa a realidade da morte e de onde surgem todas as outras cabeças. É no momento em que descobrimos que um dia morreremos que nos tornamos diferentes de todos os outros reinos da natureza, nos reconhecemos humanos e passamos a nos sentir ameaçados pelo tempo.  É nesse momento também que percebemos que absolutamente tudo está nossa disposição. E então, o que acontece? Nós percebemos nus, nos envergonhamos e criamos regras para que nos dizem o que podemos ou não utilizar do que foi oferecido. 

Nascem o Profano e o Sagrado, e, com eles, surgem as nove cabeças da besta: a sexualidade,  que diz para a morte que ela nunca vai vencer, (já que há a procriação); o dinheiro, que garante a ilusão de ganhar mais tempo; o controle, que nos leva a manipular o outro; orgulho, que não permite discernimento;a separatividade, que nos coloca na solidão das grandes certezas; a desconfiança, que não permite enxergar inocência; a ambição, que nos faz insatisfeitos; o ódio, que nos torna amargos; e o medo da luz própria, que nos faz parar nas mágoas do passado para não assumirmos responsabilidades sobre nossos talentos.

 Olhando assim até parece que tudo é profano e gera dor, mas ouso dizer que só é profano aquilo que não é feito com amor. Ame a tua sexualidade que ensina sobre o prazer de saber se é humano, onde o dinheiro que vem do trabalho que te faz sentir vivo, controle pensamentos e palavras para que sejam mensageiros da sua verdade, orgulhe-se do seus talentos, confie no bem que te habita, conhece-te a ti mesmo, coma um brigadeiro, adoce sua vida, brinque! E doe ao mundo aquilo que é único em ti. 

Será que conseguimos? As vezes sim, as vezes não, mas escorpião nos estimula a tentar. O grande temor não é de morrer, mas de chegar ao fim sem termos realmente vivido. Que neste mês nos dediquemos a viver intensamente esperando a chegada de Sagitário para que o centauro nos conduza ao momento presente. 
Revista Bons Fluídos-Fernanda Zanine-nov/17
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É possível separar o mundo dos otimistas e pessimistas? Essa organização seria uma maneira bem restrita de definir as pessoas, afinal, todos somos otimistas em algumas situações e pessimistas em outras.
No entanto, te convido a aproveitar as bençãos do novo ciclo, abrir os braços para aos céus e escolher para qual dos lados quer pender. Ao declinar-se para a ala do bem, receberá os bons ventos que já estão fluindo pelo ar com a fé inabalável de que tudo está seguro e caminha para para um resultado feliz.
Mas atenção: antes de pular de alegria, cuide-se e não espere que o céu tudo sozinho-vitória também se conquista.Ter fé e confiança, pensando em tudo de bom que poderá vir, ajudará, e o primeiro passo é sentri dentro de si a possibilidade e a convicção de que vai vencer.
Me despeço então, com saudações sinceras, amplas , prósperas e generosas a você. Boa sorte , lembrando que "tudo acontece primeiramente dentro de cada um de nós, na mente. O restante é apenas realização de nossos pensamentos.
Tais

domingo, 12 de novembro de 2017

Pai e mãe não se separam

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"Para os filhos, seus pais continuam sempre juntos como pais. Separam-se como casal, às vezes vivendo sob o mesmo teto, mas não se separam como pais.

Por isso, quando há filhos, é especialmente importante finalizar as relações anteriores com atenção e cuidado. Um dos grandes anseios dos filhos é ter os dois pais juntos no coração, não importa o que fizeram ou o que aconteceu, sem precisar tomar partido por um dos dois ou se alinhar com um contra o outro (como infelizmente ocorre frequentemente, com penosas consequências).

Onde começam os problemas?

Há frases ou mensagens dos pais, explícitas ou implícitas, que prejudicam terrivelmente seus filhos: “Filho(a), não ame seu pai/mãe, despreze-o(a) como eu e, acima de tudo, não seja como ele(a)”, ou “Filho (a), não queira entender como eu pude amar seu pai/mãe, você é melhor que ele(a).”

Mesmo que não se verbalizem, esses e outros pensamentos parecidos às vezes, são verdades internas para os pais e nutrem a atmosfera familiar de dinâmicas fatais para a tríade relacional mais importante de nossa vida: a tríade pai-mãe-filho.

Recordemos que os filhos não dão tanta atenção ao que os pais dizem, e sim ao que os pais sentem e fazem.

A verdade de nossos sentimentos pode ser negada ou camuflada, mas não pode ser eliminada, portanto, age e se manifesta em nosso corpo. É importante que trabalhemos com nossa verdade e, caso ela gere sofrimento em nós ou em nossos filhos, que tratemos de transformá-la.

E onde começa a solução?

Para o bem do futuro dos filhos, é fundamental que eles estejam bem inseridos no amor de seus pais e que estes consigam se amar, pelo menos como pais de seus filhos.

Não é algo tão raro se pensarmos que, na maioria dos casos, um dia se escolheram e se amaram como casal, e os filhos chegaram como fruto e consequência dessa escolha e desse amor.

Além do mais, quando é possível, é maravilhoso amar o outro progenitor. Eu sempre me surpreendo ao ver como alguns pais e mães se dirigem aos seus filhos passando por cima do outro parceiro.

Essa atitude, que pode parecer razoável, às vezes (a infelicidade costuma chegar vestida de roupagem argumental impecável, mas isenta de amor que nos faz bem), não ajuda os filhos.

Eles não precisam ser os mais importantes; ao contrário, precisam sentir que os pais estão juntos como casal permitindo-se uma recíproca primazia diante dos filhos.

Primeiro o casal, depois os filhos.

Quando um filho é mais importante que qualquer pessoa para um dos pais, isso não é um presente para ele, e sim uma carga pesada; não é adubo, mas seca disfarçada de encantamento. Os filhos não precisam se sentir especiais nem têm de ser tudo para os pais. Isso é demais.

É frequente que um pai projete em seu filho aquilo que lhe falta em seu companheiro ou nos próprios pais, ou aquilo que faltou em sua família de origem, ou aquele sonho que não pôde realizar. E que o filho, por amor, aceite o desafio.

A preço, claro, de sua liberdade e da força para seguir o próprio caminho.

E tudo sai melhor quando têm o apoio de seus pais e antepassados, e quando estão em paz com eles. No entanto, sofrem quando um dos pais despreza o outro ou ambos se desprezam mutuamente, ou quando têm de se envolver excessivamente com um dos dois ou com os dois.

Se os pais se desprezam, para o filho é difícil não desprezar a si mesmo e não parecer a pior versão que o pai ou a mãe traçou do outro progenitor, pois, no fundo, um filho não pode prescindir de amar os pais e não deixa de fazer acrobacias emocionais para ser leal a ambos, inclusive imitando seu mau comportamento, ou seu alcoolismo, ou seus fracassos e desatinos.

“Filho, continuo amando seu pai em você; em você continuo vendo-o e respeitando-o”; “Filha, você é fruto de meu amor e de minha história com sua mãe, e vivo isso como um presente e uma bênção”; “Filho, respeito o que você vive com seu pai/mãe, mais que isso é demais”. Essas e outras frases parecidas alimentam o bem- estar e o regozijo dos filhos.

O que ajuda, portanto?

Que os filhos recebam um dos maiores presentes possíveis em seu coração: ser amados como são, e muito especialmente que por meio deles seja amado o outro progenitor, porque assim os filhos se sentem completamente amados, já que, de uma forma sutil e ao mesmo tempo muito real, um filho não deixa de sentir que também é parte de seus pais."
Joan Garriga em
O amor que nos faz bem – Editora Planeta
 Consulta em https://iperoxo.com
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O relacionamento dos pais com os filhos é importantíssimo para o desenvolvimento e o sucesso destes.
Existe por parte dos filhos um amor profundo e cego, que é leal aos pais, custe o que custar. Por conta disto eles captam os conflitos dos pais, mesmo que não haja  manifestações de desafetos frente aos mesmos. Este amor pode impedi-los de ir para a vida de uma maneira saudável e próspera. Então, aí reside uma responsabilidade enorme dos pais no sentido de seguir a relação parental de maneira positiva, mesmo com o término ou não do relacionamento.
As Constelações (Bert Hellinger)atuam de maneira muito positiva na resolução das dificuldades, ajudando a olhar essas questões que aparecem nos relacionamentos, com amorosidade, além de perceber tudo que envolve estas manifestações, considerando que ela apresenta o que está oculto e muitas vezes nem percebemos (conscientemente).
Tais

domingo, 5 de novembro de 2017

Concessões, uma forma de evitar atritos

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O que leva muitos homens (e mulheres) a aceitar as explicações do cônjuge que chega tarde do trabalho? Não seria mais natural esperar que o companheiro entendesse o nosso cansaço e nos recebesse com carinho redobrado?

Por que nos sentimos na obrigação de participar daquele almoço de domingo com a família se preferíamos ir ao cinema, acordar às 2 da tarde ou encontrar nossos amigos?

Que direito tem o namorado de censurar o comprimento do vestido da namorada? E por que ela concorda em mudar de roupa, interpretando a implicância dele como uma prova de amor?

A reposta a todas essas perguntas é uma só: para evitar atritos com aqueles que amamos.

Fazemos muitas coisas contra nossa vontade porque não temos coragem de arcar com as consequências de um enfrentamento. Tememos as rejeições, as críticas diretas, o julgamento moral.

Temos medo do abandono e da condenação à solidão. Preferimos, então, catalogar essas pequenas concessões como perdas menores e seguimos a vida sem pensar muito nelas.

No entanto, ao longo dos anos, a soma de restrições à nossa modesta liberdade cotidiana se transforma num conjunto compacto de mágoa e frustração, que acaba deteriorando os relacionamentos.

Crescemos com a ideia de que ficar só é doloroso, além de socialmente reprovável (tente jantar desacompanhada num restaurante badalado!). Esse equívoco tem levado muita gente a se prender a um casamento falido ou a um namoro doentio.

Quando a relação acaba e somos impelidos a viver sozinhos, temos a oportunidade de experimentar pequenos prazeres solitários: tomar conta do controle remoto da televisão, dormir com três cobertores, ir ao cinema duas vezes num único domingo, usar aquele vestido bem decotado.

Muitas vezes só essa vivência nos dá a chance de avaliar o quanto eram duras as restrições que aceitávamos passivamente. A descoberta nos deixa menos tolerantes às exigências possessivas, ciumentas e por vezes invejosas impostas pelos elos afetivos usuais.

Junto com a mudança vem a pergunta: “Será que estou ficando egoísta?” Não. Temos o direito de criar uma rotina própria e diferente da praticada por vários grupos familiares e sociais.

Quando somos capazes de compreender o lado rico de estar só, quando perdemos o medo de nos defrontar com nossa solidão, rebelamo-nos contra muitas das pequenas e múltiplas regras de convívio. Então nos tornamos mais livres, inclusive para recompor as bases dos relacionamentos que nos aprisionam.

As normas terão de se ajustar aos novos tempos, passando a respeitar mais a individualidade recém-adquirida e a liberdade que vem junto com ela. Impossível abrir mão de uma conquista tão prazerosa.

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"Medo do amor tem aquele que não ama. No próprio amor esquecemos o medo. É como na guerra. Os que estão atrás têm medo. Os que estão na linha de combate não têm medo. Vá até a primeira linha.
    Mais algo sobre o medo: o medo nasce de uma ideia. Para ter medo do amor é preciso desviar o olhar de quem se ama. Se você olhar, o medo desaparece imediatamente. Portanto, o medo é a pequena felicidade."
Bert Hellinger em A Fonte Nào Precisa Perguntar Pelo Caminho
O movimento de concessões precisa ser interrompido... e como fazer? Talvez uma metáfora clareie algo:
O movimento deve ser interrompido. O reconhecimento da concessão e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, surge aí uma conquista especial. 
A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela correnteza. Devemos retroceder... Em vez de nadar na correnteza, podemos ir até as margens, olhar a correnteza até compreender o velho padrão e reconhecer o novo e, então decide-se o que fazer.
Este é um processo de amadurecimento, que ao contrário daquilo que imagino, só acontece quando busco, quando me incomodo realmente!
Uma ótima semana.
Tais