domingo, 17 de setembro de 2017

O perdão como repressão, já pensou nisso?


Você já foi cobrado para perdoar quem lhe fez sofrer? Ou é você mesmo que se cobra? Não estou dizendo de uma simples briga de namorados, briga entre irmãos, ou qualquer outro conflito que possa acontecer, que também pode trazer dor e sofrimento; me refiro a dores geradas por abusos físicos, emocionais e sexuais de quando ainda éramos crianças.

Muitas crianças sofrem abusos, e enquanto sentem suas dores, todo o seu ser quer gritar a sua raiva, expressar sua revolta e pedir ajuda, mas não consegue. Tenta apagar, apagar completamente de sua memória tudo o que foi infligido, a banir de sua consciência a sua revolta, raiva, medo, sofrendo o intolerável, mas também não consegue. Crianças abusadas sofrem em silêncio porque quase sempre são ameaçadas, e no silêncio de suas dores reprimidas, sem terem com quem contar e receber apoio, também sentem culpa por tudo que lhes acontece. Algumas crianças se fecham em verdadeiros casulos, outras se tornam rebeldes, e outras adoecem, não porque assim o querem, mas com a intenção de serem ouvidas em seu jeito particular de se expressarem. Os anos passam e essas dores vão sendo reprimidas, pois a criança não tem nenhum tipo de estrutura para se defender. E nem encontram que as defenda, lamentavelmente.

Quando todas as tentativas de encontrar quem possa entender as expressões de suas dores, não tiveram sucesso, tenta ser ouvido pela linguagem dos sintomas, doenças, dores sem causa. Alguns esquecem, mas quando adultos podem ter suas lembranças trazidas por sonhos ou sintomas, fazendo com que aquelas cenas de horror se tornem novamente presentes. Agora adulta, começa a suspeitar que a causa de seu sofrimento de toda sua vida pode estar relacionada a sua infância.

Entre os sobreviventes de tal tortura, encontramos dentro de cada adulto uma criança que continua a viver na escuridão do medo, repressão, ameaça. Sentem-se ainda, enganadas em seu amor e confiança, violadas em sua dor, humilhadas, pois foram maltratadas por aqueles a quem espera-se receber amor. Difícil suportar tudo sozinha, mas em quem confiar?

Quando conseguem ter coragem para contar os abusos sofridos para aqueles que deveriam ter lhes defendido (mãe, tios, primos) quando crianças, são cobrados que devem perdoar, e que continuem a convivência. Sim, é muito comum mães pedirem isso!!! Ouço constantemente relatos de pessoas que foram abusadas sexualmente quando crianças, a maioria pelo próprio pai, que devem “perdoar”. Em geral essa cobrança é feita pela própria mãe, que quase sempre tem muitos motivos para tal pedido: manter a “família unida”, medo de ficar sozinha, dependência financeira e/ou emocional, enfim, sempre existe algum interesse próprio para que sua filha perdoe o que o marido fez, em prol da “ilusória família”. Ilusória, por que, como uma mãe pode acreditar que é possível continuar existindo uma família, como se nada tivesse acontecido, depois de saber que sua filha foi cruelmente abusada? Como pode ser possível continuar a conviver com o abusador como se nada tivesse acontecido? Perdoar??!!! Parece absurdo para quem não vive essa realidade, mas é mais comum do que podemos imaginar.

Conscientes ou não dos abusos sofridos, as sequelas se fazem presentes, lamentavelmente, ou sabiamente, por que é isso que muitas vezes faz com que, já adulta, procure ajuda de um psicólogo para acompanhar os passos desta dolorosa exploração. Quando supreendentemente, no ambiente psicoterapêutico, ouvem sobre a necessidade do perdão como condição para a cura. É comum esses sobreviventes, ouvirem: “você não pode ser curado até que tenha perdoado seus pais por tudo que te fizeram. Embora seu pai era alcoólatra, abusou de você, bateu, xingou, humilhou, abusou sexualmente, ou te fez roubar, causando sofrimento além do que você podia suportar – ainda assim você deve perdoá-lo, caso contrário você não será capaz de se curar”. Ou ainda: “se você não perdoar sua mãe, ou pai, você nunca vai perdoar a si mesmo, nem se curar”. Como assim? Em vez de ajudar o paciente a se livrar dos sentimentos de culpa que já carrega – que deve ser o papel da psicoterapia ou análise – um requisito adicional lhe é imposto, reforçando seu sentimento de culpa, que já é imenso.

Sim, muitos programas, e até “profissionais”, dizem que você tem que submeter-se ao “perdão”, supostamente necessário para a cura. Não acredite nisso! Atolados no sistema educacional, em vez de ajudar o paciente a se livrar das consequências do trauma, eles oferecem-lhe a moralidade tradicional. Quando um “profissional” diz que a cura emocional se alcança com o perdão, na verdade está retraumatizando aquele que o procurou, com mais culpa, além do que já carrega por tudo que passou e teve que reprimir por anos, pois dificilmente quem sofreu algum tipo de abuso consegue perdoar, e não conseguindo, sentirá mais culpa ainda, como se fosse incapaz de tal ato.

Qualquer tipo de abuso, seja físico, emocional ou sexual, deixa marcas, dores, e muitas sequelas. E qual direito alguém tem para pedir que a vítima perdoe quem a abusou e, inclusive continue a conviver com o abusador? Quando são os pais ou familiares que pedem – ou impõem – o perdão, posso até entender, porque é assim que aprendemos, são crenças difíceis de serem atualizadas, mas é inadmissível quando isso vem de profissionais da saúde mental que agem como se fossem verdadeiros sacerdotes, sendo que estamos longe desse papel.

O perdão pode sim ser exercido por qualquer pessoa, como uma escolha de acordo com sua prática religiosa, e cabe a cada um avaliar de acordo com suas crenças, que não cabe no ambiente psicoterapêutico, a não ser que seja trazido pela própria pessoa, e nunca sugerido pelo profissional.

O perdão não elimina o ódio e a raiva natural de quem foi abusado e sofre por muitos anos calado em sua dor. Todas as engrenagens da máquina do perdão, podem funcionar quase que perfeitamente – mas à custa da verdade. É um modo sutil de dizer: “não leve isso adiante, continue a reprimir o que você levou anos para conseguir expressar”, como se as próprias sequelas de qualquer abuso não insistissem em se fazer presente, muitas vezes, mesmo depois de muitos anos do abuso sofrido.

Pedir que se perdoe quem lhe causou – e ainda causa – tanto sofrimento, quando exigido por familiares ou “profissionais”, como único caminho da cura, é o mesmo que pedir para que continue a negar a verdade, vindo na direção oposta do que tanto lutamos para que cada sobrevivente consiga: ter suas dores validadas, e isso só se consegue com a verdade, pois sabemos que é só através da verdade que realmente começamos o processo de cura.

Há muitas outras situações em que o perdão é colocado como único caminho para a cura. Mas será mesmo? É possível pedir para alguém perdoar o pai, tio ou quem seja, que lhe abusou sexualmente durante toda sua infância? E agora adulta não consegue ter nenhum relacionamento amoroso por causa disso? É possível pedir que se perdoe uma mãe que durante anos rejeitou sua filha, a humilhou, bateu, gritou, ofendeu, comprometendo assim toda sua vida? Há muitos outros casos, infelizmente, mas só quem passou por abusos em seus primeiros anos, sabe a dor que sentiram e as sequelas que carregam. Não seria muito mais honesto, deixarmos que cada adulto que sobreviveu a tantos abusos quando criança, seja livre para viver longe desses algozes, sem ser cobrado que os perdoem, como se o perdão fosse seu único caminho para a cura?

Alice Miller, lutadora incansável da importância de rompermos com o silêncio do sofrimento na infância, escreveu:

“… Apenas com a descoberta de sua própria verdade, no processo de terapia, passo a passo, sem uma falsa moral, pode parar essa ideologia desastrosa. Pois é somente com a sua própria verdade que homens e mulheres que sobreviveram ao abuso estarão livres de consequências. O esforço exigido pelo perdão está longe de sua verdade. Uma terapia eficaz deve trazer o paciente para acessar os seus sentimentos, porque só esse acesso lhe permitirá encontrar o seu caminho e ser autenticamente coerente com ele mesmo. Aplicações moralizantes só podem bloquear o acesso”.

E para completar ela ainda diz:

“As religiões podem exercer um enorme poder sobre nossas mentes e empurrar-nos em muitas maneiras de enganar a nós mesmos. Mas eles não têm a menor influência sobre nosso corpo, que conhece as nossas verdadeiras emoções, e insiste em que nós o respeitemos”.
Rosimeire Zago
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Para o trabalho em Constelação Familiar, segundo Bert Hellinger é diferente, segundo ele, nos não podemos perdoar. Pois quando nos colocamos no lugar de quem vai perdoar, nos colocamos acima do perdoado, gerando um desequilíbrio.
Hellinger diz: – Não temos esse direito e nem esse poder. É contrario as leis sistêmicas e a ordem do amor. Isso é uma postura arrogante de querermos perdoar o outro.
Esta é uma forma completamente diferente de qualquer outra doutrina filosófica, não melhor nem pior, é diferente. Por que isso?
Por que faz parte de um conjunto de “saberes”, um método de trabalho, onde as pessoas aprendem uma maneira de lidar com o Amor, e resulta numa maneira diferenciada de curar as feridas dos seus sistemas, isto é, dos relacionamentos.
Então, dentro das Constelações Familiares, para que a cura possa ser possível, olhamos para a pessoa que causamos dor e sofrimento e ao invés de dizer eu te perdôo, eu digo, olhando nos olhos:
– Eu sinto muito.
Ao olhar para a pessoa e dizer que sentimos muito, reconhecemos o nosso lugar na relação, oferecemos um espaço de igualdade, consideramos perante o outro que falhamos que assumimos isso, e que estamos nos submetendo a esse acerto de contas e levamos em consideração a pessoa e respeitamo-la, e deixamos com ela o tempo que for necessário para que a reparação possa se dar. Assim, a pessoa culpada, conserva a sua dignidade e tem oportunidade de sentir-se respeitada. E sem nenhuma cobrança. Deixamos livre.

Através dessa postura, quando sentimos muito, trazemos de volta para dentro de si a compreensão do que aconteceu, a responsabilidade do que aconteceu e ao mesmo tempo, deixamos o outro livre para aceitar ou não, nosso pedido de reparação.
Ocorre que, esse gesto de humildade, comove o outro e libera o amor da alma, que coloca em movimento “as forças curativas”, que possibilita: – que o que foi interrompido, volte a fluir…
É outro caminho.
Temos sempre que ter clareza do Sistema de Crenças ao qual estamos vinculados, e saber que em cada um deles existem regras e possibilidade de chegar ao Divino, pois, o amor que flui em nossos relacionamentos, significa o divino agindo em nós e a partir de nós, sendo o amor em ação.
Precisamos sempre avaliar se aquilo que temos como certo está realmente dando resultados.
Se não, podemos abrir novas possibilidades e experimentar outras formas.
Perdoar é uma difícil tarefa, exige de nós uma profunda reflexão.
Existem pessoas que perdoam com a mente, mas não com o coração.
Logo, o corpo adoece, como um sinal que “algo” não está tão bem conforme o esperado.
Fica aqui uma possibilidade de reflexão. Boa semana!
Taís

domingo, 10 de setembro de 2017

Você está vivendo um conflito e não sabe o que fazer?




Nem sempre sabemos o que fazer diante de algum conflito. Eu sempre gosto de lembrar que a maioria deles pode ser amenizado obtendo o autoconhecimento, que se consegue efetivamente com o processo da psicoterapia. E qual a diferença que isso faz na nossa vida? Toda! Só quem já passou pelo processo consegue avaliar.

Dificilmente conseguimos olhar para tudo que há dentro de nós sem auxílio de um profissional. Amigos podem ajudar? Claro que sim, mas cada um traz em si um histórico de vida, e quando contamos algo a alguém e nos é dado um conselho ou opinião, em geral essa resposta estará contaminada com o histórico da pessoa. Ou seja, aquilo que ela viveu irá interferir diretamente na opinião que irá lhe dar; diferente do profissional que não está lá para te dizer o quê ou como fazer, mas sim proporcionar uma maior reflexão de seus próprios sentimentos e atitudes. Quer um exemplo? Se você contar para um amigo uma briga que teve com sua mãe, irá ouvir algo relacionado com o referencial que seu amigo viveu durante a vida em relação à mãe dele. Raramente você irá ouvir como resposta algo que o faça refletir sobre seus próprios sentimentos. Ou ainda, irá ouvir um relato dos conflitos que essa pessoa está vivendo, e você com seus sentimentos será colocado de lado.

Outro fator importante é que na psicoterapia, dependendo da linha ou teoria do trabalho, é considerado não apenas o consciente, mas principalmente o inconsciente, onde está registrado tudo aquilo que viveu, e principalmente o que sente, desde a concepção até o momento presente. E muitas pessoas por não terem esse conhecimento acabam por limitar a percepção de si mesmas. Ou seja, para nos conhecermos devemos considerar também os aspectos inconscientes. O que raramente um amigo irá fazer. 

São os pensamentos que criam os sentimentos, que irão criar as atitudes (intenção) e comportamentos (ação). Mas tememos os sentimentos, fugimos deles, negamos senti-los e com isso, as dificuldades se somam. O fato de ignorarmos o que sentimos não faz com que desapareçam de dentro de nós, pelo contrário, tudo o que é negado se torna mais forte.

Quando reprimimos o que sentimos, estamos impedindo que a energia contida se manifeste e nos mantemos no mesmo padrão de comportamento, não permitindo que as mudanças, tão essencial ao crescimento, se efetuem. E com isso, seguimos a vida repetindo padrões. Ao refletir sobre sua vida poderá encontrar padrões de comportamentos e/ou sentimentos que se repetem. Muitas vezes as situações são diferentes, mas o sentimento despertado geralmente já é conhecido. Caso consiga identificar o sentimento que tem tido nas últimas semanas, poderá perceber que é um sentimento que o acompanha há muito tempo. 

Para que você possa se conhecer profundamente é necessário deixar que todas as emoções, e suas origens, se tornem conscientes. Sem fugas, que em geral acontecem de diversas maneiras, seja trabalhando em excesso, consumindo álcool, tendo compulsão por comida, compras, jogos, etc. Estamos constantemente ocupados com tantos afazeres, que sequer nos damos tempo para identificar o que sentimos. Tudo isso faz com que olhemos apenas para fora, e não para dentro de nós. Estamos sempre apagando incêndios e vivendo no automático, não nos damos tempo para ouvir aquilo que muitas vezes grita dentro de nós. É quando surgem doenças e sintomas, como que para nos fazer ouvir o que negamos. Se você deixasse que sua alma gritasse, o que ela diria? Ouça-a!

Também fugimos quando mantemos relações afetivas destrutivas. Ficamos tão atordoados tentando salvar a relação, com tantas brigas, insatisfações, desentendimentos, acusações, que nos sentimos sem condição de agir de forma a nos defender. Nossa capacidade para ter consciência de nosso valor parece ficar totalmente comprometida. É neste processo que nos perdemos de nós mesmos, e em vão passamos a procurar no outro a solução que está bem dentro de nós. É quando passamos a supervalorizar o outro na mesma proporção que nos desvalorizamos. O que por si só cria um círculo vicioso. Vemos o outro, ou queremos ver, como responsável por nosso sofrimento, e também, por nossa felicidade. E deixamos nossa vida nas mãos de alguém, que muitas vezes, não consegue cuidar nem da própria vida… quem dirá da nossa. E choramos, nos desesperamos, queremos respostas urgentes, mas sequer nos damos ao trabalho de nos questionar sobre as possíveis causas de nossos sentimentos, e sofrimento.

Diante de um conflito, o primeiro passo é identificar sentimentos

O que fazer diante dos conflitos? O primeiro passo é identificar seus sentimentos. Parece fácil, mas nem tanto. Para isso, escolha um local silencioso e tranquilo, perceba sua respiração e pergunte-se: “O que estou sentindo neste momento?” Nem sempre a resposta virá de imediato. Mas insista.Pergunte-se ainda: “o que está causando minha insatisfação?” (ou o que esteja sentindo…) Pergunte-se todos dos dias, ao menos uma vez por dia, qual o sentimento que está sentindo. Com certeza isso o ajudará a se conhecer um pouco mais. E o que fazer com o sentimento que identificou? Procure buscar a origem dele, em qual situação ele começou? Novamente, ouça a resposta. Exercite ouvir-se todos os dias, e assim conhecer um pouco mais de você, sem medos, mas com a convicção que dentro de você está a resposta que tanto busca! Ou poderá buscar um profissional qualificado que possa te ajudar nesse processo. O que não pode é manter esse sofrimento e dor.
Rosemeire Zago
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O conflito interno pode ser visto como uma maneira de expansão do nosso Eu, da nossa realização e aceitação, e através da observação dos impactos sobre as energias a nossa volta. O conflito, também, pode nos mostrar que há uma parte de nós que não está sendo ouvida por completo, sendo renegada.

Seu subconsciente é como uma criança: se não dada atenção suficiente, vai chamar sua atenção a qualquer custo. Reprimir seus sentimentos e partes de seu Eu pode manifestar o desejo de escape do seu próprio corpo, por conta desses sentimentos desconfortáveis.

Estamos sempre onde precisamos estar, o que significa que se você continuar persistindo no erro de não se autoconhecer, você não aprendeu o que deveria aprender nesta vida, e vai repetir um padrão, desperdiçando uma oportunidade de evolução. 
Reconheça o padrão de comportamento que você está levando e mude. Aprenda com os seus erros. Busque alternativas para conhecer-se. O mundo de hoje oferece muitas ferramentas de auto conhecimento...
É um processo normalmente que exige mudanças e sair da zona de conforto. Você quer mesmo compreender?
Se não existe o movimento de busca é porque precisa ficar um pouquinho mais na dor...

Quando você entender que a ideia de “estar fazendo tudo errado” pode lhe trazer experiência suficiente para uma nova vida e novas atitudes, aí você terá aprendido a lição! Se você causou algo ruim para alguém, tente tomar um cuidado especial daqui para frente. Concentre-se no problema afim de revertê-lo, e busque energias para isso. É hora de mudar e trabalhar ativamente na solução.

Na Constelação podemos "ver" onde estamos estacionados, emaranhados, através da Leis do Amor criadas por Bert Hellinger, e recebemos a oportunidade para compreender e transformar...mas também é preciso um querer verdadeiro.
Pense nisto e uma excelente semana.
Taís

domingo, 3 de setembro de 2017

Depressão, uma visão sistêmica

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Muitas pessoas têm depressão ou conhecem alguém que sofre com este sintoma. Os tratamentos convencionais normalmente são realizados à base de medicamentos, mesmo no caso de pessoas com acompanhamento psicoterápico. 

A abordagem sistêmica fenomenológica, método terapêutico criado pelo filósofo, psicologo e terapeuta Bert Hellinger, trás uma contribuição importante e inovadora para esta questão. 
Ao abordar o tema, em um texto elaborado pela psicologa e psicoterapeuta Brigitte Champetier des Ribes escreve sobre a depressão:"a princípio trata-se de um vazio devido a não querer/poder tomar um dos pais..."
Segundo ela, na visão sistêmica, este não querer / poder tomar a um dos pais normalmente é decorrência de um vinculo com um antepassado ou decorre de um trauma que bloqueou o acesso do filho aos pais. 
Pode ser também resultado de um movimento interrompido (ter sido separado da mãe ou do pai de pequeno). Quando os filhos não conseguem aceitar seus pais incondicionalmente e receber/tomar tudo que eles oferecem com amor e aceitação ficam com o sentimento de serem devedores e com o peso deste sentimento.
"Quem se sente endividado se defende do doador e dos seus presentes zangando-se com ele e uma das formas de expressar a zanga é através da reprovação, da agressividade e da critica/ julgamento ou através da depressão. 
A depressão imobiliza e deixa um vazio que substitui o tomar, o dar, o agradecer. Liberar o vinculo com o ancestral, ou possibilitar a superação do trauma ou do movimento interrompido são os movimentos que irão permitir uma mudança". 

Ao olhar para a depressão do filho de uma cliente numa sessão individual foi possível observar que ele estava vinculado a uma grande tragédia do sistema familiar, na qual se fazia presente um segredo. Ao se liberar deste vinculo o filho pode olhar para seu pai e toma-lo. No dia seguinte à consulta a cliente me relatou que ao chegar em casa à noite o filho ligou para ela convidando-a para jantar na casa dele e, de acordo com ela, se encontrava inusitadamente alegre e contente. Há tempos ela se queixava da agressividade e distanciamento do filho em relação a ela e de um estado de tristeza profunda. 
Também há um certo temor de que as pessoas com depressão possam recorrer ao suicídio caso os sintomas se intensifiquem. De acordo com Brigitte " Quem se suicida está totalmente preso ao passado, os vivos não tem nada com isto". 
Entre as dinâmicas sistêmicas por trás de um suicídio ela cita as seguintes: 
1- eu pago por você (um assassino que não assumiu o dano - um descendente tem que compensar com a própria morte este descendente - sente-se culpado sem saber  o porquê, e busca a morte como castigo); 
2- eu como você (por amor). Me suicido, como você. 
3- alguém quer morrer para seguir um ancestral na morte, um filho- por exemplo". 
Ainda de acordo com ela "as pessoas que tentam se suicidar várias vezes não querem se suicidar. Trata-se de um grito de socorro, uma chantagem emocional." 

Marcia Paciornik 
(Texto escrito com base no curso "Intrincacões Particulares" ministrado por Brigitte Champetier de Ribes) 
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Ser positivo é uma das atitudes que auxiliam para seguir o caminho do otimismo e da esperança. Isso porque, ainda que encare uma situação adversa, o otimista vê uma luz no fim do túnel e luta pela solução. E se, ainda assim, as coisas derem errado, ele até sofre, mas logo pensa que tudo vai melhorar. 
“Ser positivo permite lidar com o que não foi bom com tranquilidade, pois traz a convicção de que nada acontece por acaso”(coach Heloísa Capelas). 
Não é só isso: os momentos de contentamento dos otimistas tendem a durar mais, já que eles apreciam e desfrutam dessas vivências. Até a saúde dessa turma se beneficia: encarar a vida positivamente reduz a chance de desenvolver doenças cardiovasculares e reforça as defesas do corpo. “O nosso pensamento e as nossas crenças desencadeiam respostas fisiológicas. Enquanto o bom humor e o otimismo produzem serotonina, que gera bem- estar, o mau humor e o pessimismo estimulam o cortisol, hormônio do stress, que prejudica o sistema imunológico e pode elevar a pressão arterial” (neurocientista Jô Furlan).Portanto, adote uma postura positiva já!

Uma outra perspectiva é a forma como tomamos as adversidades: desmoronamos ou buscamos soluções? 
Tudo que é ruim em nossa vida tendemos a rechaçar... e, na verdade, acolher e aprender com ela é a grande sacada.
Como diz Sophie Hellinger:
Podemos olhar com bons olhos nossos inimigo e opositores. Por mais doloroso que seja, temos que lhes dizer, apenas internamente:
"Obrigada pelo sinal. Não chego a entender porque fez isto comigo, mas sei que você é um mensageiro e eu sou guiado, porque justamente tocastes meu ponto mais frágil, que tanto dói. Me dei conta de qual foi a sua intenção. Te agradeço e te libero de minha ira". Se essa pessoa se libera da minha ira, então assumo as consequências do meu comportamento.
Foi consumado o que ha muito tempo estava esperando este desenlace. Se não conseguimos isso, pronto chegará uma pessoa que nos proporcione um golpe ainda mais violento."
Boa semana
Tais