domingo, 15 de abril de 2018

Constelação Familiar - Preciso pagar pelos erros dos antigos (antepassados)?

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"Na orquestra aquele que toca sax faz o que o flautista não poderá fazer. Aquele que toca o bumbo arranja um pouco daquilo que o violinista não aplicará. Aquele que executa o cello produz um som que o maestro não poderá replicar.

Na teoria dos sistemas também é assim. O indivíduo está a serviço do todo e não o inverso.

Para nós, nascidos sob a influência da filosofia moderna (que ensina o individualismo), pensar-se como sistema soa injusto e pesado.

Como assim continuar o que as gerações passadas deixaram de fazer? Como assim sermos influenciados por outros ciclos de vida?

Quando herdamos uma orquestra de sucesso a gente sorri e toma os aplausos pessoalmente (tipo, sou foda); mas quando alguém da banda desafina uns acordes e expõe o grupo todo a gente corre pra justificar: não fui eu.

Quem sabe está na hora de criarmos coragem e assumirmos TUDO o que vem do nosso Sistema?

Não apenas tomar os créditos nos momentos de sucesso, mas sobretudo dar a outros os créditos nos instantes de fracasso (tipo: é nóis, tamo junto).

Sem apontar nem pra esquerda e nem pra direita, será que a gente consegue?

É só ir dizendo: como foi está tudo ok pra mim! Não há erros, há aprendizado."
Isabela Couto | Psicanalista
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Aqui talvez seja interessante compreendermos o que é um SISTEMA, termo amplamente usado quando fala-se em constelações familiares/ organizacionais , ou terapia de família.

A Teoria geral de sistemas tem por objetivo uma análise da natureza dos sistemas e da inter relação entre eles em diferentes espaços, assim como a inter relação de suas partes. 

Um SISTEMA , ou seja, uma união de várias partes, é formado de componentes ou elementos. Quando existe apenas um componente individual ele é chamado de elemento único (cliente e sua dificuldade), quando estes elementos únicos se inter relacionam ( família, empresa, grupos), eles são chamados de componentes, e quando estes componentes se inter relacionam com elementos únicos, eles são chamados de componentes gerais. 

Um sistema não vive isolado, ele é sempre parte de um todo. Ele é geral para as partes que o compõe e e´parte da composição de outro sistema mais geral de um todo.

Todas as partes de um sistema estão inter relacionadas dando suporte para a integridade deste.
As inter relações entre as partes dos sistemas e entre estes, podem ocorrer de maneira ordenada ou desordenada (incerta).

O potencial total de um sistema (família atual, por exemplo) é a soma dos potenciais de cada parte do sistema (antepassados familiares).

Ter noções sobre a Teoria geral de sistemas pode nos ajudar a entender a inter relação existente entre o sistema humano, bem como as inter relações existentes dentro cada um destes sistemas e suas interações. 
No texto acima, da Isabela Couto, a ênfase está na aceitação daquilo que aconteceu antes ( no sistema familiar), independente de ser algo positivo ou negativo para o sistema atual . A partir do momento onde compreendemos que tudo que aconteceu antes de nós - na família - foi necessário para que estarmos aqui e agora. Desta forma, seremos liberados para vivenciar, da melhor forma, tudo o que há neste momento em nosso contexto...

O alívio será imediato , na mesma proporção de nossa compreensão / aceitação .

O conhecimento da causa dos " problemas" nas famílias e de seu alívio provêm das constelações familiares. Através dela foi possível entender que muitas dificuldades estão relacionadas com problemas familiares não solucionados e com emaranhamentos nos destinos de outros membros da família.

Espero ter esclarecido um pouco sobre os sistemas que nos fazem ser aquilo que somos hoje, assim como a compreensão de que "quanto mais aceitamos e abraçamos as nossas origens, melhor fluiremos na vida"!
Boa semana.
Tais

domingo, 8 de abril de 2018

A má e a boa consciência nas Constelações Familiares

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"Ao ver o filme Nise - O coração da loucura, fui impactada. De um lado, com a crueza de certos médicos, no trato com o emocional insondável das enfermidades psíquicas, e por outro, pelo olhar futurista, sensível e clarividente da médica Nise, que trouxe ao ambiente repulsivo e nauseante de um hospital psiquiátrico, uma nova perspectiva de tratamentos pela terapia ocupacional : oferecer ao cliente um ambiente de expressão artística com a mínima interferência

A proposta inovadora de Nise (discípula de Jung - que em suas cartas se referia a ela como homem) era que a partir da manifestação artística do doente, fosse sendo contada uma história, sua trajetória de dor e de perdas, ou então que a tinta e o barro fossem veículos para que o inconsciente trabalhasse e liberasse suas  memórias de dor ( Imagens do Inconsciente, como foi conhecido o trabalho de Nise).

Nise exerceu a má consciência.

Bert Hellinger, nas constelações familiares, trouxe o conceito do que chamou de má consciência em paralelo a boa consciência.

A boa consciência é o lugar conhecido, são as velhas verdades. A má consciência é o novo, as novas verdades.

"A verdade que nos faz progredir é ousada e nova, pois oculta o seu fim, como a semente oculta a árvore. Só sobre as verdades velhas é que sabemos muitas coisas."

Quando estou na boa consciência, eu PERTENÇO ao meu sistema familiar, e mesmo de maneira inconsciente, eu completo meu clã familiar, e envolvido pelo medo de que este sistema se rompa, eu ocupo, por vezes, o lugar do outro, me substituindo ao seu destino. E como tenho medo, quero "consertar as coisas", então preciso me assegurar quanto ao que vai acontecer, assim, por vezes, tenho premonições, prognósticos de fatalidades futuras.

Quando adentro a má consciência, estou em outra dimensão, que não tem a ver com a informação conhecida da boa consciência, olhamos para uma informação que não estava presente (imergimos no campo quântico), pois aqui na nova consciência, a incerteza e a indeterminação são suas característica principais. 

Na boa consciência, o padrão familiar nutre meus comportamentos, e é neste campo que me capacito, desenvolvo competências, mas também de forma automática reproduzo condicionamentos familiares, pois aqui o amor é cego ( "eu por você", " eu no seu lugar", ¨faço isso por você")

Na má consciência a partir do antigo conhecimento, me lanço às possibilidades, a quais possibilidades? Não sabemos !! É uma surpresa!! Como estamos no campo das incertezas posso experienciar : "isso ou algo ainda melhor"!

Na má consciência o Amor é claro, não ocupo o lugar do outro, porque NÃO CUMPRO AS EXPECTATIVAS, - "Não sou a mãe ideal". E sim - " Sou a melhor mãe pra você

Na boa consciência, podemos estar retidos no mundo das ilusões, da fantasia, - só olho o que falta, - quando adentramos na má consciência, permitimos que a natureza dos sonhos se cumpram, não as ilusões, e por quê se cumprem? PORQUE NA MÁ CONSCIÊNCIA NÃO QUEREMOS CONSERTAR NADA. 

Assim como ocorreu no filme, Nise traz para seu ambiente algo novo, rechaçado por seus pares, que pediam a ela a confirmação de que seu método sim, traria certa e determinada cura, contudo, como Nise estava no campo da CONTINUIDADE, não podia dizer qual seria seu desfecho, se essa seria A solução, mas que já se sabia que a abordagem daquela terapia artística trazia um novo estado espiritual ao paciente.

Muitas vezes, quando nós trazemos aos nossos pares algo, a partir de uma outra consciência, também somos incompreendidos e, até mesmo segregados, por confrontarmos a boa consciência, que se quer ver protegida.

Então... teríamos que romper com a boa consciência pra adentrar as novas possibilidades?

Não!

Graças a boa consciência, sobrevivemos como espécie, pertencemos a um sistema familiar e, é a ela que sempre retornamos, pois é nossa origem, nosso berço.

Quando tomo tudo que veio, como herança, destino, a partir da boa consciência, posso adentrar a má consciência, e encarar a REALIDADE, diluindo as ilusões. 

E neste autoconhecimento, minha visão de mundo e meus atos ganham outra seriedade e uma força nova.

Sofremos tanto com as ilusões ( e as desilusões), com os prognósticos de perda, com o excessivo controle, que nos segmentamos, nos polarizamos.

Muitas vezes optamos romper com a família, com pessoas ou com o passado, procurando a nova consciência, e acabamos por "cair" no mesmo círculo vicioso de conhecidos padrões e condicionamentos que tanto queremos negar.

Somar a má consciência à boa consciência. Não excluir.

Não é estático, é um movimento de ir e vir - inspirar (boa consciência), expirar (má consciência). Como um oito deitado, no fluxo de um movimento.

E nesse passo não ajo apenas compulsivamente, passo a saber o que fazer, a partir de uma intuição, e não me movo mais apenas por um sentido premonitório, medroso.

E no dizer de Nise da Silveira - " As coisas não são ultrapassadas facilmente, são transformadas."

Para que as transformações aconteçam, não preciso escolher um lado, com se o outro fosse o errado, necessário se faz integrar a boa e a má consciência, como um caudaloso rio que recebe sua força de seus afluentes. 

E imaginando que a própria Nise já conhecesse intuitivamente a amplitude dessas duas consciências, termino este texto com palavras dela, ditas nos últimos anos de vida:

" Há mil modos de pertencer à vida, e de lutar pela sua época."

* este texto foi concebido a partir de leituras de livros de Bert Hellinger, e de seminários de formação em Constelação Familiar na Hellinger Schulle, bem como pela pesquisa da biografia de Nise da Silveira, e do filme - Nise - no coração da loucura.

Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada!!"

Paula Tyminski
Fonte - https://www.constelareviver.com
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Essas duas consciências nos acompanham o tempo todo...como?
A consciência é vivenciada por nós como um sentido através do qual percebemos se pertencemos ou não , ao nosso sistema familiar (por exemplo). É como um senso de equilíbrio: logo que perdemos o equilíbrio, a sensação de tontura toma conta, e faz com que retomemos, imediatamente, a nossa postura, para voltarmos novamente ao equilíbrio e nos sentirmos firme.
Essas consciências ( a boa e a má), atuam de forma semelhante, compondo a nossa consciência pessoal.
Logo, assim que percebemos que nos desviamos daquilo que é válido para nosso sistema familiar, ou seja, praticamos atos que podem colocar em perigo nosso "pertencer" , sentimos a consciência pesada. A consciência pesada é tão desagradável que faz com que se mude o comportamento de tal forma que possa pertencer novamente.
Não podemos rechaçar nossa família... assim sendo, podemos "tomar", guardar no coração , com respeito, tudo aquilo que veio antes e seguir! 
Podemos  sim seguir de maneira a proporcionar mudanças em nossa maneira "de ser", transformando o que recebemos e agregando novas maneiras de ser.
"Quando tomo tudo que veio, como herança, destino, a partir da boa consciência, posso adentrar a má consciência, e encarar a REALIDADE, diluindo as ilusões. "
Boa semana com as más consciências... e as boas também!!!!!
Tais

domingo, 1 de abril de 2018

Visão de Bert Hellinger sobre Renovação e Páscoa



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Compartilho este lindo texto de Bert Hellinger traduzido pelo Psicólogo Rene SCHUBERT.


"Liberto


“Liberto do gelo são rios e riachos” são as palavras no Fausto, de Goethe, quando o estudioso passeia com seu assistente num sol de primavera. Quando nos sentimos libertos, inspiramos e sentimo-nos pertencentes a tudo, vinculados a tudo, como se fôssemos todos Um. 


Finalmente o gelo que mantinha nossos relacionamentos congelados, degelou. O fluxo do respeito mutuo e o ir e vir de nosso Amor pode novamente fluir. O que, acima de tudo, desfaz o gelo? O sol e o calor, sua luz mais quente. 


O que acima de tudo, permite que nossos relacionamentos congelados possam fluir novamente? É o amor mutuo. 


Sentimos seu livre fluir em cada célula de nosso corpo. Sentimos no brilho de nossos olhos e no abrir dos braços. Sentimos nos passos que caminham para estar juntos. Deixa o passado para trás. 


O que deixava ou deixa nosso amor congelar-se? 


É aquela assim chamada Culpa. 


Outros nos fizeram algo errado e nos o fizemos a alguém. Então irrompeu entre nós o congelamento. De certa forma tal se aplica a nossa relação com Deus, para aquele Deus punitivo, a quem a nossa Culpa pedia expiação, um terrível castigo. 


Embora os cristãos redimidos pela morte de Jesus na cruz devam verificar: num grau mais elevado o gelo entre eles e aquele deus foi realmente quebrado com esta expiação? *Mantém-se ante Ele de forma reverenciada e humilde e batem-se no peito com confissão: “Por minha culpa, por minha máxima culpa”?


 Não seria necessário outra Páscoa e outro passeio de Páscoa para nos deixar respirar livremente? 


Não seria preciso o sol e o calor deste para se ter outra imagem de Deus? 


Que imagem seria esta? 


A imagem daquele Deus Criador, que diz, em cada momento, "Eis que faço tudo Novo." 


Como? Com o amor que abraça todos igualmente, todos, inclusive os chamados pecadores.


O que fizeram os cristãos e com eles muitas outras pessoas, a este Deus, levando-o as profundezas com seus pensamentos de Culpa e Expiação, como se a Culpa não fosse também uma força criadora, que no fim nos empurra e conduz a um outro amor? Sem expiação? Sem a associação expiatória da autodestruição, da destruição de outros e finalmente a destruição da criação? 


Onde fica aqui o Sol? 


Onde fica o seu calor gerador de vida? 


Onde fica aqui aquele poder criador, ante o qual nada pode existir que lhe enfrente, nem culpa, nem expiação? 


Então é preferível que façamos nosso passeio de Páscoa de forma diferente, libertando nosso coração do gelo, do gelo desta imagem de Deus, que congelou o nosso amor? 


E Tal Origem Criadora - faz cada sentido indigno, aquele poder, de onde tudo provem, tal como é?


Libertados deste Gelo, nossos corações batem mais forte. 


Como? 


Com uma nova imagem do Amor de Deus, com um novo Amor para nós mesmos, e para todos os demais, libertos do gelo de qualquer culpa e expiação ." 
Bert Hellinger
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Desejo uma Feliz Páscoa de renovações na família, no amor, na vida!
Tais