domingo, 14 de janeiro de 2018

Persona: Homem disfarçado de Mulher e Mulher disfarçada de Homem



O objetivo deste artigo é trazer uma reflexão sobre a persona e sua associação com o gênero, nos casos específicos em que ela se expressa por meio de homens que se disfarçam de mulheres e de mulheres que se disfarçam de homens. A palavra disfarce visa estabelecer uma distinção entre a experiência de travestis e transexuais, que sentem e vivenciam sua identidade como dissonante de seu sexo biológico, e a pessoa que se disfarça de outra do sexo oposto sem se identificar com ela, mas preservando sua identidade associada ao próprio sexo e buscando no disfarce alguma utilidade.

O texto apresenta alguns exemplos de pessoas ou personagens que lançaram mão desta estratégia, levantando algumas hipóteses sobre os motivos subjacentes à escolha deste tipo de disfarce e por que, frequentemente, este disfarce é funcional, isto é, cumpre seu propósito; aborda ainda os possíveis efeitos desta conduta na personalidade do indivíduo que se disfarçou.

Sobre a Persona

Uma jovem paciente relatou que gostava de reescrever estórias invertendo os sexos dos personagens. Disse que eles ficavam mais interessantes, porque agiam de modo inesperado. Essa observação, que certamente contém elementos da personalidade da jovem, me fez refletir sobre o sentido da troca de papéis entre os gêneros e o efeito produzido pelo exercício contrassexual da persona.

O termo persona é associado ao teatro grego. Equiparada frequentemente às máscaras utilizadas então para caracterizar os personagens, a persona é tida também como uma espécie de tubo que havia nessas máscaras para que o som saísse amplificado, isto é, per sonare (Hopcke, 1995).

Jung (1928) , escreve ele que a persona é uma simples máscara da psique coletiva, máscara que aparenta uma individualidade, procurando convencer aos outros e a si mesma que é uma individualidade, quando, na realidade, não passa de um papel, no qual fala a psique coletiva. (…) Ela representa um compromisso entre o Indivíduo e a sociedade, acerca daquilo que alguém parece ser: nome, título, ocupação, isto ou aquilo. (par. 245-246, grifo do autor)

Embora à primeira vista se pudesse pensar na persona como algo superficial, apenas um papel a ser desempenhado, sabemos que ela é mais do que isso, pois envolve a vocação, a criatividade, a natureza profunda da pessoa. 

A persona faz a intermediação entre a personalidade egóica e o mundo externo, ao passo que a anima e o animus o fazem entre o ego e o mundo interno, a individualidade mais profunda.

Não podemos deixar de salientar que a intermediação feita pela persona entre a pessoa e a sociedade é um processo que pode se dar de modo mais criativo ou mais defensivo (Byington, 2008), ou seja, ela pode tanto revelar a essência mais profunda da pessoa, como ocultá-la. Assim, dependendo de sua maior ou menor integração na personalidade do indivíduo, a persona pode ser simbolizada por um revestimento semelhante à pele, que permite uma troca constante entre dentro e fora, ao mesmo tempo em que protege a pessoa, ou por uma armadura, que, se por um lado serve de proteção, por outro isola e impede que a pessoa se revele e seja vista.

A maneira como a persona é veiculada dependerá também da estrutura de personalidade de cada um, sendo mais rígida quando o ego for mais frágil e, ao contrário, flexível quando o ego é fortalecido e apto a lidar com a vida de maneira mais criativa, saudável e espontânea.

Com bastante freqüência, a persona surge nos sonhos representada pelas roupas ou pela ausência delas. Isto porque a maneira como nos vestimos, falamos, gesticulamos ou nos comportamos é a expressão mais visível de nossa persona. Nossa apresentação explicita traços de nossa personalidade e por isso, quando queremos estar em sintonia com a sociedade em que vivemos, buscamos uma persona que promova em nós sentimentos de adequação e aceitação e nos dê a segurança de que estamos dentro do que consideramos apropriado.

Evidentemente, há exceções, que podem ir desde a pessoa criativa, que ousa mais, sendo aceita e admirada por sua extravagância e originalidade, até aquela que quer chocar e, deliberadamente, veste-se ou se comporta de modo a representar uma afronta aos costumes e às tradições.

A vestimenta tem o propósito de proteger o corpo, mas também de exibi-lo e adorná-lo. Além disso, a roupa ou adereços podem caracterizar uma organização (uniforme), identificar uma profissão (bombeiro, policial) ou exercício profissional (a toga dos magistrados ou a roupa branca dos médicos), uma equipe esportiva, uma cultura (sári, quimono), uma religião (hábito, burca, kipá), revelar um estado emocional (luto), assinalar uma condição (presidiário). Ela confere status, delimita um grupo, sendo parte importante de determinados rituais (vestido de noiva, beca) e ocasiões (usar branco na passagem do ano, determinada cor para protestar ou a cor da bandeira nacional para demonstrar patriotismo). A expressão “vestir a camisa” indica o compartilhar dos mesmos ideais ou propósitos de um grupo. A roupa ou adereços podem também mobilizar a sombra, e foi isto que vimos recentemente com o uso por adolescentes de pulseiras coloridas significando etapas de relacionamento e intimidade entre eles. Conhecidas como “pulseiras do sexo”, acabaram sendo proibidas depois de provocarem assédios e estupros. Outro exemplo amplamente explorado pela imprensa foi o caso da estudante universitária que compareceu à aula usando um vestido curto e acabou sendo ameaçada e provocando tamanha mobilização entre os estudantes que foi obrigada a deixar a faculdade sob escolta policial.

Durante a infância e a adolescência, época em que ocorre a estruturação da personalidade, a persona desempenha um papel fundamental, pois é através dela que as crianças e jovens irão se identificar com esta ou aquela pessoa, ou irão repudiar esta ou aquela forma de ser. Nestas fases da vida, mudanças na persona podem gerar profunda ansiedade, acompanhada do medo de rejeição – conhecemos a importância que tem para o adolescente se vestir, usar as mesmas expressões, e, nos casos das meninas, se maquiar como o grupo de referência.

Uma adolescente entrou em crise profunda de identidade quando a cabeleireira, à sua revelia, cortou seus cabelos mais do que ela esperava. Olhava-se no espelho e não se encontrava na imagem que via.

Em qualquer idade, características que atinjam marcadamente nossa persona – engordar ou emagrecer excessivamente, ficar careca, envelhecer, ou até mesmo ir a uma festa com uma roupa que nos dê um sentimento de inadequação – podem produzir efeitos bastante desagradáveis, duradouros ou transitórios, sobre a personalidade. Incluem-se aqui as cirurgias plásticas com modificação do corpo como fontes produtoras de desestabilização e alteração da identidade do indivíduo.

Persona e Gênero

Ao introduzirmos este tema, entramos em terreno movediço, pois devemos enfrentar a complicada questão que envolve os gêneros. Afinal, como indaga Samuels (1989), “existem tais coisas como a psicologia ‘masculina’ inata e a psicologia ‘feminina’ inata?” (p.94). Na atualidade, muito do que se considerava próprio do homem ou típico da mulher caiu por terra. Se cuidar de criança era coisa de mulher, hoje vemos inúmeros pais que participam da vida de seus filhos desde a gestação, conversando com o feto e até brincando com ele, para vê-lo chutar a barriga da mãe. Por outro lado, se era coisa de homem pensar em administrar o dinheiro da família, atualmente inúmeras mulheres investem no mercado financeiro com mais desenvoltura e interesse do que muitos homens. Estes são exemplos pontuais que ilustram a grande mudança pelas quais passam hoje os papéis de homens e mulheres, e que exerce enorme influência no relacionamento entre eles e introduz importantes modificações em sua visão de mundo, refletindo-se na família, no trabalho e na sociedade como um todo.

Samuels, na obra já mencionada, esclarece que, enquanto o sexo (homem e mulher) se refere à anatomia e ao substrato biológico do comportamento, o gênero (masculino e feminino) diz respeito ao cultural e ao psicológico, sendo construído em parte por observações e identificações dentro da família, e sendo por isso flexível, relativo e passível de ser modificado. Às diferenças entre os sexos agregam-se, assim, as semelhanças entre os gêneros, pois constatamos cada vez mais não haver diferença significativa entre a possibilidade de o homem ou a mulher desempenhar papéis sociais, culturais e tampouco expressar seus afetos e emoções. Disto decorre que os conceitos de anima e animus, criados por Jung para se referir respectivamente ao aspecto feminino inconsciente do homem e à dinâmica masculina inconsciente da mulher, ficaram, com o tempo, difíceis de serem circunscritos. O que se considerava atributo da mulher – capacidade de conter, cuidar, acolher, relacionar – pode hoje ser vivido por muitos homens. Por outro lado, características atribuídas ao homem, como objetividade, razão, assertividade, força e eficiência, formam parte da consciência de inúmeras mulheres. Assim, as tentativas de circunscrever o que é masculino e o que é feminino revelam-se mais anacrônicas a cada dia.

Não obstante, é inegável que a identidade do homem e da mulher é estruturada, dentre outros fatores, pela persona correspondente a cada sexo, pois a mudança cultural em andamento é lenta e continua ainda, em certa medida e em determinados contextos, associando o gênero ao sexo. Um menino de 6 anos disse à mãe que preferia ir à escola com a camisa do seu time de futebol e não com a roupa de seu super-herói predileto, porque a roupa é cor-de-rosa e os amigos iriam “mexer” com ele. O que ele está estruturando? Sua identidade, através da persona ligada ao sexo. Na nossa tradição cultural, cor-de-rosa é cor de mulher, e não de homem!

Com algumas exceções, como homens que agem de modo efeminado e exagerado, com gestos e expressões afetadas; mulheres que se comportam de maneira socialmente considerada masculina; travestis e transexuais, que buscam uma identidade associada ao sexo não biológico, cada vez mais, de modo geral, independentemente de a pessoa ser hétero, homo ou bissexual, a persona é condizente com o próprio sexo.

Assim, o que motiva alguém a ocultar sua verdadeira natureza a ponto de se apresentar publicamente como se pertencesse ao sexo oposto? Como podemos compreender as inúmeras passagens encontradas em mitos, contos, filmes, obras literárias, óperas e até na vida real, em que homens e mulheres se vestem como se fossem do outro sexo, escolhendo propositalmente uma persona do sexo oposto para se relacionar com o mundo externo? Quais os significados desta inversão?

Para ilustrar este tema, abordarei alguns exemplos nos quais os homens se vestiram de mulher e mulheres, de homem. Ao leitor interessado, sugiro o livro The Bedtrick, no qual Doniger (2000) apresenta inúmeras outras ilustrações do que denominou cross-dressing.

Homens vestidos de Mulher

1-Arjuna

O Mahābhārata é um dos dois grandes épicos da Índia – o outro é o Ramayana. Estima-se que sua forma escrita tenha surgido entre os séculos IV a.C. e IV d.C., mas sua tradição oral é anterior. 15 vezes maior que a Bíblia, esta obra relata uma guerra entre primos: de um lado, os cinco Pandavas; de outro, os Kauravas. Embora desta guerra ninguém saia vitorioso, os heróis são os Pandavas, filhos de Kunti com diferentes deuses.

Certamente, desta obra monumental há muito a ser dito. O que nos interessa, no entanto, é um recorte bastante específico. Para tentar evitar a guerra, os Pandavas se submetem a 14 anos de exílio, sendo que o último ano seria passado na corte do rei Virata e os cinco deveriam permanecer incógnitos. Dentre eles, está Arjuna.

Filho de Indra, rei dos deuses, é o mais corajoso dos Pandavas. Recebe do pai armas celestiais e braços sobre-humanos para manuseá-las. É o melhor dos guerreiros, invencível na luta, capaz de vencer os raksasas (um tipo de demônio). Arjuna, o herói da batalha que irá ser retratada naquele que é considerado um livro sagrado para o hinduísmo, o Bhagavat Gita, escolhe permanecer durante todo um ano vestido de mulher. Na seção 2 do Virata Parva, o livro 4 do Māhabhārata, diz ele:

Vou declarar-me alguém do sexo neutro. É difícil esconder as marcas do arco em meus braços. No entanto, cobrirei minhas cicatrizes com pulseiras. Usando brincos brilhantes e braceletes nos meus pulsos e deixando uma trança pender de minha cabeça, parecerei alguém do terceiro sexo, chamada Brihannala. E vivendo como mulher, devo (sempre) entreter o rei e os moradores dos apartamentos íntimos contando estórias. Deverei também instruir as mulheres da corte de Virata no canto, nas delicadas modalidades de dança e nos instrumentos musicais de diversos tipos. Recitarei atos excelentes dos homens e assim me ocultarei por meio de meu disfarce enganoso. (…) Ocultando-me desta maneira, como o fogo é oculto pelas cinzas, passarei meus días agradavelmente no palácio de Virata. (in Ganguli, p.3).

2-Dioniso

Dentre as várias versões do mito de Dioniso, encontra-se aquela em que ele foi destroçado pelos Titãs, a mando de Hera. Zeus lhe salva o coração, entregando-o a Semele para que fosse gestado. No entanto, Semele, por influência de Hera, pede que Zeus apareça diante dela em sua verdadeira natureza, o que fez com que ela fosse carbonizada. Zeus salva Dioniso e o coloca em sua coxa, para ser gestado. Quando ele nasce, Zeus o entrega aos cuidados de Hermes, que por sua vez o deixa com Ino e seu esposo, o rei Átamas, que para protegê-lo da fúria de Hera cria Dioniso como se fosse uma menina, para protegê-lo da fúria de Hera. (Brandão, 1989). Atribui-se a seu convívio com as mulheres sua capacidade de transitar pelo universo de ambos os gêneros, visto por isso como um deus andrógino, no sentido de ser capaz de integrar em sua personalidade elementos masculinos e femininos. O duplo nascimento deu a ele a capacidade de articular vida e morte.



A história de Aaron Mokoena, capitão da seleção de futebol da África do Sul em 2010, guarda interessante semelhança com o mito de Dioniso. Ela foi amplamente divulgada pela imprensa, e os dados que transcrevo estão baseados em matéria publicada no The Sunday Times, jornal de grande circulação no Reino Unido, em 22 de abril de 2010. Em 1992, aos 11 anos de idade, ele vivia em Boipatong, sua cidade natal. Nessa ocasião, duas facções negras travaram lutas assassinas, e na noite de 17 de junho homens do Inkatha Freedom Party (IFP) vieram dispostos a matar todos os meninos da cidade. Mokoena sobreviveu porque sua mãe lhe vestiu de mulher. Nesta noite, 46 pessoas foram mortas por este grupo.

Lembremos ainda Aquiles, o grande herói da Guerra de Troia, que viveu como moça entre as filhas do rei na corte de Licomedes, para tentar fugir ao destino de morrer jovem (Brandão, 1989).

3-Tootsie

Michael Dorsey, personagem protagonizado por Dustin Hoffman no filme Tootsie, dirigido por Sydney Pollack, representa um ator que, desempregado, concorre a uma vaga destinada a uma mulher. Fazendo-se passar por uma, consegue o emprego em um seriado de televisão e seu personagem, Dorothy Michaels, faz muito sucesso como uma mulher firme, capaz de lidar com os homens como nenhuma outra mulher do seriado. Ao desempenhar o papel de mulher e ser visto e tratado pelos colegas como tal, passa a desenvolver um olhar mais cuidadoso em relação à mulher.

Dentre muitos outros exemplos, não quero deixar de mencionar a transformação do deus hindu Vishnu em uma mulher, Mohini, para seduzir os asuras (um tipo de demônio) e evitar que eles bebessem Amrta, o elixir da imortalidade produzido por meio da batedura do oceano (Kinsley, 1979). Cito ainda o disfarce em mulher de Bhima, outro dos cinco Pandavas, para se fazer passar por Draupadi, sua esposa, e ir para a cama com Kicaka, a fim de seduzi-lo e matá-lo (Māhabhārata, in Doniger, 2000).

Mulheres vestidas de Homem

A noção de que mulher não pode lutar mostra-se equivocada quando Diadorim, personagem de Grande Sertão: Veredas, romance de Guimarães Rosas, veste-se de homem, entra para o cangaço e trava uma luta mortal com o assassino de seu pai.

Foi vestida de homem que Joana D’Arc comandou o exército francês. Vestiu-se de homem para realizar uma missão que competia ao outro sexo, mas também para preservar sua castidade e evitar assédio e estupro, e assim liderou seu país inspirada por Deus.

Outro exemplo vem de Amandine Aurore Lucile Dupin, que vestiu calças compridas e adotou o pseudônimo de George Sand para impor à sua época seus escritos, sua liberdade, autonomia, determinação e capacidade intelectual.

A personagem Yentl, representada por Barbra Streisand, em filme dirigido e produzido por ela própria, busca adquirir ensinamentos apenas franqueados aos homens, e aos quais ela não teria acesso se não “fosse” homem.

Walters (1994), a respeito da persona, escreve que ela “se desenvolve como uma resposta do indivíduo às solicitações dos pais, professores e sociedade, (…) refletindo a habilidade [de o indivíduo] se comportar apropriadamente conforme a demanda da situação social” (p.298). Vemos que, em determinadas circunstâncias, a situação social “demanda” que a pessoa seja alguém de outro sexo para poder exercer habilidades autorizadas apenas às pessoas do sexo oposto – para se adaptar, ela se “transforma”.

Discussão

Talvez nenhuma outra situação ilustre tão bem a afirmação de Hudson (1978) – “A persona age, por um lado, para causar impressões definidas sobre os outros e, por outro, para ocultar a verdadeira natureza do indivíduo” (p.54) – como aquela na qual alguém se disfarça como sendo do sexo oposto.

Do meu ponto de vista, o disfarçar-se de outro sexo está diretamente associado à questão de gênero. O que propicia e favorece este tipo de disfarce é a existência, em determinadas épocas e situações, de uma nítida delimitação dos papéis atribuídos aos homens e às mulheres, uma separação rígida e muitas vezes preconceituosa, que se revela indevida quando a pessoa, vestida como se fosse do outro sexo, consegue realizações e obtém resultados que lhe seriam negados se estivesse vestida em consonância com o que a sociedade estabelece como pertinente ao seu sexo. O sexo oposto, nesse contexto, é visto como o totalmente outro, pois só faz sentido disfarçar-se naquele que é diferente.

O motivo do disfarce explicita as diferenças e os estereótipos atribuídos aos gêneros. Disfarçar-se do outro é obter aquilo cujo acesso é restringido pela cultura. Assim, mulheres se vestem de homens para lutar (Diadorim, Joana D’Arc), adquirir conhecimento, respeito, afirmação social (George Sand, Yentl).

Os homens, por sua vez, vestem-se de mulheres para se proteger (Dioniso, Mokoena), seduzir (Mohini, Bhima) ou expressar emoções tradicionalmente atribuídas às mulheres (Arjuna, Tootsie)[2].

Como consequência do cross-dressing, para utilizar a expressão de Doniger (2000), homens e mulheres têm a oportunidade de exercitar o colocar-se no lugar do outro. Como a exibição da persona do sexo oposto é acompanhada pela permanência da própria identidade, um homem que se vista de mulher pode construir uma personalidade até certo ponto fictícia para dar sustentação a esta “nova mulher”, mas expressando traços de sua personalidade que talvez não tenham podido se manifestar de outro modo. Com isto, o homem é chamado por si próprio a pensar, agir, sentir e reagir como se fosse uma mulher, ficando também exposto à realidade dela, aos olhares que ela suscita, às provocações, cuidados, enfim, aos estímulos do ambiente. Literalmente, ele se coloca no lugar do outro. O mesmo acontece com a mulher.

Embora a sombra possa se apresentar em toda e qualquer situação, este tipo disfarce pode proporcionar um efeito construtivo, de elaboração e desenvolvimento da consciência. Um exemplo é oferecido por Jostein Gaarder, em seu livro Vita Brevis. Há alguns anos, assisti a uma entrevista concedida por ele, na qual explicou que criou o subterfúgio de dizer que encontrara um manuscrito na Feira de San Telmo, em Buenos Aires – para o escritor norueguês, possivelmente uma representação do fim do mundo – para que o leitor acreditasse que o texto teria sido escrito por uma mulher. Com suas palavras, ele deu vida a Flória Emília, nome fictício da mulher que, na realidade, foi mãe do filho de Aurélio Agostinho. Este, posteriormente, entrou para um convento e foi considerado santo pela Igreja Católica. Ao mostrar-se capaz de se fazer passar pelo outro sexo de modo tão criativo e convincente, Gaarder, na verdade, reafirma a semelhança entre os gêneros.

Em todas as culturas há diferenças entre os papéis atribuídos ao homem e à mulher. No entanto, quanto mais estas diferenças forem rígidas, cerceadoras, e até impeditivas para o exercício pleno da personalidade, maior a necessidade de se concretizar, na persona, o sexo oposto. Se meninos forem mortos apenas por serem meninos, a salvação advém de sua “transformação” em menina. Hoje, uma parcela significativa do mundo permite um trânsito maior entre os papéis de homens e de mulheres, e por isso roupas unisex passaram a ocupar boa parte do nosso guarda-roupa.

Ao vestir-se como o outro sexo, a pessoa exibe ao mundo aquilo que aparentemente não é. Entretanto, este exercício concreto de alteridade lhe dá a possibilidade de se aproximar de sua natureza mais profunda ao reconhecer-se no Outro, que agora é si próprio.

Referências Bibliográficas

BLOMEYER, Rudolf. Os aspectos da persona. Analytische Psychologie. v.5, n.1, p.17-19, 1974.

BRANDÃO, Junito de S. Mitologia Grega. Petrópolis: Vozes, 1989.

BYINGTON, Carlos A. B. Psicologia simbólica junguiana – viagem de humanização do cosmos em busca da iluminação. São Paulo: Linear B, 2008.

DONIGER, Wendy. The Bedtrick – tales of sex & masquerades. Chicago: The University of Chicago Press, 2000.

GAARDER, Jostein. Vita Brevis – A carta de Flória Emília para Aurélio Agostinho. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

HOPCKE, Robert H. Persona: where sacred meets profane. London: Shambhala, 1995.

HUDSON, Wayne C. Persona and Defence Mechanisms. Journal of Analytical Psychology. v.23, n.1, p. 54-62, 1978.

JUNG, Carl G. (1928). O eu e o inconsciente. OC vol.7. Petrópolis: Vozes, 1978.

KINSLEY, David R. The Divine Player – A Study of Kṛṣṇa Līlā. Delhi: Motilal Banarsidas, 1979.

SAMUELS, Andrew. Beyond the feminine Principle. In: The Plural Psyche: personality, morality, and the father. London: Routledge, 1989.

THE MAHABHARATA OF KRISHNA-DWAIPAYANA VYASA. Traduzido para o inglês por Kisari Mohan Ganguli. Bhai rata Press, Calcutta: Bharata Press, 1883-1896.

WALTERS, Sally. Algorithms and Archetypes: Evolutionary Psychology and Carl Jung’s Theory of the Collective Uncounscious. Journal of Social and Evolutionary Systems. 1994, v.17, n.3, p. 287-306, 1994.


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Artigo extremamente esclarecedor.
Mesmo aos totalmente leigos, é possível ter a compreensão... e esta, pode levar ao não julgamento do outro.
Como é importante nestes nossos tempos de tanta crucificação das atitudes de outrem, ter a compreensão...e poder "olhar", sem contudo crucificar, julgar, excluir etc...
O planeta está como está em função da não aceitação das diferenças, sem antes ( as vezes por pura ignorância desta possibilidade)olhar o que pode ter ocorrido na vida daquela pessoa.
Aí você pode estar pensando: " então vou concordar com tudo que está errado? Absurdo..."

Não se trata disto, mas de ter um olhar respeitoso e amoroso com a dificuldade do outro, que acontece em todas as áreas da vida- e não apenas nestas referentes as preferências sexuais...
Afinal, quem disse que isso ( ou aquilo) é correto? Pra quem é correto? O ego á muito sabido neste aspecto, pois encobre a outra possibilidade e nos faz acreditar que esta é a única forma de olhar...

Algumas afirmações básicas, para você que é curioso(a)...
Fique com elas... sem pressa para ponderar, julgar, criticar  etc...
Sobre as pessoas em geral...(claro que existem exceções, e você pode ser uma delas...), não brigue comigo rsrsrs

Voce:
*Sabe viver sem medo?
*Sabe resolver conflitos sem violência? (inclusive aquela briga interna, que argumenta...fala...discute...dá razão...)
*Sabe agir sem interesse pessoal?
* Sabe amar incondicionalmente?
Estes são conhecimentos básicos par quem quer iniciar uma mudança em nosso planeta...que começa pequenina...dentro de cada um de nós!
Tais

sábado, 6 de janeiro de 2018

Uma alma que chora


"Quando um relacionamento termina os questionamentos são muitos, nossa cabeça quer respostas e buscamos encontrar um culpado, alguém que se responsabilize por toda dor que sentimos. Nos perguntamos se erramos, onde erramos, onde nos perdemos. Olhamos para os lados e só encontramos um vazio, olhamos para dentro de nós mesmos e só encontramos dor.

Como conseguimos nos machucar tanto? Nos machucamos ao permitir que colocassem uma faca onde já existia uma ferida e assim, não a deixamos cicatrizar, pois cada vez que para de sangrar, recomeçamos a tirar a ferida, muitas vezes sem percebermos, e quando nos damos conta, já está sangrando novamente. E como dói! Por que insistimos tanto naquilo que nos faz mal, nos faz sofrer?

Será que nosso sofrimento não se torna tão intenso por negarmos a realidade dos fatos? No que realmente acreditamos enquanto o relacionamento durou? Na pessoa como ela é ou naquilo que gostaríamos que ela fosse? Acreditamos no outro como ele se apresenta, ou na imagem que idealizamos que ele seja? Por que insistimos em mudar o que, ou quem, não quer ser mudado?

Talvez a resposta seja que devemos enfrentar e aceitar a realidade dos fatos e não a realidade que gostaríamos que existisse. Sofremos não pela realidade em si, mas pela busca de nossa verdade. Ficamos esperando que o outro mude e quanto mais esperamos, menos reagimos e mais sofremos; adiando cada vez mais nossa capacidade em nos reconstruir; esperando que quem foi embora, volte para nos salvar.

Os motivos que nos fazem entrar em relacionamentos que acabam deixando muita dor podem ser muitos, e depois que estamos envolvidos emocionalmente, mais difícil ainda se torna sair dele ou aceitar seu fim. Enquanto se está junto de alguém é muito comum cedermos em valores que são importantes para nós e aos poucos, eles vão se somando, até que não conseguimos mais suportar conviver com quem se tornou um total desconhecido: nós mesmos! Pois chegamos em um ponto, que nem sabemos mais quem somos. Nos perdemos aos poucos e perdemos também quem amamos.

Somos abandonados porque muito antes disso, nos abandonamos na mesma proporção.

Quando esquecemos de nós mesmos, nos desvalorizamos, deixamos de nos cuidar, entre muitos motivos, por estarmos muito ocupados em fazer o outro feliz. É quando a outra pessoa faz exatamente o mesmo conosco, cuida de si mesma como se não existíssemos. Aos poucos e com o tempo, vamos perdendo a beleza, o brilho, a luz, a energia, a vontade, a conexão com nossos sentimentos, e principalmente, com nossa voz interior. Quantos sinais recebemos que não daria certo, e sequer ouvimos? Nosso verdadeiro eu começa a ficar tão distante, que não conseguimos mais distinguir o certo do errado, o caminho a ser seguido, e acreditamos estar sofrendo porque o outro nos deixou. Será que ficamos sem chão, sem ar, com o coração sangrando, a alma dilacerada, por que o outro foi embora ou por que perdemos a conexão com nós mesmos, quando aos poucos, fomos nos abandonando? Será que nosso sofrimento é mesmo por que outro foi embora ou é nossa alma que chora há tempos pela nossa própria ausência?

Não podemos negar que uma separação dói e muito, mas a intensidade e a duração do nosso sofrimento, se é que podemos medir sofrimento, perdura de acordo com o tempo que levamos para nos aproximarmos de quem somos. Muitas pessoas entram em depressão. A tristeza é tanta, que se torna crônica. Ficam deprimidas exatamente pela negação da realidade e sua dificuldade em enfrentarem sua própria verdade. A depressão nada mais é do que um convite para a reflexão, uma oportunidade de mergulharmos em nosso interior, já dizia Jung. Sofremos, mais do que o necessário, porque nos abandonamos, nos negligenciamos, nos perdemos de nós mesmos. E choramos pelo outro quando na verdade, devíamos estar chorando por nós mesmos, e principalmente, pelo que permitimos que fizessem com aquilo que damos o nome de amor!

Demos tudo! Carinho, colo, ombro, respeito, verdade, amizade, cumplicidade, sinceridade, fidelidade, e tudo mais que um ser humano quando ama é capaz de doar. E o que recebemos? Desprezo, mentira, abandono, traição, e tudo aquilo que dói em nosso coração. Amar é isso? Não, amar não é sofrer, se sofremos pode ser aquilo que insistimos em chamar de amor, ou o que pensamos que era amor, mas com certeza não é amor. Mas o que é então? É nossa necessidade em sermos amados, aceitos, aprovados, reconhecidos. É uma enorme necessidade que o nosso vazio seja preenchido com aquilo que não nos sentimos capazes de nos dar. É uma carência da ausência, antes de tudo, de nós mesmos.

Quando sentimos dor é porque de alguma forma resistimos às mudanças, preferimos amar o outro, mesmo que tenha nos deixado, a ter que amar a nós mesmos e assim, sofremos. Se não podemos modificar alguém, nem torná-lo naquilo que gostaríamos, por que não começamos as mudanças dentro de nós? Por que continuar querendo se aproximar de quem se foi e se manter tão distante de si mesmo? Por que ficar esperando pelo amor do outro, quando há tanto amor dentro de si? Será que esse não é o momento de descobrir suas próprias verdades, satisfazer suas próprias necessidades, ouvir seu próprio coração e deixar que ele fale o que significa realmente amar?"
Autor desconhecido
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domingo, 31 de dezembro de 2017

Como fazer uma reflexão de final de ano saudável


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Analisar o ano que passou e se preparar para o próximo é um hábito benéfico para a saúde emocional e física.

Geralmente no final de um ano completa-se um ciclo, e naturalmente ficamos felizes por termos vencido mais uma etapa e temos "esperança" que o próximo ano nos reserve sempre dias melhores. Essa expectativa de felicidade foi construída desde o homem primitivo com a finalidade de aumentar nossas chances de sobreviver. Os rituais de final de um ciclo, ou de final de ano, são muito antigos na história humana. O nosso cérebro tem processos automáticos que rejeitam o sofrimento de dor e buscam o prazer.

Nos sentirmos felizes ou termos tal expectativa faz com que depositemos esse desejo no próximo ciclo. Segundo disse o psicólogo e escritor americano Robert Wright, num artigo escrito para a revista Time: "As leis que governam a felicidade não foram desenhadas para nosso bem-estar psicológico, mas para aumentar as chances de sobrevivência dos nossos genes a longo prazo". Logo, o final de ano é um destes momentos de reforço da alegria e de reforço da esperança.

A felicidade não é, portanto, um momento mas sim a consequência de nossa forma de viver ou de enfrentar a vida

No final de um ciclo geralmente fazemos um "fechamento de contas", um "balanço", daquilo que nos havíamos proposto e não conseguimos, o que queríamos e não alcançamos, o que tínhamos e perdemos - inclusive entes queridos. Então, devido a diversos motivos, nesta época também existe uma cobrança excessiva, acompanhada de frustração e sensação de fracasso. Há muitos que se sentem solitários, angustiados, deprimidos e com uma falsa sensação de que todos demais estão felizes. Além disso, este "clima artificial" de alegria exagerada no final do ano pode ser extremamente enganoso e é em grande parte criado pela sociedade de consumo. Comemorações, festas nas empresas, festas com amigos, festa com parentes, presentes e presentes, viagens, gastos... Deixar-se levar por este clima de alegria artificial não é saudável.

Não leve um saldo negativo para o próximo ano
Recomendo a meus pacientes para não acumularem assuntos não resolvidos deixando-os para um outro momento. Temos que tentar resolver as dificuldades a cada dia, pois se não o fizermos corremos o risco de no final do ano eles pesarem muito mais na balança que os assuntos bem resolvidos.

Os planos que não deram certo devem ser revistos de maneira tranquila, com o objetivo de identificar as falhas e não de se culpar. Uma vez identificadas as falhas, busque uma solução, que pode ser inclusive um pedido de ajuda para outra pessoa ou para um grupo, ou, até mesmo, a modificação do objetivo original.

Permita-se ser feliz, independente da época do ano
É muito comum que as pessoas se façam perguntas ao refletir sobre o ano que passou. Acredito que não é possível montar um roteiro de como deve ser esse questionamento interior, pois esta é uma questão muito pessoal. Mas creio ser importante que ela pergunte para si mesma se conseguiu ser feliz.

Um caminho para uma reflexão honesta de fim de ano, assim como os planos para o próximo período, é procurar ser feliz não só nesta época de fim de ano, mas sempre. A pesquisa interior que cada indivíduo pode e deve fazer para buscar ser feliz, e para tal primeiramente consigo próprio, com os que o rodeiam, trabalhando as perdas e dificuldades e transformando-as em lições e crescimento pessoal.

Mas, atenção, é importante não ter a presunção de querer definir o que é felicidade. Gosto da ideia compartilhada por alguns pesquisadores que colocam a felicidade como a soma de três pilares: prazer, envolvimento e significado. Vamos analisar um pouco melhor estes três pontos:

Prazer: pode parecer simplista analisar o prazer, mas ele tem diversas dimensões. A primeira lembrança que normalmente se evoca em relação ao prazer se relaciona ao prazer físico, ligado à satisfação dos instintos. Algumas pessoas, inclusive, priorizam até doentiamente esta forma de prazer - que não é somente o sexual. Contudo, existem outras dimensões do prazer, pois não somos somente um "hominis natura", ou seja, não somos somente instinto. O prazer também tem outras dimensões, como a dimensão afetiva demonstrada no afeto ou no amor aos filhos, afeto ao companheiro(a), afeto aos necessitados (que é um amor altruísta) etc.

Envolvimento: esse conceito seria o equivalente a "participar intensamente de determinado objetivo". Há pessoas que apresentam uma facilidade natural em se envolverem ou "darem tudo de si" em determinada ou até mesmo em qualquer atividade. Vivem de uma maneira extremamente intensa empenhando uma energia que parece ser inesgotável. Sobre este assunto, a pesquisadora I. Pollard estudou a atividade cerebral de monges em estado de meditação através de Pet Scan e verificou que áreas cerebrais específicas se tornavam iluminadas ao Scan quando os Monges atingiam o estado de Bondade Universal ou Alegria Plena, que é o que eles estavam buscando. Neste estado eles estão tão absortos que não percebem o mundo exterior e perdem a noção de tempo. Este estado também pode ocorrer de maneira menos intensa nas situações de grande envolvimento, e mesmo em situações comuns como tocar um instrumento, pintar um quadro, realizar uma pesquisa científica e fazer uma oração.

Significado: desde os tempos antigos, o ser humano procura através da religião respostas para o significado da existência. Segundo o sociólogo e filósofo francês David E. Durkheim, no homem primitivo havia uma noção não muito precisa de que existia algo superior à individualidade. Esta coisa seria a força da sociedade anterior, que sobrevivia e à qual, sem saber, rendiam culto. Se o termo for tomado num sentido amplo, pode-se compreender que esta força era o deus adorado em cada culto totêmico. Posteriormente a noção primitiva, a concepção de divindade evolui com a própria evolução do ser humano chegando-se às Cosmovisões atuais oferecidas pelas principais religiões. Mas a religião oferece muito mais do que respostas quanto ao significado da existência. Diversas pesquisas demonstram o poder benéfico da religião na vida das pessoas, como um estudo publicado por Jeff Levin, um epidemiologista da religião, que apresentou os seguintes resultados: as pessoas que assistem regularmente a serviços religiosos têm taxas mais baixas de doenças e de mortalidade do que aquelas que não frequentam regularmente esses serviços ou que não os assistem e as pessoas que relatam uma afiliação religiosa apresentam taxas mais baixas de doenças cardíacas, câncer e hipertensão, que são as três principais causas de morte nos Estados Unidos.

O significado da vida pode também ser buscado por outros caminhos. O filósofo alemão Martin Heidegger enfatiza o processo ou mecanismo de "afastar-se de si próprio", que é feito imperceptivelmente quando somos contaminados em nossa essência por valores, verdades, desejos e necessidades que não são nossos, e em determinado momento não conseguimos mais nos reconhecer e perdemos o nosso significado. Este mecanismo, infelizmente, é muito utilizado na sociedade de consumo atual. O psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung, que fundou a psicologia analítica, nos aponta outro caminho, o de nos "apoderarmos de nós mesmos", nos tornarmos pessoa. Naturalmente não utilizei os termos filosóficos em Heidegger, nem os psicoanalíticos em Jung, apenas quis transmitir a ideia de buscarmos sempre a nós mesmos, termos um encontro feliz conosco.

Tente encontrar um equilíbrio
A mensagem que deixo para o início de ano, é o desejo que alcancem o equilíbrio destes três pontos: o prazer que não escraviza, ao contrário delicia; o envolvimento que não esgota, mas energiza; e o significado da existência que nos tira das trevas, e como a luz nos ilumina o caminho.
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Psiquiatria - CRM 31656/SP
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A chegada do final do ano nos convida a refletir sobre o período que se passou e o que está por vir.

Este é o momento de repensar a própria vida e avaliar os pontos que desejamos mudar no ano que se inicia. Este processo de reflexão possibilita que o indivíduo se reorganize para desfrutar de maior equilíbrio nesta nova etapa que está por vir.

Quando se deseja repensar a própria vida muitos fatores podem ser considerados, mas há três áreas de grande importância: vida afetiva, vida profissional e relação consigo mesmo. A análise da vida afetiva e familiar nos leva a considerar a qualidade das relações que estabelecemos com aqueles que nos cerca.

Cabe ainda avaliar a relação que você estabelece consigo próprio. Você está satisfeito com a pessoa que é? Quais são suas maiores virtudes? Quais defeitos você deseja superar? Como sua aparência física te faz sentir? Você deseja alterar sua imagem atual? Quais fatores têm dificultado para que você alcance as transformações que deseja? Estas perguntas permitem que a pessoa reflita sobre seus hábitos e se esforce para alterar as atitudes que lhe tem trazido sofrimento.

Por fim, o final do ano propicia que o indivíduo reavalie seus projetos pessoais e que busque as transformações almejadas. Reconhecer a necessidade de mudança e acreditar na capacidade de alcançá-la é um grande passo para que se possa viver de forma mais satisfatória no ano vindouro.
Meu imenso abraço à todos vocês!
Gratidão
Tais