domingo, 22 de outubro de 2017

Relacionamentos Afetivos e Zona de Conforto

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Se existe uma área onde a zona de conforto é destrutiva ao máximo é nos relacionamentos afetivos. Como neste caso a dinâmica de crescimento de duas pessoas está envolvida, os dois precisam crescer com a mesma velocidade.

Isso raramente acontece.

As pessoas não percebem onde estão quando se encontram; numa situação em que há o Princípio da Incerteza em ação. Posição e Momentum.

A Posição mostra como a pessoa está vivendo. Qual sua situação mental, emocional, financeira, profissional, afetiva, etc. Mas, não sabemos qual seu Momentum, sua velocidade de crescimento em todas essas áreas.

Quando o momentum de um é maior do que o do outro eles podem conviver por algum tempo sem problemas aparentes. Esse tempo é normalmente curto. Hoje em dia em dois ou três meses já se consegue avaliar isso e os relacionamentos acabam. Se dura mais que isso é porque um dos dois resolveu “empurrar com a barriga”. Porém, quanto mais tempo passa, mais distantes ficam um do outro. É que o momentum diferente faz isso inevitavelmente. Pensem em dois ângulos diferentes de crescimento e verão a distância entre os dois depois de um tempo.

No inicio quando se encontram compartilham durante um tempo uma determinada posição. É uma faixa pequena de espaço, que logo desaparece à medida que o momentum de um dos dois se acelera. E isso acontecerá de uma forma ou de outra, a não ser que os dois criem uma hierarquia entrelaçada, onde se estimulam mutuamente à crescerem juntos. E a resposta de ambos é de dar o máximo de si mesmos no seu crescimento pessoal. Assim eles entram no mesmo momentum e isso pode ser perpetuado.

Caso ambos pensem em “empurrar com a barriga”, a ação dinâmica do Universo fará com que se mexam. É o que se chama Teoria do Caos. Então um dos dois começa a crescer. O universo é um local de crescimento frenético. Ir contra isso é arrumar problema com certeza.

Existe ainda uma outra questão. O Princípio de Equidade. Estudos dos psicólogos americanos constataram isso. Classificando-se os dois numa escala de 1 a 10, não pode haver diferença maior que dois pontos entre ambos. Se isso acontecer o relacionamento é inviável.

Desta forma é preciso verificar que a distância é maior que dois pontos em cada área de vida: mental, emocional, profissional, educação, espiritual, afetiva, etc. Porque na média pode dar dois pontos, mas se existir uma diferença muito grande em alguma das áreas o relacionamento ficará comprometido.

Por que o momentum acaba com os relacionamentos? Por causa da zona de conforto.

O fato das pessoas não darem o melhor de si mesmas em tudo que é preciso fazer, causa essa diferença. Na prática como isso funciona?

É preciso ler livros de várias áreas simultaneamente. Livros difíceis.

Refinar e limpar o emocional sem parar, eliminando os bloqueios, traumas, nós, tabus, preconceitos, auto-sabotagem, paradigma irreal, etc.

Unindo-se ao Todo cada dia mais.

Deixando o ego de lado cada dia mais.

Pensando no bem do outro mais do que no próprio.

Dando mais do que recebe.

Crescendo afetiva e sexualmente sem parar.

E aqui temos um grave problema até hoje não resolvido pela humanidade. Se existe tabu é esse. E por que isso é tabu? Porque é aqui que está a afetividade e o amor. É preciso dar. É preciso baixar os escudos. É preciso ser humano. É preciso pensar no prazer do outro. É preciso fazer com amor e não mecanicamente. É preciso aprofundar o sentimento cada vez mais. A intimidade tem de crescer sem parar.

O que vemos hoje na humanidade? Uma relação sexual termina quando um dos dois tem um orgasmo! E como são necessários apenas alguns minutos para que isso aconteça vocês já sabem como fica a afetividade. Zero! Essa é a norma.

Todo terapeuta que escuta a verdade que seus clientes contam e constatam isso. O resto é a mentira social. Essa é a verdade nua e crua.

E isso contamina todo o resto da vida da pessoa. Pensa-se que as áreas são independentes. Posso viver sexualmente de um jeito e profissionalmente de outro. Na verdade tudo está interligado e quando uma coisa não vai bem ela afetará todo resto. Ou evoluímos como um todo ou temos problemas.

Vocês podem ver o estado da humanidade hoje e o tabu sexual que existe. É uma coisa só. Toda essa crise em todas as áreas e o problemas afetivo/sexual são uma coisa só. Por isso está tão difícil resolver a crise. Por isso existe tanta resistência em resolver os problemas. Porque nesta área quem quer mexer?

Enquanto a humanidade não enfrentar isso de frente, soltando todos os tabus e preconceitos não haverá solução, porque não haverá amor real entre os humanos. Fazer amor tem uma função muito maior do que se pensa hoje. As energias envolvidas são sagradas. São divinas. É preciso urgentemente rever esses conceitos. O sexo é sagrado. Tem de ser feito como um ato divino. Entre duas centelhas divinas.

E o que faz uma centelha divina? Ela se doa sem parar.
Hélio Couto
Vídeos: www.cursosheliocouto.com.br
Site Oficial: www.heliocouto.com
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A troca entre um casal baseia-se em duas necessidades:Uma é a necessidade pela compensação e a outra é a necessidade pelo amor. Portanto, se um parceiro dá ao outro algo com amor, então o outro toma isso. Porque este tem uma necessidade de compensação dá ao outro algo de mesmo valor. Mas porque ama  também devolve um pouco mais do que recebeu. Com o outro acontece o mesmo. Devolve mas por amor, um pouco mais. Assim, o intercâmbio e a felicidade aumentam através da união das duas necessidades de compensação e de amor. Esse é o princípio básico da felicidade.
 Um caso bastante comum é quando os pais de crianças, não olham para seus pais, não aceitam que toda força e a vida vêm dali, de muito longe...de seus avós, bisavós ...
Quando essa criança cresce e sente a necessidade de um relacionamento íntimo, sente-se fraca e desamparada. E esse parceiro, também se sente fraco e desamparado. Mas, se cada um deles vê que eles estão ligados a essa grande corrente (antepassados), então podem olhar para frente, com a força desta ancestralidade.
Então o casal pode tomar com calma todas as exigências que vêm ao seu encontro.
Aqui fica claro, portanto, a necessidade de se resolver , com amor, as diferenças existentes...para que os descendentes possam receber seus futuros parceiros, com a felicidade de poder ultrapassar as diferenças, com amor!
Mesmo que haja uma ruptura no casal e separem-se,é preciso chegar a este reconhecimento:"Respeito você, como você é e assim você me convinha; eu amei você assim e sempre amarei".  Qualquer que tenha sido o motivo da separação, não pode ser deslocado para o contexto da culpa, nem com o parceiro, nem consigo mesmo. Porque o que leva à separação é, frequentemente um mistério que não podemos desvendar.Tem muito a ver com o passado.Quando se sabe dessas relações e se pode reconhecer isso, os filhos se sentem também respeitados.
Boa semana!
Tais

domingo, 15 de outubro de 2017

Como nos abrir ao exito e à abundancia?

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"Quando podemos dizer que temos exito? Ou o que vivenciamos como a abundância?

Quando deixamos a sobrevivência! Quando estamos plenamente na vida. E isto só é possível após termos aceitado a ambos os pais incondicionalmente exatamente como são: humanos, imperfeitos, falhos, às vezes ausentes, omissos, cruéis, indiferentes ou amorosos, presentes ou ausentes, não importa. 

Esta é a principal condição para o êxito e a abundância que vem da mãe e para a realização profissional que recebemos do pai. É assim!

"Dinheiro, mãe e vida são energias equivalentes, como tratamos a mãe assim nos trata o dinheiro" 

Mas nem sempre é fácil. Uma rede complexa de emaranhamentos sistêmicos que herdamos, escolhemos ou recebemos da nossa memória emocional transgeracional amarra tanto os nossos pais quanto a nós mesmos enquanto filhos a situações traumáticas do passado familiar e muitas vezes cria obstáculos intransponíveis à harmonia e à aproximação entre pais e filhos.

E nosso êxito ou realização profissional ficam travados, limitados, ou totalmente impossibilitados.

Estar na abundancia é dispor de tudo que necessitamos. Do que realmente necessitamos!

E por mais incrível que possa parecer uma das condições para isto é simplesmente aceitar tudo como é e todos como são. Assentir. Apenas quando conseguimos fazer isto com convicção e quando aceitamos incondicionalmente nossa mãe como é deixamos a sobrevivência e possibilitamos a abundancia."
                                                                                                                                                            Brigite Champetier Ribes

Como alguém pode se abrir para o êxito e a abundancia?

Como deixar fluir a energia e a força do dinheiro?

Qual a importância de equilibrar o dar e o receber.

Quem recebe as heranças? Qual a condição fundamental?

Como flui o dinheiro no matrimonio?

Qual o significado das dívidas na vida de uma pessoa?

Por que razão algumas pessoas são jogadoras contumazes?

Quais as causas da avareza?

Todas estas são questões sistêmicas que podem ser "trabalhadas e olhadas" em uma constelação .
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Muitos cliente chegam buscando respostas e alternativas para uma mudança na sua relação com a prosperidade ( financeira, emocional, nos relacionamentos...) e ao deparar-se com a importância de dar um lugar de amor aos pais, ficam muito insatisfeitos e imediatamente, perguntam:
- O que tem a ver meus pais com minhas dificuldades financeiras?
Mas...todo sucesso , na vida, passa pela aceitação dos pais, como eles são. 
Reconhecendo nosso lugar no sistema, vemos que somos uma soma de muitas histórias. E todas elas são sintetizadas por nossos pais e na vida que eles passam para nós. Eles são o vínculo maior com o nosso sistema e nossa força. É através deles que acessamos tudo que veio antes e nos construiu.

Percebendo isso, podemos reconhecer que uma parte fundamental da nossa caminhada é a boa qualidade do vínculo com nossos pais. É uma ponte que liga os dois lados fundamentais do nosso sistemas: Nós (presente e futuro) e nossos antepassados (nossa história).

Imagine o seu sistema como uma inteligência que está sendo construída há muito tempo. Através de muitas décadas, pessoas neste sistema se desenvolveram para trabalhar, cuidar, aprender novos ofícios, além do desenvolvimento natural que cada indivíduo tem a oportunidade ao caminhar nesta vida.

A cada geração, os integrantes que chegavam recebiam um pouco mais que a anterior. Conhecimentos e inteligências eram compartilhados, riquezas (abundantes ou não) eram reinvestidas nos novos membros do sistema. Pais e mães cuidadosos – dentro do seus limites – que carregavam as novas gerações adiante.

Esse movimento entre gerações chegou até nós, através dos nossos pais. Eles nos passaram a vida e foram testemunhas e incentivadores dos nossos primeiros sucessos. É através deles que podemos acessar tudo o que veio antes. Nesse acúmulo de experiência que é a nossa história, reside nossa maior força.

Consequentemente, se não "tomamos" nossos pais , exatamente como são...não tomamos a nossa história e tudo que foi construído para que chegássemos até aqui! Caminhamos na vida praticamente sem nada...

Então, o que acontece quando interrompemos ou não aceitamos este vínculo? Primeiramente deixamos de acessar todo o fluxo da nossa história. E quando interrompemos este fluxo, nossa sensação de pertencimento fica fragilizada, trazendo um vazio na nossa vida.

Muitas pessoas sentem isso e buscam em experiências externas aquilo que realmente falta. Nós somos a soma de nossos pais, somos constituídos pelo material deles, passados a nós por eles. Se os negamos ou negamos sua história, estamos em um nível mais profundo, negando a nós mesmos.

A dualidade deste sentimento é um peso para qualquer indivíduo. Por isso, o caminho da cura passa pelo pai e pela mãe, e pela inclusão destes no coração e na vida de cada um. Ao restabelecer o fluxo, recebemos o presente do pertencimento, de encontrar nosso lugar. Nos encontramos e podemos seguir adiante, com as peças da nossa história cada uma em seu lugar.
Boa semana
Tais

domingo, 8 de outubro de 2017

O homem que não sabe relaxar

Recebi uma missão difícil do meu terapeuta: olhar para o ócio. Olhar para o estado do “não fazer nada”. Recomendou-me até a leitura do Ócio Criativo, de Domenico De Masi, coisa que iniciei ontem mesmo, afinal, fazer é comigo mesmo! Até ler sobre o não-fazer está valendo! Não sei parar, e embora pare muitas vezes, estou sempre “fazendo” algo, mesmo que seja planejando minhas viagens na maionese. Tudo tem que ter um sentido: a volta no parque é para emagrecer. As viagens é para me inspirar. A meditação é para acalmar a mente. A oração é para falar com a espiritualidade. O que escrevo é para levar conteúdos aos leitores. O meu trabalho é uma missão. Tudo precisa ter um sentido!

Walfredo detectou, na minha fala, diversos adjetivos pesados, quando eu me referia ao estar neste lugar “do não-fazer”. Inútil. Sem sentido. Aborrecido. Desconfortável. E enquanto ele desfilava algumas possíveis razões para eu não saber lidar com este estado natural de relaxamento e prazer – relaxamento e prazer? Que é isso? – sentado na confortável poltrona do consultório, pulavam em minha mente imagens do Alex, pequenino, brincando no quintal da casa em Suzano. Horas e horas devaneando, mexendo com meus soldadinhos e o forte apache, conversando com o meu cachorro, olhando os movimentos das formigas no formigueiro e conversando com elas, sentindo o ar e a brisa no meu corpo, vivendo um mundo prazeroso, dentro de mim mesmo, e…

– Alexandre! Alexaaaaannnndreeeeee!!! Venha já pra dentro! Você não fez as lições? Limpou o banheiro? Já se arrumou? É uma lentidão, você, heim? Quanta indolência! Se apresse, mariquinha!

Vovó, com a gentileza que não lhe era característica, me tirava do estado de deslumbramento comigo e meus mundos, para jogar-me cruelmente no mundo daqueles que fazem alguma coisa. Limpar banheiro? Que merda! Lição… para quê? Trocar de roupa? Eu só estou com esta faz dois dias!

E eu lutava bravamente para permanecer no meu mundo interno. Sentava na mesa, abria o caderno e os livros, mas devaneava, devaneava, devaneava…

– Alexaaaannnndreeee!!!! Eu não aguento mais a sua preguiça!!! Você não vai jantar, enquanto não acabar estas lições!

Entre no sentimento desta cena…

Esta era a instrução de Walfredo, o terapeuta. Sentir? Sim!

Bem… sentia-me extremamente invadido. Talvez pela primeira vez eu validei que eu sentia PRAZER em estar neste lugar interno. Era muito bom! Eu viajava, era criativo, o melhor de mim aflorava nestes momentos. E não somente vovó, mas vovô e meu irmão, dia-a-dia, iam desconstruindo o menino sonhador e feliz que vivia dentro de mim.

– Vagabundo! Você é burro mesmo! Lerdo! Não aprende nada! Idiota! Você é estúpido!

Os adjetivos proferidos por eles eram rudes, duros… êpa, pera lá! Tão duros e semelhantes aos adjetivos que comecei a disparar, aos cinquenta anos de idade, ao me referir aos momentos de ócio. Essa fala não é minha. É deles! Eles mataram a minha criança sonhadora, e eu aceitei! Pelo menos é o que minha criança ferida diz.

– Vem uma tristeza profunda, Wal. Depois raiva, e sentimento de vingança. Um dia eles vão ver só! Sim! Lembro-me que aos 11 anos, parece que virou uma chavinha na minha mente, e eu resolvi mostrar o quanto eu podia ser aquilo que eles queriam que fosse… e muito melhor que eles, um bando de fracassados – dois velhos e um cara desequilibrado! Passei a perceber a lógica de tudo. Comecei a ganhar os jogos de xadrez do vovô e do meu irmão mais velho. Na escola, passei a me destacar. Não um gênio, mas bom em muitas coisas. E embora isso impactasse a minha família, continuei sentindo que não era validado. Por nenhum dos três: vovô, vovó e meu irmão. Eles pararam de me xingar, mas não vinha elogios… Quanto mais os anos passavam, mais ódio eu tinha. Lerdo?!? Vocês vão ver só….

Estava criado o pacto de vingança… Eu não posso mais relaxar, viajar nos meus mundos, ter prazer. Tenho que ser competitivo e fazer coisas com sentido. Para esfregar na fuça de vocês, que me humilharam…

“Foque na vergonha que você ainda tem de si mesmo. Por que você precisa ser tão importante? Porque você é inseguro. Por que você é inseguro? Porque existem partes de você que ainda não aceitou, e tem vergonha. Procure identificar essas partes que você ainda tem vergonha. Tenha coragem de se olhar no espelho. Aí você tem uma pista de onde você foi bloqueado. Onde a sua espontaneidade e a sua inocência foram bloqueadas. Onde houve uma cisão com o Eu divino.

Eu estou falando de traumas e choques de exclusão, humilhação, abandono e rejeição. Esses sentimentos dos choques estão ali: o medo, a humilhação, revolta, mágoas… Ainda estão no seu corpo emocional. Por que eu estou afirmando que esses sentimentos ainda estão no seu corpo emocional? Por conta dos condicionamentos mentais que geram as repetições negativas”, diz Prem Baba, liderança espiritual que utiliza a psicologia para abrir caminhos em direção ao Eu real que habita a todos.

Qual repetição negativa está ocorrendo na minha vida, hoje? A dificuldade de relaxar e curtir a vida, como ela é. A sensação de que eu tenho sempre que fazer “algo importante”… e que não posso parar. Não posso relaxar. Não posso curtir as coisas como elas são, mesmo que eu não faça absolutamente nada.

Resgatando a criança sonhadora

Eu era feliz. Sim, eu era muito feliz! Não precisa de nada. Um formigueiro. Meia-dúzia de bonequinhos. Galhos, terra. Meu cachorro. O cantar dos pássaros. Minha Caloi. A bola de couro com as “orelhas” descoladas. Não queria a presença deles. Era só eu. Para que família, se eles são tão loucos e corrosivos? Eu me basto! E me bastava…

Talvez por isso criei aversão a estar muito profundamente ligado à família. Curto um pouco, dou uns sorrisinhos, e quero mais é ir embora. Mas estes anos todos, fugir não aliviou a minha dor de não curtir a vida. Bebi muito, fiz e faço muitas viagens, parti para o vício no trabalho e do fazer, fazer, fazer… e hoje descobri que todas as distrações e vícios foram colocados para anestesiar a dor do assassinato da minha criança sonhadora. E feliz. E quem a matou… fui eu!!!

“É fácil entender porque o ego interpreta a felicidade, o amor e a paz espiritual como seus inimigos: porque quando desfrutamos desses estados de ânimo, experimentamos nossa essência espiritual. Nesses momentos, vemos um mundo muito distinto daquele que nosso ego nos proporciona. Perdoar é fácil quando vemos o mundo através dos olhos do amor, na medida em que resulta claro que as respostas buscadas ao longo de toda nossa vida podem ser encontradas ali, e não, como supõem o ego, nas coisas externas”, explica Gerald Jampolsky, no livro El perdón.

Aquele Alex era feliz. E é feliz. Foi o que senti, enquanto ia, lentamente, me vendo brincando, sonhando, jogado ao nada, naquele quintal, nos fundos de casa.

O Alex que me transformei conquistou muito. Aprendeu, competindo, chegando longe, conseguindo adquirir coisas, a ser um bom cumpridor de tarefas. Aprendeu a fazer a lição de casa, a limpar o banheiro, manter as roupas arrumadas, como vovó queria. E hoje ele é muito competente nessas tarefas. E dezenas de outras. Mas vovó não poderá aprovar. Nem vovô. Nem meu irmão. Estão todos mortos.

Agora eu posso deixar a mesa da cozinha, e retornar ao quintal. Sozinho. Não há ninguém que vá me impedir. As lições estão feitas, a casa arrumada. Eu obedeci vocês, minha família. Conquistei um lugar ao sol. Sou um grande profissional. Tenho filhos. Uma esposa maravilhosa. Dívidas pagas, dinheiro guardado. Um caminho espiritual trilhado. Mas a minha felicidade não está nas minhas conquistas.

Saio pela porta da cozinha. O mato tomou o quintal. As paredes do muro, em ruínas, descascadas, quase não se seguram em pé. O cachorro não vem mais pulando ao meu encontro. Ele também morreu. Revolvo o mato. Sim! Há formigas! Elas não foram embora! Muitas delas… e algo meio esquisito, um torrão de barro disforme, me chama a atenção. Me abaixo, abro o mato que me atrapalha. Seguro esta… pedra? Não… A ponta de uma espada de plástico se mostra, saindo das placas de terra. O meu general Custer também está lá… Sento-me ao chão… Começo a limpar, devagar e carinhosamente, a terra endurecida, em volta do “meu comandante”… Piranga, meu cachorro collie, vem correndo, enorme e babando, e pula nas minhas costas…

Alex Possato
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domingo, 1 de outubro de 2017

Seu relacionamento está em crise? Quer resolver? Comece por você!

 
Como está o relacionamento com seu parceiro? E como está sua relação consigo mesmo? O que um tem haver com outro? Tudo! Enquanto você não aprender a identificar suas necessidades emocionais que não foram supridas nos primeiros anos de vida, tenderá a buscar isso nos relacionamentos. Calma… Isso acontece de forma inconsciente, mas precisa saber disso para começar a identificar.

Parece que quando amamos, nós deixamos de lado e só vemos o ser amado. Fazemos de tudo para agradá-lo e, ainda assim, parece que nunca conseguimos. Mas será que agir assim agradar você? Provavelmente, não! Antes de agradar ao outro, tem que saber agradar a si mesma! Conhecer-se mais! Identificar suas necessidades emocionais! Conhecer suas crenças ! Como fazer isso? O mais indicado é buscar um profissional de confiança e iniciar um processo de auto conhecimento.

Mas também podem começar sozinho. Pense por alguns minutos na suas lembranças de infância. Quais são? Se encontrasse com sua criança agora, o que ela pediria?… Pense sobre isso e como suprir suas necessidades. O que tem feito por você?  O que gosta de fazer? O que está impedindo de fazer mais por si mesma? É, muita coisa para pensar!

A falta de diálogo com o companheiro é uma das causas mais comuns de conflitos e o caminho mais certo para uma separação. Em geral, as pessoas não tem o hábito de conversar consigo mesmas, então, como irão conseguir se comunicar com outro? Sim, converse muito com sigo mesma, pode ser escrevendo tudo que sente e refletir depois. Vai ajudar muito a organizar a sua mente se conhecer melhor.

Outro fator que pode interferir muito no relacionamento e também tem  a ver com os primeiros anos de vida são as repetições de padrões. O inconsciente e tende a repetir tudo que viveu, ainda que sejam mostrados.
E sendo assim você pode estar vivendo exatamente aquilo que nunca mais queria te ver. Pense como era seu ambiente na infância. O que prevalecia? Tinha diálogo ou violência ?  Passo ou brigas constantes? Você sofreu algum tipo de abuso? O que sentia? Será que está vivendo/sentindo no seu relacionamento atual?

Ainda temos as crenças, que podem limitar e também são aprendidas nos primeiros anos de vida. Se você ouvia constantemente: "casamento é para sempre ou em nossa família nunca teremos divórcio", poderá ter muita dificuldade em se separar pela crença aprendida muito cedo e ficou gravado em seu inconsciente, e que como já sabe agora, ele tenderá repetir como verdade absoluta. Quais eram as frases que eu ouvia e que podem estar lhe impedindo de agir como deseja? Crenças precisam e devem ser atualizados. Quais são as suas?

Como pode perceber, uma crise no relacionamento pode ter várias causas, que podem ter origem na sua história de vida. Para identificá-las é preciso muita coragem para olhar para o que tem lhe machucado e por medo do que pode ser identificado, você ignora como se nada estivesse acontecendo. Resultado: foge da verdade trabalhando mais, comendo mais, dormindo mais, envolvendo-se em relações passageiras sem vínculos. Ou seja, fará de tudo para evitar pensar e principalmente sentir. E se continuar a ignorar o que sente, os conflitos começam a se acumular, a crise sem instala e poderão surgir sintomas físicos. Assim, vai se machucando, acumulando mágoas e ressentimentos, sentindo como se não fosse digna de ser amada. Mas será que tem que ser sempre assim? Não, com certeza não!

Lembre-se: " Ha três possibilidades de mudança na relação: o eu, o outro, a relação. A única que depende exclusivamente de você é o eu! O outro depende dele. A relação, dos dois".
Rosimeire Zago
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Bert Hellinger nos traz a imagem de que a cada novo relacionamento, entramos com “menos”. Já deixamos “coisas” com os parceiros que vieram antes, e por isso temos menos à disposição, somos capazes de dar um pouco menos a cada novo relacionamento.

É importante salientar, porém, que esse é um movimento da alma, não se relaciona com bens ou coisas concretas e sim com a disponibilidade interna (de alma e coração) para se relacionar. Por isso, é mais fácil terminar um segundo relacionamento em comparação com o primeiro…e, sucessivamente, a cada novo relacionamento há menos vinculação e mais fácil se torna a separação.

Aqui, não entra qualquer juízo de valor, de certo ou errado. Apenas se mostra uma lei que atua sobre todos e que, independente de nossa vontade, age sobre nós.

Dar-se conta destas leis que foram observadas por Hellinger, nos ajuda a perceber muitas das nossas atitudes quando estamos nos relacionando. Principalmente para quem está no segundo ou terceiro relacionamento, compreender como elas atuam pode nos ajudar a compreender e dissolver conflitos com um parceiro, por exemplo.

Quando duas pessoas não conseguem separar-se civilizadamente, isso acontece, às vezes, porque não souberam tomar plenamente um do outro aquilo que lhes foi oferecido. Devem, pois, dizer-se “Recebi o que de bom me deste e vou guardá-lo como um tesouro. Tudo o que te dei, dei-o com gosto, portanto, guarda-o também.
Assumo a minha parcela de responsabilidade pelo que saiu errado entre nós e deixo-te a tua. Agora partirei tranquilo”. 
Se conseguirem dizer isto com sinceridade, podem separar-se em paz.

Muitas vezes os parceiros agem como se a sua participação no relacionamento fosse como a associação a um clube, associação livremente escolhida e que pode terminar livremente. Mas a consciência secreta e infatigável que zela pelo amor ensina outra coisa. Se fossemos livres para cancelar as nossas parcerias, a separação não magoaria tanto.
Numa parceria séria de iguais, estamos ligados um ao outro e não podemos separar-nos sem sofrimento e culpa.
Pensem em seus relacionamentos anteriores com amor ( mesmo que ainda doa), respeito e "tome-os" como foi...do jeito que foi...
Muda muita coisa ter este olhar!
Boa semana
Tais

domingo, 24 de setembro de 2017

Você se separou… o difícil encontro consigo mesmo!


Depois de tantos planos, sonhos, encontros, desencontros, decepções, expectativas frustradas, necessidades emocionais não satisfeitas, amor e brigas, você consegue coragem e, enfim, está separado. E agora??? Como enfrentar as exigências da vida, o tempo livre, a cama vazia, os finais de semana sem companhia, mas também sem brigas, e se deparar consigo mesmo? Como lidar com a dor e angústia que sente?

É um momento marcado por muita confusão e dúvidas. Vive-se uma alternância de raiva, tristeza e saudade. Raiva pelo que aconteceu e da forma que aconteceu, tristeza por tudo de bom que se viveu e não vive mais, e até pelo que ainda gostaria de viver ao lado dessa pessoa e saudade dos momentos bons. E esquecemos o principal: o real motivo que motivou a separação.

No final de um relacionamento as pessoas tendem a buscar culpados, mas o que importa mesmo é encontrar a causa dos problemas que aos poucos foi se instalando. Conseguir examinar a relação passada com objetividade e serenidade não é uma tarefa simples, principalmente para quem não está acostumado a refletir e analisar suas próprias emoções e sentimentos.

Fugir do que sente não elimina a angústia, mas pode alimentá-la ainda mais. Muitas pessoas recorrem ao uso de álcool, drogas, relacionamentos casuais, comida em excesso ou deixam de se alimentar, como fuga de uma realidade dolorosa, ainda que inconsciente. Mas com certeza, não será negando ou fugindo do que sente que irá se livrar da dor. Deixar que o desespero e as lágrimas tomem conta também não vai ajudar. Tudo isso só irá aumentar seu sofrimento. Nessa fuga incessante de si mesmo, não conseguirá refletir sobre o que sente e o que aconteceu. É hora de acolher suas emoções e analisar com a razão.

Sim, analisar a relação que acabou poderá fazê-lo compreender melhor o que ocorreu e se conhecer mais. É hora de pensar sobre o que está sentindo, avaliar os fatores que influenciaram essa decisão, aumentando a consciência de si e dos próprios limites. O quanto você suportou para manter o relacionamento até aqui?

Lembrar sobre quando a relação começou também pode trazer mais compreensão ao momento presente. Haviam sonhos, desejos, ilusões, que por alguns motivos deixaram de existir. Como isso aconteceu? Será que você queria mesmo esse relacionamento? Cedeu demais para agradar? Deixou de lado valores importantes, mas que agora se tornam importantes? É momento de lembrar dos fatos, comportamentos, o que levou cada um a tomar as atitudes que foram tomadas e identificar em que ponto seu próprio crescimento foi interrompido. E principalmente, identificar em que momento você se abandonou.

Umas das consequências da separação é a solidão, mas será que já não estava só muito antes do término? Quantas vezes você foi sozinho naquele encontro com amigos ou família? Quantas vezes se sentiu só com os próprios sentimentos? Quantas vezes não teve com quem conversar ou sentiu que falava sozinho? Quanto tempo ficou sem receber carinho?

O medo de ficar sozinho pode fazer com que comece muito rápido um novo relacionamento, correndo o risco de repetir todos os comportamentos negativos da relação passada. O mais aconselhável é dar um tempo para encontrar-se consigo mesmo, pois só estará efetivamente saudável para uma nova relação a dois quando for capaz de enfrentar a vida sozinho, a menos que já tenha a certeza de que a relação passada não deixou nenhum vestígio, o que raramente acontece.

É essencial perceber que ficar sozinho pode ter muito aprendizado, como permitir a introspecção, a reflexão dos fatos, e principalmente, um maior encontro com seu verdadeiro eu. Viver sozinho não significa necessariamente sentir-se só. A solidão nasce dentro da própria pessoa, quando ela perde o contato com seu eu interior, negando, fugindo ou reprimindo o que sente. Só se sente sozinho quem abandona a si mesmo.

Pense em quantas coisas você deixou de fazer porque a outra pessoa não gostava ou por falta de tempo? Passado o período de adaptação, poderá descobrir inúmeras coisas que poderá fazer por si mesmo. Ao se separar, irá ter muito mais tempo para fazer coisas que gosta e nem se lembra mais. Por que não visitar amigos, ler aqueles livros que comprou e sequer os abriu, dedicar-se a um hobby, fazer um trabalho voluntário? São pequenas coisas que poderão aos poucos lhe trazer de novo prazer de viver.

De fato, os momentos de saudade e tristeza pelas lembranças do passado são inevitáveis, mas é importante vivê-los consciente de todo aprendizado, e dar ao passado o direito de existir sem que para isso precise destruir o momento presente. Ninguém pode evitar a sensação de abandono e a falta de quem se foi faz em sua vida, mas também ninguém pode te privar que sinta uma força interior que aos poucos irá adquirir ao se permitir estar em paz consigo mesmo. E isso não tem preço!
Rosemeire Zago
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Para que o amor dê certo... o que é necessário?
"O amor dá certo de muitas formas, e essas formas dependem umas das outras. A base para o amor entre o homem e a mulher tenha êxito é necessário que o amor da criança pelos pais e dos pais pela criança. Quando existem dificuldades no relacionamento a dois, isto frequentemente está ligado ao fato de que aquilo que antecede o amor entre o casal ainda precisa de uma solução. Isto porque no relacionamento a dois  queremos alcançar algo que talvez não tenhamos conseguido no amor pelos nossos pais. Mas isso não dá certo sem que, primeiramente o amor pelos pais comece a fluir.

Algo mais precisa ser observado para que o amor dê certo. O amor dá certo preliminarmente. É uma fase em um todo maior e aspira uma completude. A completude do amor é a despedida no final. O amor entre o casal é - uma preparação para e despedida no final. O amor é - nas desilusões que algumas vezes traz, nas crises que algumas vezes traz - uma preparação para a despedida. Quando a despedida no amor é vivenciada desde o começo, o amor recebe, face à despedida, algo precioso. Exatamente porque é limitado. Isso também tem que ser considerado.

A troca que o casal faz , assim como num intercâmbio, só aumenta a felicidade, aumenta através das duas necessidades de compensação ( dar e receber e vice versa) e de amor. Esse é o princípio básico da felicidade."
Tais

domingo, 17 de setembro de 2017

O perdão como repressão, já pensou nisso?


Você já foi cobrado para perdoar quem lhe fez sofrer? Ou é você mesmo que se cobra? Não estou dizendo de uma simples briga de namorados, briga entre irmãos, ou qualquer outro conflito que possa acontecer, que também pode trazer dor e sofrimento; me refiro a dores geradas por abusos físicos, emocionais e sexuais de quando ainda éramos crianças.

Muitas crianças sofrem abusos, e enquanto sentem suas dores, todo o seu ser quer gritar a sua raiva, expressar sua revolta e pedir ajuda, mas não consegue. Tenta apagar, apagar completamente de sua memória tudo o que foi infligido, a banir de sua consciência a sua revolta, raiva, medo, sofrendo o intolerável, mas também não consegue. Crianças abusadas sofrem em silêncio porque quase sempre são ameaçadas, e no silêncio de suas dores reprimidas, sem terem com quem contar e receber apoio, também sentem culpa por tudo que lhes acontece. Algumas crianças se fecham em verdadeiros casulos, outras se tornam rebeldes, e outras adoecem, não porque assim o querem, mas com a intenção de serem ouvidas em seu jeito particular de se expressarem. Os anos passam e essas dores vão sendo reprimidas, pois a criança não tem nenhum tipo de estrutura para se defender. E nem encontram que as defenda, lamentavelmente.

Quando todas as tentativas de encontrar quem possa entender as expressões de suas dores, não tiveram sucesso, tenta ser ouvido pela linguagem dos sintomas, doenças, dores sem causa. Alguns esquecem, mas quando adultos podem ter suas lembranças trazidas por sonhos ou sintomas, fazendo com que aquelas cenas de horror se tornem novamente presentes. Agora adulta, começa a suspeitar que a causa de seu sofrimento de toda sua vida pode estar relacionada a sua infância.

Entre os sobreviventes de tal tortura, encontramos dentro de cada adulto uma criança que continua a viver na escuridão do medo, repressão, ameaça. Sentem-se ainda, enganadas em seu amor e confiança, violadas em sua dor, humilhadas, pois foram maltratadas por aqueles a quem espera-se receber amor. Difícil suportar tudo sozinha, mas em quem confiar?

Quando conseguem ter coragem para contar os abusos sofridos para aqueles que deveriam ter lhes defendido (mãe, tios, primos) quando crianças, são cobrados que devem perdoar, e que continuem a convivência. Sim, é muito comum mães pedirem isso!!! Ouço constantemente relatos de pessoas que foram abusadas sexualmente quando crianças, a maioria pelo próprio pai, que devem “perdoar”. Em geral essa cobrança é feita pela própria mãe, que quase sempre tem muitos motivos para tal pedido: manter a “família unida”, medo de ficar sozinha, dependência financeira e/ou emocional, enfim, sempre existe algum interesse próprio para que sua filha perdoe o que o marido fez, em prol da “ilusória família”. Ilusória, por que, como uma mãe pode acreditar que é possível continuar existindo uma família, como se nada tivesse acontecido, depois de saber que sua filha foi cruelmente abusada? Como pode ser possível continuar a conviver com o abusador como se nada tivesse acontecido? Perdoar??!!! Parece absurdo para quem não vive essa realidade, mas é mais comum do que podemos imaginar.

Conscientes ou não dos abusos sofridos, as sequelas se fazem presentes, lamentavelmente, ou sabiamente, por que é isso que muitas vezes faz com que, já adulta, procure ajuda de um psicólogo para acompanhar os passos desta dolorosa exploração. Quando supreendentemente, no ambiente psicoterapêutico, ouvem sobre a necessidade do perdão como condição para a cura. É comum esses sobreviventes, ouvirem: “você não pode ser curado até que tenha perdoado seus pais por tudo que te fizeram. Embora seu pai era alcoólatra, abusou de você, bateu, xingou, humilhou, abusou sexualmente, ou te fez roubar, causando sofrimento além do que você podia suportar – ainda assim você deve perdoá-lo, caso contrário você não será capaz de se curar”. Ou ainda: “se você não perdoar sua mãe, ou pai, você nunca vai perdoar a si mesmo, nem se curar”. Como assim? Em vez de ajudar o paciente a se livrar dos sentimentos de culpa que já carrega – que deve ser o papel da psicoterapia ou análise – um requisito adicional lhe é imposto, reforçando seu sentimento de culpa, que já é imenso.

Sim, muitos programas, e até “profissionais”, dizem que você tem que submeter-se ao “perdão”, supostamente necessário para a cura. Não acredite nisso! Atolados no sistema educacional, em vez de ajudar o paciente a se livrar das consequências do trauma, eles oferecem-lhe a moralidade tradicional. Quando um “profissional” diz que a cura emocional se alcança com o perdão, na verdade está retraumatizando aquele que o procurou, com mais culpa, além do que já carrega por tudo que passou e teve que reprimir por anos, pois dificilmente quem sofreu algum tipo de abuso consegue perdoar, e não conseguindo, sentirá mais culpa ainda, como se fosse incapaz de tal ato.

Qualquer tipo de abuso, seja físico, emocional ou sexual, deixa marcas, dores, e muitas sequelas. E qual direito alguém tem para pedir que a vítima perdoe quem a abusou e, inclusive continue a conviver com o abusador? Quando são os pais ou familiares que pedem – ou impõem – o perdão, posso até entender, porque é assim que aprendemos, são crenças difíceis de serem atualizadas, mas é inadmissível quando isso vem de profissionais da saúde mental que agem como se fossem verdadeiros sacerdotes, sendo que estamos longe desse papel.

O perdão pode sim ser exercido por qualquer pessoa, como uma escolha de acordo com sua prática religiosa, e cabe a cada um avaliar de acordo com suas crenças, que não cabe no ambiente psicoterapêutico, a não ser que seja trazido pela própria pessoa, e nunca sugerido pelo profissional.

O perdão não elimina o ódio e a raiva natural de quem foi abusado e sofre por muitos anos calado em sua dor. Todas as engrenagens da máquina do perdão, podem funcionar quase que perfeitamente – mas à custa da verdade. É um modo sutil de dizer: “não leve isso adiante, continue a reprimir o que você levou anos para conseguir expressar”, como se as próprias sequelas de qualquer abuso não insistissem em se fazer presente, muitas vezes, mesmo depois de muitos anos do abuso sofrido.

Pedir que se perdoe quem lhe causou – e ainda causa – tanto sofrimento, quando exigido por familiares ou “profissionais”, como único caminho da cura, é o mesmo que pedir para que continue a negar a verdade, vindo na direção oposta do que tanto lutamos para que cada sobrevivente consiga: ter suas dores validadas, e isso só se consegue com a verdade, pois sabemos que é só através da verdade que realmente começamos o processo de cura.

Há muitas outras situações em que o perdão é colocado como único caminho para a cura. Mas será mesmo? É possível pedir para alguém perdoar o pai, tio ou quem seja, que lhe abusou sexualmente durante toda sua infância? E agora adulta não consegue ter nenhum relacionamento amoroso por causa disso? É possível pedir que se perdoe uma mãe que durante anos rejeitou sua filha, a humilhou, bateu, gritou, ofendeu, comprometendo assim toda sua vida? Há muitos outros casos, infelizmente, mas só quem passou por abusos em seus primeiros anos, sabe a dor que sentiram e as sequelas que carregam. Não seria muito mais honesto, deixarmos que cada adulto que sobreviveu a tantos abusos quando criança, seja livre para viver longe desses algozes, sem ser cobrado que os perdoem, como se o perdão fosse seu único caminho para a cura?

Alice Miller, lutadora incansável da importância de rompermos com o silêncio do sofrimento na infância, escreveu:

“… Apenas com a descoberta de sua própria verdade, no processo de terapia, passo a passo, sem uma falsa moral, pode parar essa ideologia desastrosa. Pois é somente com a sua própria verdade que homens e mulheres que sobreviveram ao abuso estarão livres de consequências. O esforço exigido pelo perdão está longe de sua verdade. Uma terapia eficaz deve trazer o paciente para acessar os seus sentimentos, porque só esse acesso lhe permitirá encontrar o seu caminho e ser autenticamente coerente com ele mesmo. Aplicações moralizantes só podem bloquear o acesso”.

E para completar ela ainda diz:

“As religiões podem exercer um enorme poder sobre nossas mentes e empurrar-nos em muitas maneiras de enganar a nós mesmos. Mas eles não têm a menor influência sobre nosso corpo, que conhece as nossas verdadeiras emoções, e insiste em que nós o respeitemos”.
Rosimeire Zago
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Para o trabalho em Constelação Familiar, segundo Bert Hellinger é diferente, segundo ele, nos não podemos perdoar. Pois quando nos colocamos no lugar de quem vai perdoar, nos colocamos acima do perdoado, gerando um desequilíbrio.
Hellinger diz: – Não temos esse direito e nem esse poder. É contrario as leis sistêmicas e a ordem do amor. Isso é uma postura arrogante de querermos perdoar o outro.
Esta é uma forma completamente diferente de qualquer outra doutrina filosófica, não melhor nem pior, é diferente. Por que isso?
Por que faz parte de um conjunto de “saberes”, um método de trabalho, onde as pessoas aprendem uma maneira de lidar com o Amor, e resulta numa maneira diferenciada de curar as feridas dos seus sistemas, isto é, dos relacionamentos.
Então, dentro das Constelações Familiares, para que a cura possa ser possível, olhamos para a pessoa que causamos dor e sofrimento e ao invés de dizer eu te perdôo, eu digo, olhando nos olhos:
– Eu sinto muito.
Ao olhar para a pessoa e dizer que sentimos muito, reconhecemos o nosso lugar na relação, oferecemos um espaço de igualdade, consideramos perante o outro que falhamos que assumimos isso, e que estamos nos submetendo a esse acerto de contas e levamos em consideração a pessoa e respeitamo-la, e deixamos com ela o tempo que for necessário para que a reparação possa se dar. Assim, a pessoa culpada, conserva a sua dignidade e tem oportunidade de sentir-se respeitada. E sem nenhuma cobrança. Deixamos livre.

Através dessa postura, quando sentimos muito, trazemos de volta para dentro de si a compreensão do que aconteceu, a responsabilidade do que aconteceu e ao mesmo tempo, deixamos o outro livre para aceitar ou não, nosso pedido de reparação.
Ocorre que, esse gesto de humildade, comove o outro e libera o amor da alma, que coloca em movimento “as forças curativas”, que possibilita: – que o que foi interrompido, volte a fluir…
É outro caminho.
Temos sempre que ter clareza do Sistema de Crenças ao qual estamos vinculados, e saber que em cada um deles existem regras e possibilidade de chegar ao Divino, pois, o amor que flui em nossos relacionamentos, significa o divino agindo em nós e a partir de nós, sendo o amor em ação.
Precisamos sempre avaliar se aquilo que temos como certo está realmente dando resultados.
Se não, podemos abrir novas possibilidades e experimentar outras formas.
Perdoar é uma difícil tarefa, exige de nós uma profunda reflexão.
Existem pessoas que perdoam com a mente, mas não com o coração.
Logo, o corpo adoece, como um sinal que “algo” não está tão bem conforme o esperado.
Fica aqui uma possibilidade de reflexão. Boa semana!
Taís

domingo, 10 de setembro de 2017

Você está vivendo um conflito e não sabe o que fazer?




Nem sempre sabemos o que fazer diante de algum conflito. Eu sempre gosto de lembrar que a maioria deles pode ser amenizado obtendo o autoconhecimento, que se consegue efetivamente com o processo da psicoterapia. E qual a diferença que isso faz na nossa vida? Toda! Só quem já passou pelo processo consegue avaliar.

Dificilmente conseguimos olhar para tudo que há dentro de nós sem auxílio de um profissional. Amigos podem ajudar? Claro que sim, mas cada um traz em si um histórico de vida, e quando contamos algo a alguém e nos é dado um conselho ou opinião, em geral essa resposta estará contaminada com o histórico da pessoa. Ou seja, aquilo que ela viveu irá interferir diretamente na opinião que irá lhe dar; diferente do profissional que não está lá para te dizer o quê ou como fazer, mas sim proporcionar uma maior reflexão de seus próprios sentimentos e atitudes. Quer um exemplo? Se você contar para um amigo uma briga que teve com sua mãe, irá ouvir algo relacionado com o referencial que seu amigo viveu durante a vida em relação à mãe dele. Raramente você irá ouvir como resposta algo que o faça refletir sobre seus próprios sentimentos. Ou ainda, irá ouvir um relato dos conflitos que essa pessoa está vivendo, e você com seus sentimentos será colocado de lado.

Outro fator importante é que na psicoterapia, dependendo da linha ou teoria do trabalho, é considerado não apenas o consciente, mas principalmente o inconsciente, onde está registrado tudo aquilo que viveu, e principalmente o que sente, desde a concepção até o momento presente. E muitas pessoas por não terem esse conhecimento acabam por limitar a percepção de si mesmas. Ou seja, para nos conhecermos devemos considerar também os aspectos inconscientes. O que raramente um amigo irá fazer. 

São os pensamentos que criam os sentimentos, que irão criar as atitudes (intenção) e comportamentos (ação). Mas tememos os sentimentos, fugimos deles, negamos senti-los e com isso, as dificuldades se somam. O fato de ignorarmos o que sentimos não faz com que desapareçam de dentro de nós, pelo contrário, tudo o que é negado se torna mais forte.

Quando reprimimos o que sentimos, estamos impedindo que a energia contida se manifeste e nos mantemos no mesmo padrão de comportamento, não permitindo que as mudanças, tão essencial ao crescimento, se efetuem. E com isso, seguimos a vida repetindo padrões. Ao refletir sobre sua vida poderá encontrar padrões de comportamentos e/ou sentimentos que se repetem. Muitas vezes as situações são diferentes, mas o sentimento despertado geralmente já é conhecido. Caso consiga identificar o sentimento que tem tido nas últimas semanas, poderá perceber que é um sentimento que o acompanha há muito tempo. 

Para que você possa se conhecer profundamente é necessário deixar que todas as emoções, e suas origens, se tornem conscientes. Sem fugas, que em geral acontecem de diversas maneiras, seja trabalhando em excesso, consumindo álcool, tendo compulsão por comida, compras, jogos, etc. Estamos constantemente ocupados com tantos afazeres, que sequer nos damos tempo para identificar o que sentimos. Tudo isso faz com que olhemos apenas para fora, e não para dentro de nós. Estamos sempre apagando incêndios e vivendo no automático, não nos damos tempo para ouvir aquilo que muitas vezes grita dentro de nós. É quando surgem doenças e sintomas, como que para nos fazer ouvir o que negamos. Se você deixasse que sua alma gritasse, o que ela diria? Ouça-a!

Também fugimos quando mantemos relações afetivas destrutivas. Ficamos tão atordoados tentando salvar a relação, com tantas brigas, insatisfações, desentendimentos, acusações, que nos sentimos sem condição de agir de forma a nos defender. Nossa capacidade para ter consciência de nosso valor parece ficar totalmente comprometida. É neste processo que nos perdemos de nós mesmos, e em vão passamos a procurar no outro a solução que está bem dentro de nós. É quando passamos a supervalorizar o outro na mesma proporção que nos desvalorizamos. O que por si só cria um círculo vicioso. Vemos o outro, ou queremos ver, como responsável por nosso sofrimento, e também, por nossa felicidade. E deixamos nossa vida nas mãos de alguém, que muitas vezes, não consegue cuidar nem da própria vida… quem dirá da nossa. E choramos, nos desesperamos, queremos respostas urgentes, mas sequer nos damos ao trabalho de nos questionar sobre as possíveis causas de nossos sentimentos, e sofrimento.

Diante de um conflito, o primeiro passo é identificar sentimentos

O que fazer diante dos conflitos? O primeiro passo é identificar seus sentimentos. Parece fácil, mas nem tanto. Para isso, escolha um local silencioso e tranquilo, perceba sua respiração e pergunte-se: “O que estou sentindo neste momento?” Nem sempre a resposta virá de imediato. Mas insista.Pergunte-se ainda: “o que está causando minha insatisfação?” (ou o que esteja sentindo…) Pergunte-se todos dos dias, ao menos uma vez por dia, qual o sentimento que está sentindo. Com certeza isso o ajudará a se conhecer um pouco mais. E o que fazer com o sentimento que identificou? Procure buscar a origem dele, em qual situação ele começou? Novamente, ouça a resposta. Exercite ouvir-se todos os dias, e assim conhecer um pouco mais de você, sem medos, mas com a convicção que dentro de você está a resposta que tanto busca! Ou poderá buscar um profissional qualificado que possa te ajudar nesse processo. O que não pode é manter esse sofrimento e dor.
Rosemeire Zago
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O conflito interno pode ser visto como uma maneira de expansão do nosso Eu, da nossa realização e aceitação, e através da observação dos impactos sobre as energias a nossa volta. O conflito, também, pode nos mostrar que há uma parte de nós que não está sendo ouvida por completo, sendo renegada.

Seu subconsciente é como uma criança: se não dada atenção suficiente, vai chamar sua atenção a qualquer custo. Reprimir seus sentimentos e partes de seu Eu pode manifestar o desejo de escape do seu próprio corpo, por conta desses sentimentos desconfortáveis.

Estamos sempre onde precisamos estar, o que significa que se você continuar persistindo no erro de não se autoconhecer, você não aprendeu o que deveria aprender nesta vida, e vai repetir um padrão, desperdiçando uma oportunidade de evolução. 
Reconheça o padrão de comportamento que você está levando e mude. Aprenda com os seus erros. Busque alternativas para conhecer-se. O mundo de hoje oferece muitas ferramentas de auto conhecimento...
É um processo normalmente que exige mudanças e sair da zona de conforto. Você quer mesmo compreender?
Se não existe o movimento de busca é porque precisa ficar um pouquinho mais na dor...

Quando você entender que a ideia de “estar fazendo tudo errado” pode lhe trazer experiência suficiente para uma nova vida e novas atitudes, aí você terá aprendido a lição! Se você causou algo ruim para alguém, tente tomar um cuidado especial daqui para frente. Concentre-se no problema afim de revertê-lo, e busque energias para isso. É hora de mudar e trabalhar ativamente na solução.

Na Constelação podemos "ver" onde estamos estacionados, emaranhados, através da Leis do Amor criadas por Bert Hellinger, e recebemos a oportunidade para compreender e transformar...mas também é preciso um querer verdadeiro.
Pense nisto e uma excelente semana.
Taís

domingo, 3 de setembro de 2017

Depressão, uma visão sistêmica

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Muitas pessoas têm depressão ou conhecem alguém que sofre com este sintoma. Os tratamentos convencionais normalmente são realizados à base de medicamentos, mesmo no caso de pessoas com acompanhamento psicoterápico. 

A abordagem sistêmica fenomenológica, método terapêutico criado pelo filósofo, psicologo e terapeuta Bert Hellinger, trás uma contribuição importante e inovadora para esta questão. 
Ao abordar o tema, em um texto elaborado pela psicologa e psicoterapeuta Brigitte Champetier des Ribes escreve sobre a depressão:"a princípio trata-se de um vazio devido a não querer/poder tomar um dos pais..."
Segundo ela, na visão sistêmica, este não querer / poder tomar a um dos pais normalmente é decorrência de um vinculo com um antepassado ou decorre de um trauma que bloqueou o acesso do filho aos pais. 
Pode ser também resultado de um movimento interrompido (ter sido separado da mãe ou do pai de pequeno). Quando os filhos não conseguem aceitar seus pais incondicionalmente e receber/tomar tudo que eles oferecem com amor e aceitação ficam com o sentimento de serem devedores e com o peso deste sentimento.
"Quem se sente endividado se defende do doador e dos seus presentes zangando-se com ele e uma das formas de expressar a zanga é através da reprovação, da agressividade e da critica/ julgamento ou através da depressão. 
A depressão imobiliza e deixa um vazio que substitui o tomar, o dar, o agradecer. Liberar o vinculo com o ancestral, ou possibilitar a superação do trauma ou do movimento interrompido são os movimentos que irão permitir uma mudança". 

Ao olhar para a depressão do filho de uma cliente numa sessão individual foi possível observar que ele estava vinculado a uma grande tragédia do sistema familiar, na qual se fazia presente um segredo. Ao se liberar deste vinculo o filho pode olhar para seu pai e toma-lo. No dia seguinte à consulta a cliente me relatou que ao chegar em casa à noite o filho ligou para ela convidando-a para jantar na casa dele e, de acordo com ela, se encontrava inusitadamente alegre e contente. Há tempos ela se queixava da agressividade e distanciamento do filho em relação a ela e de um estado de tristeza profunda. 
Também há um certo temor de que as pessoas com depressão possam recorrer ao suicídio caso os sintomas se intensifiquem. De acordo com Brigitte " Quem se suicida está totalmente preso ao passado, os vivos não tem nada com isto". 
Entre as dinâmicas sistêmicas por trás de um suicídio ela cita as seguintes: 
1- eu pago por você (um assassino que não assumiu o dano - um descendente tem que compensar com a própria morte este descendente - sente-se culpado sem saber  o porquê, e busca a morte como castigo); 
2- eu como você (por amor). Me suicido, como você. 
3- alguém quer morrer para seguir um ancestral na morte, um filho- por exemplo". 
Ainda de acordo com ela "as pessoas que tentam se suicidar várias vezes não querem se suicidar. Trata-se de um grito de socorro, uma chantagem emocional." 

Marcia Paciornik 
(Texto escrito com base no curso "Intrincacões Particulares" ministrado por Brigitte Champetier de Ribes) 
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Ser positivo é uma das atitudes que auxiliam para seguir o caminho do otimismo e da esperança. Isso porque, ainda que encare uma situação adversa, o otimista vê uma luz no fim do túnel e luta pela solução. E se, ainda assim, as coisas derem errado, ele até sofre, mas logo pensa que tudo vai melhorar. 
“Ser positivo permite lidar com o que não foi bom com tranquilidade, pois traz a convicção de que nada acontece por acaso”(coach Heloísa Capelas). 
Não é só isso: os momentos de contentamento dos otimistas tendem a durar mais, já que eles apreciam e desfrutam dessas vivências. Até a saúde dessa turma se beneficia: encarar a vida positivamente reduz a chance de desenvolver doenças cardiovasculares e reforça as defesas do corpo. “O nosso pensamento e as nossas crenças desencadeiam respostas fisiológicas. Enquanto o bom humor e o otimismo produzem serotonina, que gera bem- estar, o mau humor e o pessimismo estimulam o cortisol, hormônio do stress, que prejudica o sistema imunológico e pode elevar a pressão arterial” (neurocientista Jô Furlan).Portanto, adote uma postura positiva já!

Uma outra perspectiva é a forma como tomamos as adversidades: desmoronamos ou buscamos soluções? 
Tudo que é ruim em nossa vida tendemos a rechaçar... e, na verdade, acolher e aprender com ela é a grande sacada.
Como diz Sophie Hellinger:
Podemos olhar com bons olhos nossos inimigo e opositores. Por mais doloroso que seja, temos que lhes dizer, apenas internamente:
"Obrigada pelo sinal. Não chego a entender porque fez isto comigo, mas sei que você é um mensageiro e eu sou guiado, porque justamente tocastes meu ponto mais frágil, que tanto dói. Me dei conta de qual foi a sua intenção. Te agradeço e te libero de minha ira". Se essa pessoa se libera da minha ira, então assumo as consequências do meu comportamento.
Foi consumado o que ha muito tempo estava esperando este desenlace. Se não conseguimos isso, pronto chegará uma pessoa que nos proporcione um golpe ainda mais violento."
Boa semana
Tais

domingo, 27 de agosto de 2017

Somos ou não responsáveis por nossas decisões?

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Temos a pretensão de imaginar que controlamos as decisões que tomamos em nossa vida. Entretanto, aqueles que se aprofundam no conhecimento sobre as dinâmicas sistêmicas vão descobrir que tudo afeta a todos no passado, presente e no futuro. Temos responsabilidade individual sobre a nossa vida, mas ela está a serviço de algo maior, a serviço da nossa espécie. As nossas grandes decisões vão estar sempre a serviço do Sistema familiar. Nossa liberdade está limitada a isto. Ou fluímos aceitando, ou não. Dizer sim ou não é nossa única liberdade.

As decisões importantes que tomamos são eco de algo anterior. Tudo é espelho de desordens anteriores: não ter família, bloqueios, doenças, dificuldades no trabalho, perdas financeiras, depressões etc. Comportamentos repetitivos muitas vezes são um sinal de que uma pessoa esta vivenciando algo que algum antepassado não terminou de viver.

Em cada geração um dos mais jovens terá que compensar até que tudo se coloque em ordem. Todos estamos a serviço das forças de coesão e vamos receber “problemas espelhos” de desordens anteriores. 

E o que causa as desordens no sistema?

Em primeiro lugar excluir, rejeitar, esquecer, desprezar. Nada disto é tolerado. Não importa o que o individuo tenha feito. Todos têm direito de pertencer. Os sistemas são amorais. Depois, ocupar o lugar de outra pessoa. Excluir obriga a ocupar o lugar de outra pessoa. Quando alguém substitui um excluído, provoca uma desordem em cadeia. Quando a pessoa recupera seu lugar todo o sistema se ordena. 

E por ultimo não terminar algo, ou seja, o ciclo de uma experiência. Isto ocorre por que tudo tem sua polaridade: se cometo um dano tenho que reparar, se perco alguém tenho que me despedir...

O Sistema familiar é composto de todos os membros das varias gerações anteriores à nossa e é submetido às três forças das ordens do amor (leis sistêmicas). É também submetido à memória dos campos morfogenéticos que força a que tudo seja vivido como foi vivido no passado. Para reequilibrar o que ficou desequilibrado no passado a consciência familiar se utiliza dos membros mais “jovens” do sistema. Os vínculos dos mais jovens com os mais velhos se originam nas tragédias, nos traumas, nos danos não assumidos nas exclusões enfim, nas “desordens” ocorridas no sistema.

Estes vínculos são chamados de lealdades, emaranhamentos ou intrincações. Correspondem à um mecanismo ou dinâmica denominado como de “compensação arcaica”. Os seres humanos, desde que são concebidos, se vinculam a algo que precisa ser ordenado em seu sistema familiar. O ser recém concebido, se enreda, por amor, neste passado e aceita o encargo. No seu amor infantil ele não consegue dizer NÃO. Quando estamos no estado adulto podemos dizer não ou sim apenas ao que nos cabe.

Na compensação arcaica identificam-se duas dinâmicas: Ou o novo ser diz a um ancestral (inconscientemente): “Eu como você” ou “eu por você”. “Eu levarei por você”, “eu pagarei por você” “eu sofrerei como você”, “eu matarei por você”, “eu me vingarei por você”. Ou um ancestral diz a um descendente mais jovem: “você por mim” ou “você como eu” (na culpa, na dor, no sofrimento, na vingança, no luto, na vergonha, no fracasso...). 

Quando estamos na compensação arcaica ficamos presos à ressonância de campos de informação que registram todo o passado da espécie e dos sistemas familiares ao qual não podemos escapar. Apenas imitamos a informação. Sair da compensação arcaica é escolher a vida. Quando estamos na compensação adulta podemos ter consciência desta atração e “prisão”. O campo em realidade nos pede que soltemos o sofrimento.

A consciência familiar nos pede para soltar o vitimismo para nos transformar em adultos. Para amar o que existe. Com isto começamos o processo de cura. A consciência familiar vai ajudar ao descendente que diz sim. Pela comunidade de destino tudo que afeta um, afeta a todos. As constelações permitiram olhar para estas desordens, identifica-las, aceitar o espelho que nos cabe e dizer SIM. 

Quando fazemos isto mudamos de status. Deixamos de ser vitimas e nos transformamos em adultos. Honrando e agradecendo a tudo com é.

(1) Este texto foi baseado em Material escrito por Brigitte Champetier des Ribes para a formacão on line do Instituto de Constelación Familiar, http://insconsfa.com/online
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"Embora Berne acredite que a origem dos scripts, que são estes “roteiros” de vida que assumimos, seja na relação parental, quer dizer, papai e mamãe, ele admite que esta origem possa remontar de antes do nascimento. Como? Geneticamente? Talvez… 
E Hellinger diz, em palavras diferentes, isso: nos identificamos com algum membro do nosso sistema familiar do passado que tenha sido excluído, e por amor a ele, inconscientemente passamos a viver uma vida em busca da inclusão, de ser aceito… Isso detona relacionamentos, as vezes a saúde e a possibilidade da realização pessoal. Como esta identificação ocorre? Hellinger gosta da teoria da ressonância mórfica, que diz que os membros de um mesmo grupo tem acesso a um arquivo de idéias, inconscientes, que são acessados por pessoas que não tiveram contato com a “origem” destas idéias. Podemos também pensar na teoria do inconsciente coletivo, de Jung, ou da transmissão genética de fatores emocionais, aceito por Daniel Goleman.

A constelação ajudando na cura do script

Fato é que ninguém deseja permanecer com um “roteiro” que o conduza à infelicidade. Pelo menos os clientes que procuraram um trabalho terapêutico, significa que cansaram do sofrimento, e desejam a felicidade.

É possível mudar este script? É possível mudar a identificação? Sim, mais uma vez, tanto a análise transacional como a constelação familiar sistêmica concordam. Partindo por métodos diferentes, as duas propõem que o poder de mudança está na vontade do cliente.

Concordo com isso. Percebo, nos trabalhos de constelação, que aquele cliente que assume a responsabilidade pela própria felicidade, já deu o maior passo para a libertação e mudança. As curas acontecem. E graças ao método sistêmico trabalhar com a mente inconsciente, o script é mudado sem a necessidade exata de analisar ele exaustivamente. O cliente, rapidamente percebe o seu envolvimento emocional com este roteiro de sofrimento, e percebe que pode e deseja mudar. Por isso, considero a constelação familiar sistêmica um ótimo apoio à análise transacional, por trazer os scripts à tona, de forma imediata, permitindo uma reprogramação da vida do cliente, libertando a criança interior da identificação com idéias e emoções conflitivas." 

Ajudou na sua compreensão? Envie sua opinião...
Quinta feira, dia 31/08/17 estaremos Constelando mais uma vez. Você é meu convidado (segue link com informações)
https://www.facebook.com/events/198292120709139/?acontext=%7B%22ref%22%3A%2222%22%2C%22feed_story_type%22%3A%2222%22%2C%22action_history%22%3A%22null%22%7D&pnref=story

domingo, 20 de agosto de 2017

Dificuldades para conseguir um trabalho.

A pessoa que quer trabalhar e não consegue está excluída da sociedade. Do ponto de vista da terapia sistêmica, que olha para as dificuldades das pessoas considerando que ela faz parte de vários sistemas (familiar, religioso, de uma organização, do seu país etc.), trata-se de uma pessoa que está vivendo uma situação de exclusão.

Segundo o teórico Bert Hellinger, isto significa que esta pessoa pode estar seguindo a um excluído do seu sistema familiar (um antepassado ao qual inconscientemente somos leais, numa dinâmica denominada de ”lealdades ocultas”).

Por que razão isto acontece? 

O biólogo escocês Dr. Rupert Sheldrake explica este fenômeno como sendo resultado de campos morfogenéticos, que são campos não físicos que exercem influencia sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente. São campos de formas, padrões, estruturas ou propriedades organizativas. Segundo ele, estes campos permitiriam a transmissão de informação entre organismos da mesma espécie como se dentro de cada espécie do universo, existisse um vinculo que atuasse instantaneamente em um nível sub-quântico, fora do espaço e do tempo. De acordo com esta teoria nossa consciência, pode perceber instantaneamente e influir instantaneamente sobre qualquer parte do universo.

A observação e o trabalho desenvolvido por Bert Hellinger demonstram que os sistemas são regidos por três leis que ele denominou de “leis do amor”. São ordem ou hierarquia, pertencimento e equilíbrio entre dar e receber amor e danos. Quando em um sistema estas “leis” não são respeitadas pelos seus membros, em algum momento, são criadas desordens que deverão ser compensadas para a preservação do mesmo.

A compensação destas desordens terá que ser realizada por um dos membros mais jovens do sistema que, por “amor”, tomará a si ou receberá da consciência familiar ou de algum ancestral (inconscientemente) a incumbência de equilibrar esta desordem. Às vezes trata-se de para compensar um dano que algum ancestral cometeu e não assumiu. Assim sem saber uma pessoa pode estar “presa” ou “emaranhada” em uma lealdade oculta, vivendo sem saber como um ancestral, a exclusão, a rejeição, o sentimento de não pertencimento. Outras vezes é sinal de uma intrincação grave. A pessoa estará emaranhada em um campo mórfico de fracasso ou de morte.

Se alguém tiver fidelidade a uma exclusão não será visto por seu entorno por mais que trabalhe. Se estiver vinculado a um dano não assumido não verá resultado por mais que trabalhe.

Para ser bem sucedido e ter trabalho um homem primeiro deve pagar sua divida com o país. Sua força está aí. Caso seus pais tenham vindo de outros países e algum desses países necessite agradecimento cabe a este descendente viver este agradecimento.

No caso de casais a esposa é o centro da família e devolve o que recebeu dos pais dando à sua família. Quando se entrega a isto com amor, o Sistema Familiar lhe apoia na realização profissional.

Se a pessoa também rejeitar sua mãe ou seu pai ou ambos, se negar a assumir a vida como ela é, ou não quer estar no estado adulto, só no infantil, no vitimismo no medo, também terá dificuldades para conseguir trabalho e realizar-se profissionalmente.

Tomar o pai incondicionalmente nos permite dizer sim à realidade, ter força e realização profissional. O êxito na vida vem através da mãe, da mesma forma que a saúde, o amor e a abundancia. Da maneira como tratamos nossa mãe tratamos a vida e da mesma maneira ela nos responde.

"Quando abraçamos aos nossos pais juntos internamente (pai e mãe) temos tudo. Nossos projetos e empresas são expressões da nossa vitalidade e da nossa participação a serviço da vida. Nossa maneira de viver a compensação adulta, de oferecer algo criativo ao sistema familiar, às novas constelações e em especial as constelações quânticas destacam nossa responsabilidade pessoal. Uma vez que olhamos, honramos e agradecemos o problema que surge em nossa vida temos a liberdade de continuar vivendo com o que nos cabe, direcionados para a vida como ela é com toda a nossa força".(1)

As crises e os problemas são indicações do que precisamos fazer para mudar, para mais consciência e mais vida. Eles surgem quando nos distanciamos da sintonia com a vida ou quando desrespeitamos uma ou várias das ordens do amor.

Através da ferramenta fenomenológica da constelação familiar é possível identificar se as dificuldades e bloqueios de uma pessoa resultam de uma lealdade oculta ou de um emaranhamento ou de uma dificuldade em tomar aos pais como são. Sem queixas, sem criticas. E iniciar o movimento de cura que deverá vir da decisão da própria pessoa em mudar.

Marcia Paciornik
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O mais rico nas constelações familiares é ter a possibilidade de "ver", compreender, e partir para uma mudança.
Às vezes o cliente permanecia muito tempo em terapias convencionais e não alcançava o "ponto" que precisava ser "olhado e modificado".
A constelação é a manifestação do inconsciente, com tudo que ali está registrado... e ela nos permite perceber o que há e que precisa ser modificado em sua estrutura atual!
Não há mágica...todas as respostas é o cliente que as tem, porém não sabe que tem. O constelador é o peça menos importante na solução: ele é apenas o facilitador. A permissão, a mudança e a concretização dos objetivos de vida é do cliente.
Se gostou ou tem alguma duvida ou questão por favor nos envie seus comentários ou perguntas. Um abraço. 
Tais