domingo, 10 de dezembro de 2017

Perder pais nos torna mais velhos.



"Minha mãe morreu. Repito a frase de Mersault sem a indiferença da personagem de Camus. Pelo contrário. O redemoinho de emoções foi inédito na minha vida. Uma dor psíquica e física, um encolhimento da percepção do mundo e fechamento em torno de uma cela de chumbo.

Eu havia sofrido muito, há sete anos, com a partida do meu pai. Meu coração sangrou por anos. O tempo fez a dor sair da posição de protagonista e aninhar-se nos bastidores. Ainda choro, especialmente quando leio uma carta dele ou vejo uma foto. Hoje meu pai dialoga comigo no silêncio e, de quando em vez, até sorrio pelas memórias.

A data do falecimento dele era o horizonte maior da minha possibilidade trágica. O gráfico acaba de se ampliar. Meu coração sangrou naquele dezembro de 2010. Agora perdi minha mãe. Parece que perdi o coração, que ele foi enterrado, que o próprio ato de sentir estava ligado a ela.

Revivo sensações antigas. Perder pais nos torna mais velhos. É, de fato, o início da vida adulta. Acabo de ficar órfão total. Não ser mais filho muda nossa posição na ordem do mundo. A fila andou. A quem recorrer com a certeza do amor incondicional?

Explico melhor. Nunca tive qualquer medo de morrer. Testei o princípio muitas vezes em acidentes e situações de risco. Parece-me natural encerrar a vida como ser biológico que sou. Um dia, meu diligente bisavô faleceu. Era um homem trabalhador e muito respeitado. Estudei-o na árvore genealógica da família, mas seu passamento há 85 anos não deixou rastros fora de arquivos e lápides.

Sei que a morte da minha mãe, a minha ou de qualquer pessoa passará por completo. Sempre entendi e aceitei o rito de Quarta-feira de Cinzas: sou pó e ao pó retornarei. Diria até que me conforta não ser imortal e, um dia, cansado, encerrar o combate. Já escrevi que a beleza da flor natural é seu caráter efêmero. A fealdade da rosa de plástico está na sua durabilidade e em sua tentativa de emular a vida pulsante. A flor artificial é um pastiche, pobre coitada. A vida eterna seria insuportável. Nunca tive medo da morte. Lembrando o bom Epicuro, preciso honestamente viver e honestamente morrer. De resto, nunca encontrarei a morte: enquanto eu for, ela não será, quando ela surgir eu deixarei de ser, dizia o filósofo em carta a Meneceu.

Sobre o que choro? A viagem no trem da vida está ficando com menos passageiros conhecidos. Os que embarcaram na mesma estação estão partindo. Os Karnais que vieram ao mundo na década de 1990 ou no século em curso têm sobrenome, genética, olhos, idiossincrasias e outras coisas absolutamente da família. Porém, pertencem a outro mundo, com outra história, e apresentam um futuro distinto. São hoje o que fui para meus tios e avós: sangue e sobrenome, mas extrato de outra cepa e broto de outra rama. Os jovens trazem vida, porém outra vida, desconhecida e nova, desligada dos liames geracionais da minha.

Reclamo dos lugares vazios no comboio biográfico. Sinto a força do nada que se amplia. Nunca mais abraçar minha mãe. Nunca mais! Que ideia avassaladora! O corvo de Poe abre a asa fúnebre da memória. O lugar dela à cabeceira da sala de jantar para sempre reclamará a ocupante usual. Parece que continuo a apresentar uma peça em um imenso palco e a cada ano sai alguém do elenco.

Tudo remete à memória dela. Estou escrevendo em uma cadeira de avião. Aos 4 anos, voei pela primeira vez, no colo de Dona Jacyr. Lembro-me perfeitamente da cena e tudo parecia seguro porque os olhos azuis de minha mãe sorriam. Antes, nada poderia me atingir, agora tudo pode. Fragilizei-me. Diminuí.

Quando as doenças tomaram minha mãe, nós a cercamos de cuidados intensos como ela sempre prodigalizara a todos. Os últimos anos foram felizes, entremeados pelo lobo sorrateiro da fragilidade física. Todos os sonhos foram cumpridos. Todos os destinos foram visitados. Como muitas mães, ela viu os filhos crescerem e acompanhou, emocionada, a chegada dos netos. Ela saiu deste mundo tendo experimentado a felicidade.

A lição é sempre a mesma: faça com seus pais em vida o que você deseja. Não aumente a dor da morte com a pungência do remorso. Só temos tempo hoje. Depois passa. Consegui dizer infinitas vezes que a amava. Alegro-me de ter demonstrado com meu coração, meu cérebro, meu tempo e minha carteira que ela era fundamental. Sem ao menos esse consolo, seria insuportável o momento. Na UTI, faltando poucas horas para o fim, pude enunciar as únicas coisas importantes: dizer obrigado e que eu também a amava.

Esta é uma coluna melancólica. Não poderia escrever outra agora. Sempre soube que o luto seria intenso porque celebrava o vivido entre nós. A dor da perda é a alegria da vida com sinal trocado. Muito amor gera também ausência que punge. Pior seria não ter amor a perder e nenhuma lembrança a celebrar. Nós superaremos a trilha escura porque Dona Jacyr Karnal criou filhos fortes. Nós continuaremos a andar no mundo. O sol surgirá sempre, indiferente a nossas tragédias pessoais. A noite cobrirá o que nos é caro. Entre um crepúsculo e outro, vivi o privilégio de ter minha mãe.

O desejo tradicional é equivocado: os mortos sempre repousam em paz. Nada mais os aflige. A paz é uma luta para os vivos. Espero reencontrar a minha. Bom domingo para todos que têm mães ao seu lado ou na memória.

Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo -03 Dezembro 2017
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Uma bela reflexão...
Bom dia!
Tais

domingo, 3 de dezembro de 2017

Como Ajudar? O posicionamento e o papel do terapeuta de Constelação Familiar.


Constelação Familiar é uma terapia breve criada pelo alemão Bert Hellinger nos anos 70. Esta técnica revolucionou o trabalho da psicoterapia. Ela se faz em apenas uma sessão, onde o cliente escolhe um tema a ser “trabalhado” e o terapeuta (Ajudante) através dos “representantes” (pessoas aleatórias que estão no grupo) monta o sistema familiar ancestral do cliente. Neste campo (onde é estabelecida a Constelação) observamos onde estão os “bloqueios” que estão impedindo o cliente a fluir. Os bloqueios sempre aparecem onde percebemos excluídos naquele sistema familiar. Entendemos como excluídos, pessoas que por um motivo ou por outro estão à margem deste sistema.

Neste artigo vamos nos deter a ver o papel do terapeuta numa Constelação Familiar.

Estamos numa profissão em que lidamos com o ser humano num processo de Ajuda, de colaboração ao outro; e muitas vezes nos pegamos num papel de achar que temos a resolução daquela problemática em nossas mãos, o que é um erro. Vejamos um trecho escrito pelo Bert Hellinger que nos mostra como o terapeuta de Constelação Familiar deveria se basear, chama-se, Sabedoria.

…O sábio concorda com o mundo tal como é,

Sem temor e sem intenção.
Está reconciliado com a efemeridade
E não almeja além daquilo que se dissipa com a morte
Conserva a orientação, porque está em harmonia,
E somente interfere o quanto a corrente da vida o exige.
Pode diferenciar entre:
É possível ou não, porque não tem intenções.
A sabedoria é o fruto de uma longa disciplina e exercício,
Mas aquele que a possui, a possui sem esforço.
Ela está sempre no caminho e chega à meta,
Não porque procura,
Mas porque cresce…”

Ajudar é uma arte que pode ser aprendida. Também faz parte dela uma sensibilidade para compreender aquele que procura ajuda, portanto a compreensão daquilo que lhe é adequado, daquilo que se ergue acima dele (o cliente) mesmo, para algo mais abrangente. Muitas vezes a solução de uma Constelação, e o processo de ajuda do terapeuta está na sabedoria de perceber o que é melhor e o que a “alma” está precisando ou necessitando como experiência.

Esta técnica serve à alma e não ao ego. Na maioria das vezes o que o cliente busca é muito mais profundo do que ele fala e pede. Na verdade, o terapeuta precisa aprender a desenvolver habilidades para conseguir entrar no campo da Constelação e ver e dar o que de fato àquela alma necessita.

Estas habilidades são descritas como:

Observação, percepção, compreensão, intuição e sintonia.

Observação: Olhar além do que está vendo, ver detalhes de forma aguçada e exata, onde nada escapa.

Percepção: Ela é distanciada do objeto de observação. Percebemos simultaneamente os detalhes e o conjunto. O terapeuta deve estar dentro do campo mas não envolvido com ele.

Compreensão: A compreensão necessita da observação e da percepção. Compreensão é entender não com a mente mas com a alma, com a essência, sem julgamento podemos mergulhar no essencial para o cliente.

Intuição: É quando nos abrimos para além da compreensão. É muitas vezes o que nos conduz para o próximo passo.

Sintonia: Ela é um nível de vibração, onde eu me “afino” com a vibração do cliente, e com tudo que vem dele, principalmente sua ancestralidade.

Para que aconteça o desenvolvimento de uma Constelação Familiar, o terapeuta além de necessitar se abrir para o desenvolvimento dessas habilidades descritas acima, ele deve respeitar ordens que o Bert Hellinger acredita que seja a base para o terapeuta de Constelação, o que ele denominou ordens da ajuda.

Ordens da ajuda são, portanto, leis ou princípios que devem presidir nossos comportamentos como terapeutas. São elas:

1º ordem: Dar apenas o que temos – Tomar aquilo que somente necessitamos. Não agir – Mostrar o que está ali.

2º ordem: Só ajudar quando o cliente permitir.

3º ordem: Se colocar no lugar de terapeuta e nunca dos pais do cliente. Dar aos pais do cliente, portanto, um lugar de respeito.

4º ordem: Não olhar só para o cliente, mas sim para todos, daquele sistema. O cliente não deve ser visto com um ser isolado.

5º ordem: Estar a serviço da reconciliação – Sobretudo com os pais.

Para isto o terapeuta necessita principalmente de romper com preconceitos, julgamentos, conceitos conhecidos e pré determinados, indignação moral em todos os níveis e condenação.

Isso faz você estar capacitado não só, para ser um terapeuta de Constelação para a ajuda, mas antes de tudo, um ser humano mais capacitado para a vida.
Celma Nunes Villa Verde Terapeuta de Constelação Familiar
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Você está pronto para as “Novas Constelações?”

"Numa “Constelação Familiar Tradicional”, o cliente escolhe um tema que esteja o afligindo naquele momento em sua vida, porém nas “Novas Constelações” não há um pedido, não necessitamos de um motivo aparente para constelar. Neste caso, o que é importante vem à luz. Assim, configuramos um representante para a pessoa (cliente) e vemos o que acontece, sem nenhuma palavra, estamos em outro nível dimensional, onde não queremos nada, onde não temos nenhuma intenção. Em pouco tempo tudo vem à luz e se torna claro, sem se falar nada. Chamamos de movimento das forças criadoras. Sem pergunta, sem objetivo, os representantes sendo levados para outro nível paradimensional. Quando o cliente está em paz, terminamos o trabalho sem dizer nada.

Para onde nos leva esta força? Para várias possibilidades.

Nas “Novas Constelações”, o problema principal que estava inconsciente para a pessoa, se revela, é trabalhado, e assim, ela pode seguir em frente.

A pergunta que cabe aqui é: o que acontece com o terapeuta? Como fica o ego do terapeuta diante da única verdade que é a de revelar o campo e se retirar, diante da impotência de tal revelação sem poder sequer traduzir esta imagem que se revela ali. Terá que estar muito maduro e muito à serviço de uma força maior.

E o cliente? Está pronto e maduro para se entregar a uma escolha desta?"                                                                  (Celma Nunes Villa Verde)

Nem sempre o terapeuta está pronto... mas tudo está certo! Cada um tem seu momento...assim como o cliente também sempre encontra o terapeuta que ele necessita.
Nesta seara o processo de auto conhecimento é uma premissa importantíssima para a qualificação do terapeuta, pois sem isso não partiremos para algo mais profundo.
Boa semana
Tais

domingo, 26 de novembro de 2017

Deixar ir é revolucionário.


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“Eu sofri por muitas catástrofes na minha vida, a maioria nunca aconteceu.“ A frase do escritor americano MarkTwain. Mas podia ser minha. Ou sua. Quanto ansiedade e sofrimento evitaríamos simplesmente nos livrando dos pensamentos que antecipam problemas e conflitos… Que nunca acontece. Ou, se acontecem, são menores e menos dramática do que suponhamos. Aquietar a turbulência mental deflagrada diante de uma situação difícil é uma das pequenas grandes revoluções pessoais que podemos fazer para viver e trabalhar melhor. Não é fácil calar a voz interna. Ou torná-la mais gentil. Trata-se, afinal, de um recurso de sobrevivência. O Homo Sapiens desenvolveu habilidades de associar eventos presentes e passadas para imaginar (e se precaver de) consequências futuras.

Na vida Moderna, a ferramenta de proteção da espécie virou combustível de ansiedade. No ambiente de trabalho, atinge principalmente as mulheres (que costumam ser implacáveis consigo mesmas) e é uma faísca para o bornout. “ Quando colocamos atenção no aqui agora, interrompemos a espiral dos pensamentos que ampliam atormenta emocional das situações difíceis e recuperamos a clareza para raciocinar” afirma a jornalista e criadora de um programa de Mindfulness , Regina Giannetti. Mindfulness, explica, “ É um estado de consciência que você se coloca quando observa a sua experiência com atenção plena“. Em outras palavras, é o que você sente ao focarem exatamente naquilo que está fazendo. “Imagine que cometeu um erro no trabalho“, diz Regina. “Nossa voz interna trata de antecipar arreveses — o desapontamento do chefe, perda de uma promoção o bônus, o dano na imagem etc“. A Escalada pode chegar até a demissão… Imaginária. “O melhor em interromper a progressão dos pensamentos. Não julga-los,não combatê-los, apenas deixá-los ir.” E voltar ao momento presente. “O que é possível fazer?“ Se a resposta for nada, que seja nada então, página virada.

Aprender a deixar ir a um poderoso antídoto ante-stress, necessária ambientes competitivos. Exige disciplina, comprometimento e Auto compaixão. A prática diária, baseada nos princípios milenários da meditação, consiste em parar, sentar, respirar e permanecer, Por certo tempo, como observador de si mesmo. Quanto mais nos dedicarmos a essa “malhação cerebral”, mas aprenderemos a identificar certos padrões. “Eu sempre penso nisso. E, por que reagiu assim?” “Porque tal pessoa ou situação me deixa nervosa?” Reconhecer modelos negativos é o primeiro passo para mandá-los. Nisso se funda a Neuro plasticidade, a capacidade da mente de se adaptar.

Um exemplo bem prático: se passou muito tempo com raiva ou medo, meu cérebro entende que a saia é super utilizada e, portanto, deve ser “abobada“. Em um processo chamado de poda sináptica, que acontece enquanto dormimos, a “jardinagem cerebral“ se encarrega de estimular as áreas que estamos usando ele reduzir as que entendi como “sem uso“. A poda não tem juízo de valor. Mas nossa consciência, sim. Ela nos leva a oportunidade de escolher como vamos nos comportar. Não é automático nem receita de bolo; é uma reflexão importante. Podemos optar para sofrer menos e trabalhar com mais leveza. E deixar ir o resto.
Cynthia Almeida-jornalista

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Chega a ser paradoxal...quando "solto" a pretensão tudo acontece.
Experimente aceitar tudo que é...como é...e sinta a delícia de poder desfrutar daquilo que nos cabe!
Todos viemos para servir á algo. A que sirvo? 
Para "ver e sentir" faz-se necessário soltar.
Boa semana
Taís

domingo, 19 de novembro de 2017

Sagrado e Profano


O mês de novembro traz um convite para penetrarmos nas entranhas de nossa humanidade. Não se deixe guiar pelo medo de sentir medo.

Até 22 de novembro estaremos sob influência do signo de escorpião, e além da presença do sol em Júpiter, Vênus também entra nessa constelação.Portanto, nesse ciclo vamos aprender a linguagem do oitavo signo zodiacal, que nos instiga a atravessar o estreito caminho entre o sagrado e o profano, e que ensina que é na tensão entre os dois que a vida acontece.

 Conta um mito milenar que o semideus Hércules teve de passar por 12 grandes provas -cada signo do zodíaco -para aprender sobre sua natureza divina. Na oitava precisou enfrentar um monstro de nove cabeças (só que surgiu uma décima, imortal). E, cada vez que ele tentava cortar uma das cabeças, duas outras cresciam no lugar! Hércules por fim, consegue vencer o monstro no momento em que se ajoelha perante ele e o tira  do solo e levando-o à luz. 

Hoje, talvez, não nos sintamos tão heroicos assim, afinal, já não há mais bestas e dragões por aí. No entanto, enfrentamos monstros enfurecidos todos os dias. A grande questão é a tal cabeça imortal, que representa a realidade da morte e de onde surgem todas as outras cabeças. É no momento em que descobrimos que um dia morreremos que nos tornamos diferentes de todos os outros reinos da natureza, nos reconhecemos humanos e passamos a nos sentir ameaçados pelo tempo.  É nesse momento também que percebemos que absolutamente tudo está nossa disposição. E então, o que acontece? Nós percebemos nus, nos envergonhamos e criamos regras para que nos dizem o que podemos ou não utilizar do que foi oferecido. 

Nascem o Profano e o Sagrado, e, com eles, surgem as nove cabeças da besta: a sexualidade,  que diz para a morte que ela nunca vai vencer, (já que há a procriação); o dinheiro, que garante a ilusão de ganhar mais tempo; o controle, que nos leva a manipular o outro; orgulho, que não permite discernimento;a separatividade, que nos coloca na solidão das grandes certezas; a desconfiança, que não permite enxergar inocência; a ambição, que nos faz insatisfeitos; o ódio, que nos torna amargos; e o medo da luz própria, que nos faz parar nas mágoas do passado para não assumirmos responsabilidades sobre nossos talentos.

 Olhando assim até parece que tudo é profano e gera dor, mas ouso dizer que só é profano aquilo que não é feito com amor. Ame a tua sexualidade que ensina sobre o prazer de saber se é humano, onde o dinheiro que vem do trabalho que te faz sentir vivo, controle pensamentos e palavras para que sejam mensageiros da sua verdade, orgulhe-se do seus talentos, confie no bem que te habita, conhece-te a ti mesmo, coma um brigadeiro, adoce sua vida, brinque! E doe ao mundo aquilo que é único em ti. 

Será que conseguimos? As vezes sim, as vezes não, mas escorpião nos estimula a tentar. O grande temor não é de morrer, mas de chegar ao fim sem termos realmente vivido. Que neste mês nos dediquemos a viver intensamente esperando a chegada de Sagitário para que o centauro nos conduza ao momento presente. 
Revista Bons Fluídos-Fernanda Zanine-nov/17
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É possível separar o mundo dos otimistas e pessimistas? Essa organização seria uma maneira bem restrita de definir as pessoas, afinal, todos somos otimistas em algumas situações e pessimistas em outras.
No entanto, te convido a aproveitar as bençãos do novo ciclo, abrir os braços para aos céus e escolher para qual dos lados quer pender. Ao declinar-se para a ala do bem, receberá os bons ventos que já estão fluindo pelo ar com a fé inabalável de que tudo está seguro e caminha para para um resultado feliz.
Mas atenção: antes de pular de alegria, cuide-se e não espere que o céu tudo sozinho-vitória também se conquista.Ter fé e confiança, pensando em tudo de bom que poderá vir, ajudará, e o primeiro passo é sentri dentro de si a possibilidade e a convicção de que vai vencer.
Me despeço então, com saudações sinceras, amplas , prósperas e generosas a você. Boa sorte , lembrando que "tudo acontece primeiramente dentro de cada um de nós, na mente. O restante é apenas realização de nossos pensamentos.
Tais

domingo, 12 de novembro de 2017

Pai e mãe não se separam

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"Para os filhos, seus pais continuam sempre juntos como pais. Separam-se como casal, às vezes vivendo sob o mesmo teto, mas não se separam como pais.

Por isso, quando há filhos, é especialmente importante finalizar as relações anteriores com atenção e cuidado. Um dos grandes anseios dos filhos é ter os dois pais juntos no coração, não importa o que fizeram ou o que aconteceu, sem precisar tomar partido por um dos dois ou se alinhar com um contra o outro (como infelizmente ocorre frequentemente, com penosas consequências).

Onde começam os problemas?

Há frases ou mensagens dos pais, explícitas ou implícitas, que prejudicam terrivelmente seus filhos: “Filho(a), não ame seu pai/mãe, despreze-o(a) como eu e, acima de tudo, não seja como ele(a)”, ou “Filho (a), não queira entender como eu pude amar seu pai/mãe, você é melhor que ele(a).”

Mesmo que não se verbalizem, esses e outros pensamentos parecidos às vezes, são verdades internas para os pais e nutrem a atmosfera familiar de dinâmicas fatais para a tríade relacional mais importante de nossa vida: a tríade pai-mãe-filho.

Recordemos que os filhos não dão tanta atenção ao que os pais dizem, e sim ao que os pais sentem e fazem.

A verdade de nossos sentimentos pode ser negada ou camuflada, mas não pode ser eliminada, portanto, age e se manifesta em nosso corpo. É importante que trabalhemos com nossa verdade e, caso ela gere sofrimento em nós ou em nossos filhos, que tratemos de transformá-la.

E onde começa a solução?

Para o bem do futuro dos filhos, é fundamental que eles estejam bem inseridos no amor de seus pais e que estes consigam se amar, pelo menos como pais de seus filhos.

Não é algo tão raro se pensarmos que, na maioria dos casos, um dia se escolheram e se amaram como casal, e os filhos chegaram como fruto e consequência dessa escolha e desse amor.

Além do mais, quando é possível, é maravilhoso amar o outro progenitor. Eu sempre me surpreendo ao ver como alguns pais e mães se dirigem aos seus filhos passando por cima do outro parceiro.

Essa atitude, que pode parecer razoável, às vezes (a infelicidade costuma chegar vestida de roupagem argumental impecável, mas isenta de amor que nos faz bem), não ajuda os filhos.

Eles não precisam ser os mais importantes; ao contrário, precisam sentir que os pais estão juntos como casal permitindo-se uma recíproca primazia diante dos filhos.

Primeiro o casal, depois os filhos.

Quando um filho é mais importante que qualquer pessoa para um dos pais, isso não é um presente para ele, e sim uma carga pesada; não é adubo, mas seca disfarçada de encantamento. Os filhos não precisam se sentir especiais nem têm de ser tudo para os pais. Isso é demais.

É frequente que um pai projete em seu filho aquilo que lhe falta em seu companheiro ou nos próprios pais, ou aquilo que faltou em sua família de origem, ou aquele sonho que não pôde realizar. E que o filho, por amor, aceite o desafio.

A preço, claro, de sua liberdade e da força para seguir o próprio caminho.

E tudo sai melhor quando têm o apoio de seus pais e antepassados, e quando estão em paz com eles. No entanto, sofrem quando um dos pais despreza o outro ou ambos se desprezam mutuamente, ou quando têm de se envolver excessivamente com um dos dois ou com os dois.

Se os pais se desprezam, para o filho é difícil não desprezar a si mesmo e não parecer a pior versão que o pai ou a mãe traçou do outro progenitor, pois, no fundo, um filho não pode prescindir de amar os pais e não deixa de fazer acrobacias emocionais para ser leal a ambos, inclusive imitando seu mau comportamento, ou seu alcoolismo, ou seus fracassos e desatinos.

“Filho, continuo amando seu pai em você; em você continuo vendo-o e respeitando-o”; “Filha, você é fruto de meu amor e de minha história com sua mãe, e vivo isso como um presente e uma bênção”; “Filho, respeito o que você vive com seu pai/mãe, mais que isso é demais”. Essas e outras frases parecidas alimentam o bem- estar e o regozijo dos filhos.

O que ajuda, portanto?

Que os filhos recebam um dos maiores presentes possíveis em seu coração: ser amados como são, e muito especialmente que por meio deles seja amado o outro progenitor, porque assim os filhos se sentem completamente amados, já que, de uma forma sutil e ao mesmo tempo muito real, um filho não deixa de sentir que também é parte de seus pais."
Joan Garriga em
O amor que nos faz bem – Editora Planeta
 Consulta em https://iperoxo.com
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O relacionamento dos pais com os filhos é importantíssimo para o desenvolvimento e o sucesso destes.
Existe por parte dos filhos um amor profundo e cego, que é leal aos pais, custe o que custar. Por conta disto eles captam os conflitos dos pais, mesmo que não haja  manifestações de desafetos frente aos mesmos. Este amor pode impedi-los de ir para a vida de uma maneira saudável e próspera. Então, aí reside uma responsabilidade enorme dos pais no sentido de seguir a relação parental de maneira positiva, mesmo com o término ou não do relacionamento.
As Constelações (Bert Hellinger)atuam de maneira muito positiva na resolução das dificuldades, ajudando a olhar essas questões que aparecem nos relacionamentos, com amorosidade, além de perceber tudo que envolve estas manifestações, considerando que ela apresenta o que está oculto e muitas vezes nem percebemos (conscientemente).
Tais

domingo, 5 de novembro de 2017

Concessões, uma forma de evitar atritos

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O que leva muitos homens (e mulheres) a aceitar as explicações do cônjuge que chega tarde do trabalho? Não seria mais natural esperar que o companheiro entendesse o nosso cansaço e nos recebesse com carinho redobrado?

Por que nos sentimos na obrigação de participar daquele almoço de domingo com a família se preferíamos ir ao cinema, acordar às 2 da tarde ou encontrar nossos amigos?

Que direito tem o namorado de censurar o comprimento do vestido da namorada? E por que ela concorda em mudar de roupa, interpretando a implicância dele como uma prova de amor?

A reposta a todas essas perguntas é uma só: para evitar atritos com aqueles que amamos.

Fazemos muitas coisas contra nossa vontade porque não temos coragem de arcar com as consequências de um enfrentamento. Tememos as rejeições, as críticas diretas, o julgamento moral.

Temos medo do abandono e da condenação à solidão. Preferimos, então, catalogar essas pequenas concessões como perdas menores e seguimos a vida sem pensar muito nelas.

No entanto, ao longo dos anos, a soma de restrições à nossa modesta liberdade cotidiana se transforma num conjunto compacto de mágoa e frustração, que acaba deteriorando os relacionamentos.

Crescemos com a ideia de que ficar só é doloroso, além de socialmente reprovável (tente jantar desacompanhada num restaurante badalado!). Esse equívoco tem levado muita gente a se prender a um casamento falido ou a um namoro doentio.

Quando a relação acaba e somos impelidos a viver sozinhos, temos a oportunidade de experimentar pequenos prazeres solitários: tomar conta do controle remoto da televisão, dormir com três cobertores, ir ao cinema duas vezes num único domingo, usar aquele vestido bem decotado.

Muitas vezes só essa vivência nos dá a chance de avaliar o quanto eram duras as restrições que aceitávamos passivamente. A descoberta nos deixa menos tolerantes às exigências possessivas, ciumentas e por vezes invejosas impostas pelos elos afetivos usuais.

Junto com a mudança vem a pergunta: “Será que estou ficando egoísta?” Não. Temos o direito de criar uma rotina própria e diferente da praticada por vários grupos familiares e sociais.

Quando somos capazes de compreender o lado rico de estar só, quando perdemos o medo de nos defrontar com nossa solidão, rebelamo-nos contra muitas das pequenas e múltiplas regras de convívio. Então nos tornamos mais livres, inclusive para recompor as bases dos relacionamentos que nos aprisionam.

As normas terão de se ajustar aos novos tempos, passando a respeitar mais a individualidade recém-adquirida e a liberdade que vem junto com ela. Impossível abrir mão de uma conquista tão prazerosa.

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"Medo do amor tem aquele que não ama. No próprio amor esquecemos o medo. É como na guerra. Os que estão atrás têm medo. Os que estão na linha de combate não têm medo. Vá até a primeira linha.
    Mais algo sobre o medo: o medo nasce de uma ideia. Para ter medo do amor é preciso desviar o olhar de quem se ama. Se você olhar, o medo desaparece imediatamente. Portanto, o medo é a pequena felicidade."
Bert Hellinger em A Fonte Nào Precisa Perguntar Pelo Caminho
O movimento de concessões precisa ser interrompido... e como fazer? Talvez uma metáfora clareie algo:
O movimento deve ser interrompido. O reconhecimento da concessão e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, surge aí uma conquista especial. 
A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela correnteza. Devemos retroceder... Em vez de nadar na correnteza, podemos ir até as margens, olhar a correnteza até compreender o velho padrão e reconhecer o novo e, então decide-se o que fazer.
Este é um processo de amadurecimento, que ao contrário daquilo que imagino, só acontece quando busco, quando me incomodo realmente!
Uma ótima semana.
Tais

domingo, 29 de outubro de 2017

A mudança de cada um

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"Todos temos em nossas vidas momentos de alegria e momentos de dificuldades. Quando tudo vai bem, compartilhamos alegria e felicidade com os que nos cercam.

Porém, nos momentos mais difíceis, quando estamos cercados por desafios, por diversas vezes queremos nos livrar dos problemas, mas sem enfrentá-los. Desejamos que eles sumam, e que assim, possamos voltar ao que consideramos normal: ser feliz.

Se o sofrimento percebido é maior que o prazer que nos sentimos intitulados a ter, passamos a procurar por soluções que efetivem mudanças rápidas, e que nos faça retornar ao que percebemos como bom. Ficamos nervosos com a dificuldades. Queremos excluí-las.

Queremos nos livrar do que consideramos ruim e viver só dentro do que está ligado à felicidade. Mas ao negar os desafios, negamos tudo de bom que ele traz para nossa vida.

A exclusão da dificuldade
As dificuldades que surgem em nossa vida é algo que nos pede atenção e que é importante ao nosso desenvolvimento. Ao acolher o que se apresenta, estamos dando alguns passos adiante no nosso processo de viver e no nosso caminho de melhora pessoal.

Em seu livro “Purificação Emocional”, o autor John Ruskan diz que tudo que negamos se torna mais forte e presente em nossa vida. Dessa forma, ao tentar fugir do que nos é difícil, simplesmente aumentamos nossa exposição ao problema e sua influência sobre nós.

Ruskan diz que devemos convidar, em nossos interior, o que nos assusta e nos causa dificuldades para um acolhimento sem julgamento. Aceitamos que sentimos raiva, rejeição ou qualquer outra dor emocional estejam conosco e silenciosamente, percebemos para a informação para qual o sentimento aponta.

Ao darmos espaço para que o que faz parte de nós se apresente, aliviamos o corpo do seu trabalho de nos mostrar o caminho e então podemos ouvi-lo.

Essa escuta nos direciona o olhar e ajudar o corpo a liberar a energia que se encontra por trás do sentimento. Assim, nos organizamos e ficamos melhores com o que faz parte de nosso destino.

Sobre a aceitação
Na constelação familiar, a aceitação ao destino é um ponto chave para os movimentos internos de mudança.

Temos em nosso sistema familiar histórias que por algum motivo não aceitamos. Por vezes por criar conflitos com nossos valores pessoais, outras por estarmos diretamente expostos à ação.

Sofremos as consequências por não aceitar. A não aceitação dos destinos difíceis é como uma pedra que bloqueia a vazão de um riacho, fazendo que suas águas parem de correr e fiquem represadas.

Esse é o fluxo da força do nosso sistema familiar. Ao não aceitarmos pontos de nossa histórias, acabamos por prejudicar que os aprendizados e forças positivas também cheguem até nós. É como se o sistema ficasse represado, com o fluxo normal alterado.

Quando não aceitamos, paramos de nos relacionar com a nossa própria história, perdendo acesso ao muito do que há positivo na história dos nossos antepassados.

E então, nós sofremos de forma dupla: por não aceitar e porque isso acaba por trazer mais dificuldades pra nossa vida.

O que a Constelação diz sobre as nossas dificuldades?
O psicoterapeuta alemão Bert Hellinger observou que existem 3 leis universais que regem a nossa vida, quer nós saibamos delas ou não. Ele as chamou de leis do amor.

Elas coexistem e não são hierarquizadas, o que significa que todas agem ao mesmo tempo sem exclusão de uma em favorecimento de outra.

A lei do pertencimento diz que todos que fazem parte de um sistema familiar jamais pode ser excluído, ou deixar de pertencer. Quando isso acontece, o sistema fica pressionado na busca da inclusão de quem foi afastado. A pressão transparece em forma de dificuldades de alguns ou todos os membros do sistema, e só se alivia com o retorno do excluído.

Esse retorno muitas vezes não é possível fisicamente, dado que pode ter ocorrido em gerações anteriores que não estão mais vivos. Mas, nós, como continuidades deste sistema, trazemos o excluído ao nosso coração, e o aceitamos como parte de nosso sistema. Essa aceitação transparece em nossas falas e ações, e isso traz alívio ao sistema.

A lei da ordem mostra que aqueles que vieram primeiro em um sistema tem precedência sobre aqueles que vieram depois. A quebra dessa lei causa pressão ao sistema, que busca restaurar o lugar de cada um dentro do grupo.

É comum encontrar o desrespeito desta lei quando mais novos buscam expiar ou “resolver” as dores dos mais velhos. Ao fazer isso, tomam uma posição de superioridade, se “engrandecem” e quebram a ordem do sistema. Ajudas dentro do sistema são possíveis, desde que todos permaneçam em seu lugar. Um filho permanece um filho, mesmo com seus pais idosos que precisam de seu apoio.

A lei do equilíbrio fala da troca igualitária entre o dar e o tomar em pessoas do sistema. Se uma pessoa só toma e a outra somente dá, há um desequilíbrio que precisa ser restaurado. Dessa forma, os membros desses sistema serão pressionados até que o equilíbrio nas trocas seja restabelecido.

Os desequilíbrios nas relações se mostram com rupturas. Alguém em algum momento precisa sair daquele lugar. A “inocência” de quem dá demais se torna um fardo pesado para aquele que toma e não tem como retribuir. As relações resistem através da troca equilibrada, onde todos podem contribuir igualmente. A única exceção se dá no relacionamento entre pais e filhos: neste lugar, os pais dão aos filhos, que retribuem passando o que receberam aos netos. Assim, a vida segue adiante.

A Constelação Familiar revela a dinâmica que atua no sofrimento
Ao seguirmos para um atendimento em constelação familiar e levar o tema que nos causa dor, é possível percebermos qual é a dinâmica que atua no nosso sofrimento e dificuldade. Podemos perceber as repetições de um padrão que nasceu no nossos sistema familiar, e que continuamos a perpetuar cegamente.

A constelação revela, em apenas um único atendimento, fatos e movimentos do sistema que muitas vezes demoram anos para serem percebidos em outros tipos de terapia. Além disso, a experiência de uma constelação é prática, o que permite vivenciar a dificuldade e olhar para sua solução.

Ao observar e vivenciar a dinâmica que age em nossa vida, nosso corpo se empodera de recursos para agir na direção de uma mudança mais madura. As vezes de forma muito rápida, outras vezes de forma lenta. “Nossa alma é lenta e certeira”, disse Bert Hellinger.

Bert Hellinger
O método observado por Hellinger não é mágico nem místico. Há uma ciência que baseia o funcionamento das constelações, além de toda a experiência observada pelo terapeuta alemão. São novos informações, como as trazidas pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, que vão dando o aval científico a algo que é percebido claramente em nosso interior em um atendimento de constelação sistêmica e familiar.

Ao cliente de uma constelação cabe o papel ativo de agir ao que é percebido em um atendimento, e do seu lugar, tomar as atitudes necessárias para alterar a sua realidade. Esperar pelo solução mágica é a posição da criança que não deseja tomar uma frente ativa em sua vida. Agir é algo que cabe ao adulto. E a constelação familiar pode nos ajudar a alcançar a boa ação."

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Gratidão à Ipê Roxo Espaço Terapêutico, na cidade de Florianópolis, pelos assuntos tão bem escritos.

Você quer constelar um tema? 
Marque seu horário comigo (Curitiba): 
Psicóloga Tais Fittipaldi Bergstein  (CRP 08/1336)
Fone (41) 99962-33012
Boa semana e boas reflexões sobre suas necessidades.
Tais

domingo, 22 de outubro de 2017

Relacionamentos Afetivos e Zona de Conforto

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Se existe uma área onde a zona de conforto é destrutiva ao máximo é nos relacionamentos afetivos. Como neste caso a dinâmica de crescimento de duas pessoas está envolvida, os dois precisam crescer com a mesma velocidade.

Isso raramente acontece.

As pessoas não percebem onde estão quando se encontram; numa situação em que há o Princípio da Incerteza em ação. Posição e Momentum.

A Posição mostra como a pessoa está vivendo. Qual sua situação mental, emocional, financeira, profissional, afetiva, etc. Mas, não sabemos qual seu Momentum, sua velocidade de crescimento em todas essas áreas.

Quando o momentum de um é maior do que o do outro eles podem conviver por algum tempo sem problemas aparentes. Esse tempo é normalmente curto. Hoje em dia em dois ou três meses já se consegue avaliar isso e os relacionamentos acabam. Se dura mais que isso é porque um dos dois resolveu “empurrar com a barriga”. Porém, quanto mais tempo passa, mais distantes ficam um do outro. É que o momentum diferente faz isso inevitavelmente. Pensem em dois ângulos diferentes de crescimento e verão a distância entre os dois depois de um tempo.

No inicio quando se encontram compartilham durante um tempo uma determinada posição. É uma faixa pequena de espaço, que logo desaparece à medida que o momentum de um dos dois se acelera. E isso acontecerá de uma forma ou de outra, a não ser que os dois criem uma hierarquia entrelaçada, onde se estimulam mutuamente à crescerem juntos. E a resposta de ambos é de dar o máximo de si mesmos no seu crescimento pessoal. Assim eles entram no mesmo momentum e isso pode ser perpetuado.

Caso ambos pensem em “empurrar com a barriga”, a ação dinâmica do Universo fará com que se mexam. É o que se chama Teoria do Caos. Então um dos dois começa a crescer. O universo é um local de crescimento frenético. Ir contra isso é arrumar problema com certeza.

Existe ainda uma outra questão. O Princípio de Equidade. Estudos dos psicólogos americanos constataram isso. Classificando-se os dois numa escala de 1 a 10, não pode haver diferença maior que dois pontos entre ambos. Se isso acontecer o relacionamento é inviável.

Desta forma é preciso verificar que a distância é maior que dois pontos em cada área de vida: mental, emocional, profissional, educação, espiritual, afetiva, etc. Porque na média pode dar dois pontos, mas se existir uma diferença muito grande em alguma das áreas o relacionamento ficará comprometido.

Por que o momentum acaba com os relacionamentos? Por causa da zona de conforto.

O fato das pessoas não darem o melhor de si mesmas em tudo que é preciso fazer, causa essa diferença. Na prática como isso funciona?

É preciso ler livros de várias áreas simultaneamente. Livros difíceis.

Refinar e limpar o emocional sem parar, eliminando os bloqueios, traumas, nós, tabus, preconceitos, auto-sabotagem, paradigma irreal, etc.

Unindo-se ao Todo cada dia mais.

Deixando o ego de lado cada dia mais.

Pensando no bem do outro mais do que no próprio.

Dando mais do que recebe.

Crescendo afetiva e sexualmente sem parar.

E aqui temos um grave problema até hoje não resolvido pela humanidade. Se existe tabu é esse. E por que isso é tabu? Porque é aqui que está a afetividade e o amor. É preciso dar. É preciso baixar os escudos. É preciso ser humano. É preciso pensar no prazer do outro. É preciso fazer com amor e não mecanicamente. É preciso aprofundar o sentimento cada vez mais. A intimidade tem de crescer sem parar.

O que vemos hoje na humanidade? Uma relação sexual termina quando um dos dois tem um orgasmo! E como são necessários apenas alguns minutos para que isso aconteça vocês já sabem como fica a afetividade. Zero! Essa é a norma.

Todo terapeuta que escuta a verdade que seus clientes contam e constatam isso. O resto é a mentira social. Essa é a verdade nua e crua.

E isso contamina todo o resto da vida da pessoa. Pensa-se que as áreas são independentes. Posso viver sexualmente de um jeito e profissionalmente de outro. Na verdade tudo está interligado e quando uma coisa não vai bem ela afetará todo resto. Ou evoluímos como um todo ou temos problemas.

Vocês podem ver o estado da humanidade hoje e o tabu sexual que existe. É uma coisa só. Toda essa crise em todas as áreas e o problemas afetivo/sexual são uma coisa só. Por isso está tão difícil resolver a crise. Por isso existe tanta resistência em resolver os problemas. Porque nesta área quem quer mexer?

Enquanto a humanidade não enfrentar isso de frente, soltando todos os tabus e preconceitos não haverá solução, porque não haverá amor real entre os humanos. Fazer amor tem uma função muito maior do que se pensa hoje. As energias envolvidas são sagradas. São divinas. É preciso urgentemente rever esses conceitos. O sexo é sagrado. Tem de ser feito como um ato divino. Entre duas centelhas divinas.

E o que faz uma centelha divina? Ela se doa sem parar.
Hélio Couto
Vídeos: www.cursosheliocouto.com.br
Site Oficial: www.heliocouto.com
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A troca entre um casal baseia-se em duas necessidades:Uma é a necessidade pela compensação e a outra é a necessidade pelo amor. Portanto, se um parceiro dá ao outro algo com amor, então o outro toma isso. Porque este tem uma necessidade de compensação dá ao outro algo de mesmo valor. Mas porque ama  também devolve um pouco mais do que recebeu. Com o outro acontece o mesmo. Devolve mas por amor, um pouco mais. Assim, o intercâmbio e a felicidade aumentam através da união das duas necessidades de compensação e de amor. Esse é o princípio básico da felicidade.
 Um caso bastante comum é quando os pais de crianças, não olham para seus pais, não aceitam que toda força e a vida vêm dali, de muito longe...de seus avós, bisavós ...
Quando essa criança cresce e sente a necessidade de um relacionamento íntimo, sente-se fraca e desamparada. E esse parceiro, também se sente fraco e desamparado. Mas, se cada um deles vê que eles estão ligados a essa grande corrente (antepassados), então podem olhar para frente, com a força desta ancestralidade.
Então o casal pode tomar com calma todas as exigências que vêm ao seu encontro.
Aqui fica claro, portanto, a necessidade de se resolver , com amor, as diferenças existentes...para que os descendentes possam receber seus futuros parceiros, com a felicidade de poder ultrapassar as diferenças, com amor!
Mesmo que haja uma ruptura no casal e separem-se,é preciso chegar a este reconhecimento:"Respeito você, como você é e assim você me convinha; eu amei você assim e sempre amarei".  Qualquer que tenha sido o motivo da separação, não pode ser deslocado para o contexto da culpa, nem com o parceiro, nem consigo mesmo. Porque o que leva à separação é, frequentemente um mistério que não podemos desvendar.Tem muito a ver com o passado.Quando se sabe dessas relações e se pode reconhecer isso, os filhos se sentem também respeitados.
Boa semana!
Tais

domingo, 15 de outubro de 2017

Como nos abrir ao exito e à abundancia?

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"Quando podemos dizer que temos exito? Ou o que vivenciamos como a abundância?

Quando deixamos a sobrevivência! Quando estamos plenamente na vida. E isto só é possível após termos aceitado a ambos os pais incondicionalmente exatamente como são: humanos, imperfeitos, falhos, às vezes ausentes, omissos, cruéis, indiferentes ou amorosos, presentes ou ausentes, não importa. 

Esta é a principal condição para o êxito e a abundância que vem da mãe e para a realização profissional que recebemos do pai. É assim!

"Dinheiro, mãe e vida são energias equivalentes, como tratamos a mãe assim nos trata o dinheiro" 

Mas nem sempre é fácil. Uma rede complexa de emaranhamentos sistêmicos que herdamos, escolhemos ou recebemos da nossa memória emocional transgeracional amarra tanto os nossos pais quanto a nós mesmos enquanto filhos a situações traumáticas do passado familiar e muitas vezes cria obstáculos intransponíveis à harmonia e à aproximação entre pais e filhos.

E nosso êxito ou realização profissional ficam travados, limitados, ou totalmente impossibilitados.

Estar na abundancia é dispor de tudo que necessitamos. Do que realmente necessitamos!

E por mais incrível que possa parecer uma das condições para isto é simplesmente aceitar tudo como é e todos como são. Assentir. Apenas quando conseguimos fazer isto com convicção e quando aceitamos incondicionalmente nossa mãe como é deixamos a sobrevivência e possibilitamos a abundancia."
                                                                                                                                                            Brigite Champetier Ribes

Como alguém pode se abrir para o êxito e a abundancia?

Como deixar fluir a energia e a força do dinheiro?

Qual a importância de equilibrar o dar e o receber.

Quem recebe as heranças? Qual a condição fundamental?

Como flui o dinheiro no matrimonio?

Qual o significado das dívidas na vida de uma pessoa?

Por que razão algumas pessoas são jogadoras contumazes?

Quais as causas da avareza?

Todas estas são questões sistêmicas que podem ser "trabalhadas e olhadas" em uma constelação .
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Muitos cliente chegam buscando respostas e alternativas para uma mudança na sua relação com a prosperidade ( financeira, emocional, nos relacionamentos...) e ao deparar-se com a importância de dar um lugar de amor aos pais, ficam muito insatisfeitos e imediatamente, perguntam:
- O que tem a ver meus pais com minhas dificuldades financeiras?
Mas...todo sucesso , na vida, passa pela aceitação dos pais, como eles são. 
Reconhecendo nosso lugar no sistema, vemos que somos uma soma de muitas histórias. E todas elas são sintetizadas por nossos pais e na vida que eles passam para nós. Eles são o vínculo maior com o nosso sistema e nossa força. É através deles que acessamos tudo que veio antes e nos construiu.

Percebendo isso, podemos reconhecer que uma parte fundamental da nossa caminhada é a boa qualidade do vínculo com nossos pais. É uma ponte que liga os dois lados fundamentais do nosso sistemas: Nós (presente e futuro) e nossos antepassados (nossa história).

Imagine o seu sistema como uma inteligência que está sendo construída há muito tempo. Através de muitas décadas, pessoas neste sistema se desenvolveram para trabalhar, cuidar, aprender novos ofícios, além do desenvolvimento natural que cada indivíduo tem a oportunidade ao caminhar nesta vida.

A cada geração, os integrantes que chegavam recebiam um pouco mais que a anterior. Conhecimentos e inteligências eram compartilhados, riquezas (abundantes ou não) eram reinvestidas nos novos membros do sistema. Pais e mães cuidadosos – dentro do seus limites – que carregavam as novas gerações adiante.

Esse movimento entre gerações chegou até nós, através dos nossos pais. Eles nos passaram a vida e foram testemunhas e incentivadores dos nossos primeiros sucessos. É através deles que podemos acessar tudo o que veio antes. Nesse acúmulo de experiência que é a nossa história, reside nossa maior força.

Consequentemente, se não "tomamos" nossos pais , exatamente como são...não tomamos a nossa história e tudo que foi construído para que chegássemos até aqui! Caminhamos na vida praticamente sem nada...

Então, o que acontece quando interrompemos ou não aceitamos este vínculo? Primeiramente deixamos de acessar todo o fluxo da nossa história. E quando interrompemos este fluxo, nossa sensação de pertencimento fica fragilizada, trazendo um vazio na nossa vida.

Muitas pessoas sentem isso e buscam em experiências externas aquilo que realmente falta. Nós somos a soma de nossos pais, somos constituídos pelo material deles, passados a nós por eles. Se os negamos ou negamos sua história, estamos em um nível mais profundo, negando a nós mesmos.

A dualidade deste sentimento é um peso para qualquer indivíduo. Por isso, o caminho da cura passa pelo pai e pela mãe, e pela inclusão destes no coração e na vida de cada um. Ao restabelecer o fluxo, recebemos o presente do pertencimento, de encontrar nosso lugar. Nos encontramos e podemos seguir adiante, com as peças da nossa história cada uma em seu lugar.
Boa semana
Tais

domingo, 8 de outubro de 2017

O homem que não sabe relaxar

Recebi uma missão difícil do meu terapeuta: olhar para o ócio. Olhar para o estado do “não fazer nada”. Recomendou-me até a leitura do Ócio Criativo, de Domenico De Masi, coisa que iniciei ontem mesmo, afinal, fazer é comigo mesmo! Até ler sobre o não-fazer está valendo! Não sei parar, e embora pare muitas vezes, estou sempre “fazendo” algo, mesmo que seja planejando minhas viagens na maionese. Tudo tem que ter um sentido: a volta no parque é para emagrecer. As viagens é para me inspirar. A meditação é para acalmar a mente. A oração é para falar com a espiritualidade. O que escrevo é para levar conteúdos aos leitores. O meu trabalho é uma missão. Tudo precisa ter um sentido!

Walfredo detectou, na minha fala, diversos adjetivos pesados, quando eu me referia ao estar neste lugar “do não-fazer”. Inútil. Sem sentido. Aborrecido. Desconfortável. E enquanto ele desfilava algumas possíveis razões para eu não saber lidar com este estado natural de relaxamento e prazer – relaxamento e prazer? Que é isso? – sentado na confortável poltrona do consultório, pulavam em minha mente imagens do Alex, pequenino, brincando no quintal da casa em Suzano. Horas e horas devaneando, mexendo com meus soldadinhos e o forte apache, conversando com o meu cachorro, olhando os movimentos das formigas no formigueiro e conversando com elas, sentindo o ar e a brisa no meu corpo, vivendo um mundo prazeroso, dentro de mim mesmo, e…

– Alexandre! Alexaaaaannnndreeeeee!!! Venha já pra dentro! Você não fez as lições? Limpou o banheiro? Já se arrumou? É uma lentidão, você, heim? Quanta indolência! Se apresse, mariquinha!

Vovó, com a gentileza que não lhe era característica, me tirava do estado de deslumbramento comigo e meus mundos, para jogar-me cruelmente no mundo daqueles que fazem alguma coisa. Limpar banheiro? Que merda! Lição… para quê? Trocar de roupa? Eu só estou com esta faz dois dias!

E eu lutava bravamente para permanecer no meu mundo interno. Sentava na mesa, abria o caderno e os livros, mas devaneava, devaneava, devaneava…

– Alexaaaannnndreeee!!!! Eu não aguento mais a sua preguiça!!! Você não vai jantar, enquanto não acabar estas lições!

Entre no sentimento desta cena…

Esta era a instrução de Walfredo, o terapeuta. Sentir? Sim!

Bem… sentia-me extremamente invadido. Talvez pela primeira vez eu validei que eu sentia PRAZER em estar neste lugar interno. Era muito bom! Eu viajava, era criativo, o melhor de mim aflorava nestes momentos. E não somente vovó, mas vovô e meu irmão, dia-a-dia, iam desconstruindo o menino sonhador e feliz que vivia dentro de mim.

– Vagabundo! Você é burro mesmo! Lerdo! Não aprende nada! Idiota! Você é estúpido!

Os adjetivos proferidos por eles eram rudes, duros… êpa, pera lá! Tão duros e semelhantes aos adjetivos que comecei a disparar, aos cinquenta anos de idade, ao me referir aos momentos de ócio. Essa fala não é minha. É deles! Eles mataram a minha criança sonhadora, e eu aceitei! Pelo menos é o que minha criança ferida diz.

– Vem uma tristeza profunda, Wal. Depois raiva, e sentimento de vingança. Um dia eles vão ver só! Sim! Lembro-me que aos 11 anos, parece que virou uma chavinha na minha mente, e eu resolvi mostrar o quanto eu podia ser aquilo que eles queriam que fosse… e muito melhor que eles, um bando de fracassados – dois velhos e um cara desequilibrado! Passei a perceber a lógica de tudo. Comecei a ganhar os jogos de xadrez do vovô e do meu irmão mais velho. Na escola, passei a me destacar. Não um gênio, mas bom em muitas coisas. E embora isso impactasse a minha família, continuei sentindo que não era validado. Por nenhum dos três: vovô, vovó e meu irmão. Eles pararam de me xingar, mas não vinha elogios… Quanto mais os anos passavam, mais ódio eu tinha. Lerdo?!? Vocês vão ver só….

Estava criado o pacto de vingança… Eu não posso mais relaxar, viajar nos meus mundos, ter prazer. Tenho que ser competitivo e fazer coisas com sentido. Para esfregar na fuça de vocês, que me humilharam…

“Foque na vergonha que você ainda tem de si mesmo. Por que você precisa ser tão importante? Porque você é inseguro. Por que você é inseguro? Porque existem partes de você que ainda não aceitou, e tem vergonha. Procure identificar essas partes que você ainda tem vergonha. Tenha coragem de se olhar no espelho. Aí você tem uma pista de onde você foi bloqueado. Onde a sua espontaneidade e a sua inocência foram bloqueadas. Onde houve uma cisão com o Eu divino.

Eu estou falando de traumas e choques de exclusão, humilhação, abandono e rejeição. Esses sentimentos dos choques estão ali: o medo, a humilhação, revolta, mágoas… Ainda estão no seu corpo emocional. Por que eu estou afirmando que esses sentimentos ainda estão no seu corpo emocional? Por conta dos condicionamentos mentais que geram as repetições negativas”, diz Prem Baba, liderança espiritual que utiliza a psicologia para abrir caminhos em direção ao Eu real que habita a todos.

Qual repetição negativa está ocorrendo na minha vida, hoje? A dificuldade de relaxar e curtir a vida, como ela é. A sensação de que eu tenho sempre que fazer “algo importante”… e que não posso parar. Não posso relaxar. Não posso curtir as coisas como elas são, mesmo que eu não faça absolutamente nada.

Resgatando a criança sonhadora

Eu era feliz. Sim, eu era muito feliz! Não precisa de nada. Um formigueiro. Meia-dúzia de bonequinhos. Galhos, terra. Meu cachorro. O cantar dos pássaros. Minha Caloi. A bola de couro com as “orelhas” descoladas. Não queria a presença deles. Era só eu. Para que família, se eles são tão loucos e corrosivos? Eu me basto! E me bastava…

Talvez por isso criei aversão a estar muito profundamente ligado à família. Curto um pouco, dou uns sorrisinhos, e quero mais é ir embora. Mas estes anos todos, fugir não aliviou a minha dor de não curtir a vida. Bebi muito, fiz e faço muitas viagens, parti para o vício no trabalho e do fazer, fazer, fazer… e hoje descobri que todas as distrações e vícios foram colocados para anestesiar a dor do assassinato da minha criança sonhadora. E feliz. E quem a matou… fui eu!!!

“É fácil entender porque o ego interpreta a felicidade, o amor e a paz espiritual como seus inimigos: porque quando desfrutamos desses estados de ânimo, experimentamos nossa essência espiritual. Nesses momentos, vemos um mundo muito distinto daquele que nosso ego nos proporciona. Perdoar é fácil quando vemos o mundo através dos olhos do amor, na medida em que resulta claro que as respostas buscadas ao longo de toda nossa vida podem ser encontradas ali, e não, como supõem o ego, nas coisas externas”, explica Gerald Jampolsky, no livro El perdón.

Aquele Alex era feliz. E é feliz. Foi o que senti, enquanto ia, lentamente, me vendo brincando, sonhando, jogado ao nada, naquele quintal, nos fundos de casa.

O Alex que me transformei conquistou muito. Aprendeu, competindo, chegando longe, conseguindo adquirir coisas, a ser um bom cumpridor de tarefas. Aprendeu a fazer a lição de casa, a limpar o banheiro, manter as roupas arrumadas, como vovó queria. E hoje ele é muito competente nessas tarefas. E dezenas de outras. Mas vovó não poderá aprovar. Nem vovô. Nem meu irmão. Estão todos mortos.

Agora eu posso deixar a mesa da cozinha, e retornar ao quintal. Sozinho. Não há ninguém que vá me impedir. As lições estão feitas, a casa arrumada. Eu obedeci vocês, minha família. Conquistei um lugar ao sol. Sou um grande profissional. Tenho filhos. Uma esposa maravilhosa. Dívidas pagas, dinheiro guardado. Um caminho espiritual trilhado. Mas a minha felicidade não está nas minhas conquistas.

Saio pela porta da cozinha. O mato tomou o quintal. As paredes do muro, em ruínas, descascadas, quase não se seguram em pé. O cachorro não vem mais pulando ao meu encontro. Ele também morreu. Revolvo o mato. Sim! Há formigas! Elas não foram embora! Muitas delas… e algo meio esquisito, um torrão de barro disforme, me chama a atenção. Me abaixo, abro o mato que me atrapalha. Seguro esta… pedra? Não… A ponta de uma espada de plástico se mostra, saindo das placas de terra. O meu general Custer também está lá… Sento-me ao chão… Começo a limpar, devagar e carinhosamente, a terra endurecida, em volta do “meu comandante”… Piranga, meu cachorro collie, vem correndo, enorme e babando, e pula nas minhas costas…

Alex Possato
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domingo, 1 de outubro de 2017

Seu relacionamento está em crise? Quer resolver? Comece por você!

 
Como está o relacionamento com seu parceiro? E como está sua relação consigo mesmo? O que um tem haver com outro? Tudo! Enquanto você não aprender a identificar suas necessidades emocionais que não foram supridas nos primeiros anos de vida, tenderá a buscar isso nos relacionamentos. Calma… Isso acontece de forma inconsciente, mas precisa saber disso para começar a identificar.

Parece que quando amamos, nós deixamos de lado e só vemos o ser amado. Fazemos de tudo para agradá-lo e, ainda assim, parece que nunca conseguimos. Mas será que agir assim agradar você? Provavelmente, não! Antes de agradar ao outro, tem que saber agradar a si mesma! Conhecer-se mais! Identificar suas necessidades emocionais! Conhecer suas crenças ! Como fazer isso? O mais indicado é buscar um profissional de confiança e iniciar um processo de auto conhecimento.

Mas também podem começar sozinho. Pense por alguns minutos na suas lembranças de infância. Quais são? Se encontrasse com sua criança agora, o que ela pediria?… Pense sobre isso e como suprir suas necessidades. O que tem feito por você?  O que gosta de fazer? O que está impedindo de fazer mais por si mesma? É, muita coisa para pensar!

A falta de diálogo com o companheiro é uma das causas mais comuns de conflitos e o caminho mais certo para uma separação. Em geral, as pessoas não tem o hábito de conversar consigo mesmas, então, como irão conseguir se comunicar com outro? Sim, converse muito com sigo mesma, pode ser escrevendo tudo que sente e refletir depois. Vai ajudar muito a organizar a sua mente se conhecer melhor.

Outro fator que pode interferir muito no relacionamento e também tem  a ver com os primeiros anos de vida são as repetições de padrões. O inconsciente e tende a repetir tudo que viveu, ainda que sejam mostrados.
E sendo assim você pode estar vivendo exatamente aquilo que nunca mais queria te ver. Pense como era seu ambiente na infância. O que prevalecia? Tinha diálogo ou violência ?  Passo ou brigas constantes? Você sofreu algum tipo de abuso? O que sentia? Será que está vivendo/sentindo no seu relacionamento atual?

Ainda temos as crenças, que podem limitar e também são aprendidas nos primeiros anos de vida. Se você ouvia constantemente: "casamento é para sempre ou em nossa família nunca teremos divórcio", poderá ter muita dificuldade em se separar pela crença aprendida muito cedo e ficou gravado em seu inconsciente, e que como já sabe agora, ele tenderá repetir como verdade absoluta. Quais eram as frases que eu ouvia e que podem estar lhe impedindo de agir como deseja? Crenças precisam e devem ser atualizados. Quais são as suas?

Como pode perceber, uma crise no relacionamento pode ter várias causas, que podem ter origem na sua história de vida. Para identificá-las é preciso muita coragem para olhar para o que tem lhe machucado e por medo do que pode ser identificado, você ignora como se nada estivesse acontecendo. Resultado: foge da verdade trabalhando mais, comendo mais, dormindo mais, envolvendo-se em relações passageiras sem vínculos. Ou seja, fará de tudo para evitar pensar e principalmente sentir. E se continuar a ignorar o que sente, os conflitos começam a se acumular, a crise sem instala e poderão surgir sintomas físicos. Assim, vai se machucando, acumulando mágoas e ressentimentos, sentindo como se não fosse digna de ser amada. Mas será que tem que ser sempre assim? Não, com certeza não!

Lembre-se: " Ha três possibilidades de mudança na relação: o eu, o outro, a relação. A única que depende exclusivamente de você é o eu! O outro depende dele. A relação, dos dois".
Rosimeire Zago
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Bert Hellinger nos traz a imagem de que a cada novo relacionamento, entramos com “menos”. Já deixamos “coisas” com os parceiros que vieram antes, e por isso temos menos à disposição, somos capazes de dar um pouco menos a cada novo relacionamento.

É importante salientar, porém, que esse é um movimento da alma, não se relaciona com bens ou coisas concretas e sim com a disponibilidade interna (de alma e coração) para se relacionar. Por isso, é mais fácil terminar um segundo relacionamento em comparação com o primeiro…e, sucessivamente, a cada novo relacionamento há menos vinculação e mais fácil se torna a separação.

Aqui, não entra qualquer juízo de valor, de certo ou errado. Apenas se mostra uma lei que atua sobre todos e que, independente de nossa vontade, age sobre nós.

Dar-se conta destas leis que foram observadas por Hellinger, nos ajuda a perceber muitas das nossas atitudes quando estamos nos relacionando. Principalmente para quem está no segundo ou terceiro relacionamento, compreender como elas atuam pode nos ajudar a compreender e dissolver conflitos com um parceiro, por exemplo.

Quando duas pessoas não conseguem separar-se civilizadamente, isso acontece, às vezes, porque não souberam tomar plenamente um do outro aquilo que lhes foi oferecido. Devem, pois, dizer-se “Recebi o que de bom me deste e vou guardá-lo como um tesouro. Tudo o que te dei, dei-o com gosto, portanto, guarda-o também.
Assumo a minha parcela de responsabilidade pelo que saiu errado entre nós e deixo-te a tua. Agora partirei tranquilo”. 
Se conseguirem dizer isto com sinceridade, podem separar-se em paz.

Muitas vezes os parceiros agem como se a sua participação no relacionamento fosse como a associação a um clube, associação livremente escolhida e que pode terminar livremente. Mas a consciência secreta e infatigável que zela pelo amor ensina outra coisa. Se fossemos livres para cancelar as nossas parcerias, a separação não magoaria tanto.
Numa parceria séria de iguais, estamos ligados um ao outro e não podemos separar-nos sem sofrimento e culpa.
Pensem em seus relacionamentos anteriores com amor ( mesmo que ainda doa), respeito e "tome-os" como foi...do jeito que foi...
Muda muita coisa ter este olhar!
Boa semana
Tais