domingo, 30 de junho de 2019

Vínculos de Destino

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"“Quando em uma família surge um buscador, é porque este encarna o desejo de todo o clã de sair das repetições e do conhecido e ir adiante.”

Com base nas obras de Bert Hellinger, trago mais algumas reflexões sobre temas da Constelação Familiar, um trabalho profundo e importante que não vem para trazer verdades absolutas, mas para trazer à luz aquilo que não estávamos conseguindo perceber através do emaranhamento de fios em que estamos inseridos, dos vínculos familiares e do nosso destino.

Por mais que esses fios pareçam não ter uma ordem, quando temos conhecimento das leis que regem a vida – compreendidas por Hellinger através da sua experiência, formação e trabalho – e trazemos à luz o que estava emaranhado – por exemplo, quando assumimos a responsabilidade, o papel ou o lugar de outro na família – tudo faz sentido, tudo segue um fluxo, tudo tem uma ordem e busca por ela naturalmente, busca por uma compensação para trazer o equilíbrio novamente, assim como um rio corre em direção ao mar.

Nesse contexto, Hellinger entende que as 3 leis que regem a vida são: Ordem, Equilíbrio e Pertencimento.





VÍNCULOS DE DESTINO

Os vínculos de destino mais fortes são os que ligam os filhos a seus pais, os irmãos entre si e os parceiros reciprocamente. (…) O vínculo faz com que os membros mais recentes e mais fracos queiram segurar os mais antigos e mais fortes para que não se vão, ou segui-los quando já partiram.

O vínculo faz também com que aqueles que estão em vantagem queiram assemelhar-se aos que ficaram em desvantagem. Assim, filhos saudáveis querem assemelhar-se a pais doentes, e filhos inocentes a pais culpados. O vínculo faz ainda com que os saudáveis se sintam responsáveis pelos doentes, os inocentes pelos culpados, os felizes pelos infelizes e os vivos pelos mortos.

Assim, aqueles que estão em vantagem também se dispõem a arriscar e sacrificar sua saúde e inocência, sua vida e felicidade pela saúde, a inocência, a vida e a felicidade dos outros. Eles alimentam a esperança de que, renunciando à própria vida e à própria felicidade, poderão assegurar ou salvar a vida e a felicidade de outros nessa comunidade de destinos. Eles julgam que podem recuperar e restabelecer a vida e a felicidade dos outros, mesmo que já tenham sido perdidas.

Portanto: “Tudo que rejeitamos, apodera-se de nós. Tudo que respeitamos, deixa-nos livres. (…) Precisamos ter força para concordar com o que foi, do jeito que foi, senão estaremos desligados de acontecimentos que envolvem uma dor profunda. Essa concordância só é possível quando percebemos isso como algo que está inserido em algo maior, o qual não compreendemos. Temos a necessidade de desviar do terrível como se isso não pudesse existir. Entretanto, é o terrível que, no fim, está na origem de tudo e o sustenta. Apenas aquele que pode concordar com o terrível é totalmente livre”.

“Livre é aquele que sabe transformar-se…E só sabe transformar-se quem é capaz de desprender-se e de seguir a própria grande marcha para o desconhecido.”

PADRÕES DE PENSAMENTO E DE DESTINO

Segundo Bert Hellinger: “Rupert Sheldrake descreveu em seus livros as propriedades e o efeito dos campos morfogenéticos, isto é, de campos de força que determinam certas estruturas. Ele me disse que se pode ver, diretamente nas constelações familiares, como os campos morfogenéticos atuam.

Agora, algumas vezes, reflito se as observações que ele faz valem também em outras áreas. Se determinados padrões de pensamento não determinam um grupo e, por isso, dificultam novas compreensões, e se evoluções de comportamento na família também não são padrões que resultam do campo morfogenético dessa família. Se, por exemplo, alguém se suicidou então, algumas vezes, alguém se suicida também na próxima geração. Entretanto, não somente porque ele quer seguir alguém de uma geração anterior, mas porque existe um padrão.

Sheldrake viu que, quando se forma um novo cristal, esse ainda não está pré-estruturado e, quando se forma um cristal do mesmo composto, ele já se estrutura segundo o modelo do anterior. Então, já existe uma memória do cristal anterior. O campo morfogenético tem, portanto, uma memória. Por isso, o próximo cristal se desenvolve, com grande probabilidade, de forma semelhante ao primeiro. Quando isso se repete muitas vezes, então existe um padrão fixo. Assim, talvez também os destinos possam se reproduzir de forma semelhante.

INTERRUPÇÃO DO PADRÃO

Esse movimento deve ser interrompido. O reconhecimento desse movimento e a interrupção exigem muita coragem para o totalmente novo. Quando a interrupção dá certo, isto é uma conquista especial. A interrupção não dá certo simplesmente deixando-se levar pela corrente. Devemos retroceder. Em vez de nadar na corrente, vai-se até a margem, olha-se a corrente até compreender o velho e reconhecer o novo e, então, decide-se o que fazer.

CONSCIÊNCIA DE GRUPO (OU CLÃ)

Existe uma consciência de grupo que influencia todos os membros do sistema familiar. A este pertencem os filhos, os pais, os avós, os irmãos dos pais e aqueles que foram substituídos por outras pessoas que se tornaram membros da família, por exemplo, parceiros anteriores (maridos/mulheres) ou noivos(as) dos pais.

Se qualquer um desses membros do grupo foi tratado injustamente, existirá nesse grupo uma necessidade irresistível de compensação. Isso significa que a injustiça que foi cometida em gerações anteriores será representada e sofrida posteriormente por alguém da família para que a ordem seja restaurada no grupo. É uma espécie de compulsão sistêmica de repetição. Mas essa forma de repetição nunca coloca nada em ordem.

Aqueles que devem assumir o destino de um membro excluído da família são escolhidos e tratados injustamente pela consciência de grupo. São, na verdade, completamente inocentes. Contudo, pode ser que aqueles que se tornaram realmente culpados, porque abandonaram ou excluíram um membro da família, por exemplo, sintam-se bem.

A consciência de grupo não conhece justiça para os descendentes, mas somente para os ascendentes. Obviamente, isso tem a ver com a ordem básica dos sistemas familiares. Ela atende à lei de que aquele que pertenceu uma vez ao sistema tem o mesmo direito de pertinência que todos os outros. Mas, quando alguém é condenado ou expulso, isso significa: “Você tem menos direito de pertencer ao sistema do que eu”. Essa é a injustiça expiada através do emaranhamento, sem que as pessoas afetadas saibam disso.

UM OLHAR PARA O PERTENCIMENTO

Bert Hellinger diz: “Aquele que não é mencionado, que é demonizado, deve sempre receber um lugar. Assim que ele recebe um lugar, o sistema é curado como um todo porque recebeu um lugar. Um excluído é novamente acolhido. Aí, todos os outros podem orientar-se de uma nova maneira.

É nos excluídos que reside grande parte da força necessária para transformar um sistema. Por isso, quando olhamos para o excluídos, passamos a ter uma força especial. Por quê?

1. Porque entramos em sintonia com uma força que não é vista e, portanto, pouco explorada pelos membros do sistema. Esse olhar nos dá uma vantagem como ajudantes.

2. Porque nos inserimos numa Grande Alma que não permite exclusão. Ao olharmos para os excluídos, nos inserimos de forma mais plena no fluxo dessa Grande Alma.

3. Porque ao olhar para os excluídos, ganhamos a confiança dos demais. Na profundidade, somos todos bons e sabemos que somos parte de uma grande família. Quando olhamos para todos, sem distinção, de alguma forma movimentamos a alma do grupo. Um bom líder sabe o efeito que tem essa postura a partir desse olhar inclusivo.

4. É nos excluídos que está o amor que deixou de fluir para os demais membros do grupo. Olhar para os excluídos significa acessar esse amor e permitir que ele flua no grupo, para os demais.

Fonte complementar (Livros de Bert Hellinger): A Fonte não precisa perguntar pelo caminho / Ordens da Ajuda / O reconhecimento das ordens do amor/ Ordens do Amor/ A Simetria Oculta do Amor/ Constelações Familiares. "

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É gigante a informação contida neste texto extraído dos livros do Bert Hellinger.
Se compreendermos-no amor- de que se trata, tudo pode mudar: nossos relacionamentos, a maneira de olhar para a vida e para os acontecimentos em geral, família, filhos, trabalho.
Inicialmente parecerá complicado, mas ao interessar-se, ler, buscar e até participar de grupos de constelações, poderás compreender e buscar as mudanças necessárias para melhorar seu dia a dia.
Bom final de semana, com maior compreensão daquilo que " te impede".
Taís

domingo, 23 de junho de 2019

Temos toda potencialidade dentro de nós!

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A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor. E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se em uma bela flor. Longa é a jornada. E sempre será mais seguro não entrar nela, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido... mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente. 
Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se. A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha. A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito, muito delicada, e os perigos serão muitos.

Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milênios, mas para a plantinha os perigos são muitos. O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê. Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho e segue em frente. 

Semelhante é o caminho para o homem. É árduo. Muita coragem será necessária”. 

Esta descrição de uma carta de tarô me faz refletir sobre todos os momentos em que precisamos ser como a semente: aceitar o campo em que caímos e, mesmo dentro de um casca rija, acreditar nos nossos sonhos e romper esta casca, olhando em volta, intuindo onde estamos e para onde vamos.

Se o ambiente for inóspito, temos que, pacientemente, esperar pela chuva e pelo sol que vêm fortalecer nosso crescimento. Temos que encontrar uma brecha entre as pedras e os espinhos para serpentear nosso caule e abrir nossa copa e nossas flores debaixo do vasto céu azul que nos espera.

Sugiro uma lembrança sempre que a dificuldade perante a vida aparecer: “Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar repletos de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer.
 A flor nos mostra o caminho, à medida que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz. Não há nenhum sentido em lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se em flor, precisamos passar por eles. Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser”. 
Adaptado do original de Izabel Telles

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A pior consequência que pode nos acontecer é quando não assumimos nossos problemas como dádivas. A tentativa de se transferir a responsabilidade ou culpa à outros será apenas o passaporte para a infelicidade total.
Eles ( problemas) chegam até nós como forma de "avisos" de que algo precisa ser olhado com mais esmero, apenas isso.
Hoje consigo ver que uma dificuldade na família serviu para que eu iniciasse minha busca espiritual... e ele me levou à muitas aprendizagens, graças as quais hoje sou um ser melhor que no passado, com outro nível de compreensão.
Faça uma análise amorosa e perceba o que seus problemas estão te mostrando...
Tais


domingo, 16 de junho de 2019

A realidade através das ilusões


O tempo e a mente são inseparáveis. — Eckhart Tolle

Quando se diz que é preciso se libertar da mente, na verdade o que se pretende dizer é que deve se libertar das limitações que são a mente. A consciência contém o Todo e a parte. Mesmo que se considere as partes como sendo ilusões ainda assim elas, de certa forma existem, e devem ser reintegradas. Seja qual for a coisa ou condição, real ou ilusória, são partes da mesma Consciência.

Na verdade não é a mente que contém as ilusões, mas sim estas que contêm a mente, ou melhor, constituem a mente. A Consciência deve se dar conta das manifestações da mente para que ela – o Ser – não seja dominado. Por ser um tanto difícil a compreensão do que estamos dizendo, por se tratar de algo muito abstrato, então vamos usar como analogia a parábola “O Elefante e o Marajá”. Ela pode ser muito útil para o entendimento da relação entre mente e consciência:

“Visando divertir um Marajá visitante foi mandado apresentar um elefante a vários cegos, mas de forma que a cada um fosse mostrado apenas uma parte distinta, e não o animal como um todo. Depois, na presença do Marajá foi mandado que cada um dos cegos descrevesse o que era o elefante. A confusão foi tremenda e terminou em luta corporal quando cada um descreveu o animal. Aquele a quem haviam mostrado apenas a pata como sendo o elefante o descreveu de uma forma; ao que haviam mostrado a tromba, de outra; ao que havia haviam mostrado apenas a orelha, de outra”.

A luta aconteceu porque não pôde haver concordância entre os cegos à respeito do que era o elefante, cada um tinha uma ideia diferente conforme o que havia percebido e consequentemente entendido. Neste conto vale a indagação: qual a realidade e qual a ilusão? – É fácil notar que a realidade era o elefante como um todo, enquanto que as partes eram ilusões de ser o elefante. Porém, vale salientar que as partes, mesmo sendo consideradas como ilusões, ainda não deixavam de ser o elefante.

Nesse exemplo o elefante pode ser comparado à consciência e as partes como as ilusões pertencentes à um contexto que chamamos de mente. Para eliminar a luta dos cegos não seria necessário destruir as partes, mas fazer cada um entender que estava sob a ação de Maya (ilusão de separação). Para libertá-los, primeiro seria preciso admitir que a ideia que tinham do elefante estava incompleta. Esse conto pode ser aplicado aos seres humanos; as pessoas correspondem aos cegos que não percebendo o Todo da Consciência, acreditam em frações. Dizer que a tromba seja a realidade de um elefante é mera ilusão, assim também dizer que as percepções que se tem são verdadeiras no tocante à realidade plena.

Os seres não percebem o Todo – Consciência – mas somente as partes – mente. Para chegar a perceber a realidade, é preciso entender que aquilo que é percebido, tanto objetiva quanto subjetivamente, é apenas parte da consciência filtrada pela mente. Aqueles cegos estavam presos à ilusão e realmente não era fácil pra qualquer um deles admitir que o outro tivesse razão. A razão de um não comporta a do outro e muito menos a de todos eles compondo a realidade plena. Somente cientificando-se da verdade, o que implicaria no sentir que sua concepção era apenas uma parte de algo distinto, seria a forma de se libertar de ter a certeza de viver na ilusão e de ser ela a verdade. Baseado nisto, podemos dizer que o Ser a fim de se libertar necessita recordar sua real natureza, ou seja, se tornar um recordado e então perceber como consciência e não como mente.

As ilusões que integram a mente são partes da consciência, assim podemos dizer que a mente só se manifesta dinamicamente, quando em atividade. As partes do elefante só se manifestaram como algo independente, quando foram “ativadas” pelos cegos. Fora disto elas apenas existiam no elefante. 

Há correspondência entre isto e a mente. Para existir como algo independente da Consciência, a mente procura sempre negá-la para substituí-la e continuar no comando. Por esta razão é que há tanto empenho para manter a ilusão como verdade, para conservar a qualquer custo as ilusões que lhes dão sustentação. Acontece como se as partes do elefante, para continuarem a ocupar o lugar dele como um todo, procurasse de todas as formas preservarem tudo aquilo que lhe servisse de sustentação, até mesmo os próprios cegos. Fizessem tudo para que estes não passassem a enxergar. Pois a partir do momentos que eles viessem a enxergar, a partes desmoronariam como todo, cada uma continuaria existindo no elefante, mas não mais como sendo este em sua plenitude.

Assim, para um dos cegos sentir que a parte não era o elefante não seria preciso destruir a parte e sim, de alguma maneira, cientificá-lo disto, de forma a não deixar dúvidas. Veja-se que destruir as partes acabaria por destruir o próprio elefante. Uma parte apenas que fosse destruída já não se poderia perceber o elefante completo. O mesmo se pode dizer quanto à mente. Não é destruindo a mente que se liberta o Ser, mas fazendo-o entender a verdade que as ilusões são meras partes, e não a totalidade. Destruir as ilusões, destruir a mente, é o mesmo que destruir a própria Consciência. Consciência é infinito, onde nada pode ser adicionado nem tirado.

O objetivo mais elevado da Senda Mística é ensinar os meios da pessoa se libertar da mente, não tentando destruí-la, por ser isto impossível, mas compreendendo os modos que ela se impõe e não deixar que isto o aprisione. Não vale tentar destruir o dominador, mas sim os elos que mantém o prisioneiro. Em outras palavras, conviver com a mente sem se identificar com ela, pois a destruição seria o mesmo que a eliminação da Consciência. Logicamente uma condição impossível para qualquer Ser. Se viesse acontecer ocorreria a volta à Inefabilidade.

Não dizemos que mente e Consciência sejam polaridades, mas para o nosso entendimento pode ser assim aceito. Não é possível se destruir um pólo sem que se destrua o outro, desde que ambos são aspectos de uma mesma coisa. É preciso entender os laços que mantém o Ser distanciado da Consciência Plena. Desfeito todos os elos, o Ser estará livre sendo então apenas Consciência Pura.

(Artigo originalmente escrito por José Laércio do Egito | Revisado por Despertar Coletivo) 
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Sempre temos recursos para nos atrevermos a dar o passo que nos levará alem dos estreitos limites das percepções enganosas (ilusões).
Mas sempre devemos nos perguntar: - Eu quero mesmo?
Tudo tem um preço, e para crescer como Ser, precisamos pagá-lo...ou não!!!!!
A escolha é livre. 
Boa semana
Tais

domingo, 9 de junho de 2019

O medo de se expor

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Amado Osho,
Porque eu ainda fico tão assustada ao me expor?

"Deva Gita.
Quem não fica? Expor-se cria um grande medo. É natural, porque expor-se significa expor todo o lixo que você carrega em sua mente, o lixo que tem sido amontoado por séculos, por muitas vidas. Expor a si mesma significa expor todas as suas fraquezas, limitações, falhas. Expor-se significa, por fim, expor sua vulnerabilidade. Morte... Expor a si mesma significa expor o seu vazio.

Por trás de todo esse lixo e barulho da mente existe uma dimensão de completo vazio. Sem Deus a pessoa é oca, é um simples vazio e nada, sem Deus. Ela quer esconder essa nudez, esse vazio, essa fealdade. Então ela cobre isso com belas flores e decora essa cobertura. Ela pelo menos finge que é alguma coisa, que é alguém. E isso não é algo pessoal para você. Isso é universal. Esse é o caso de todo mundo.

Ninguém consegue ser como um livro aberto. O medo toma conta: "O que as pessoas pensarão de mim?" Desde a sua infância foi-lhe ensinado a usar máscaras, belas máscaras. Não há necessidade de se ter uma bela face, só uma bela máscara é o bastante, e a máscara é barata. É árduo transformar a sua face, mas pintá-la é muito simples.

Agora, de repente, expor a sua face verdadeira lhe dá um arrepio no mais profundo centro do seu ser. Uma tremedeira surge: as pessoas gostarão disso? as pessoas irão aceitá-la, as pessoas continuarão a amá-la e respeitá-la? quem sabe? Porque eles amavam a sua máscara, eles respeitavam o seu caráter, eles glorificavam o seu vestuário. Agora o medo aparece. "Se eu, de repente, ficar nu, eles irão continuar a me amar, a me respeitar, a me valorizar, ou todos eles irão fugir para longe de mim? Eles podem retornar para seus caminhos e eu posso ficar só."

As pessoas, então, seguem representando. Devido ao medo há o fingimento, devido ao medo todas as falsidades. Para ser autêntica, a pessoa precisa não ter medo.

E essa é uma das leis fundamentais da vida: tudo aquilo que você esconde, se for errado, continuará crescendo. Aquilo que você expõe, se for errado, desaparece, evapora ao sol, e se for correto será nutrido. Exatamente o oposto ocorre quando você esconde alguma coisa correta, ela começa a morrer porque não está sendo nutrida. Ela precisa do vento, da chuva e do sol. Ela precisa de toda a natureza disponível para ela. Ela consegue crescer somente com a verdade, ela se alimenta com a verdade. Pare de lhe dar seu alimento e ela começa a diminuir.

E as pessoas estão acabando com aquilo que é real nelas e reforçando aquilo que não é real. A sua face não verdadeira se alimenta com mentiras, por isso você tem que continuar inventando mais e mais mentiras. Para dar sustentação a uma mentira você terá que mentir cem vezes mais, porque uma mentira só pode ser sustentada por mentiras ainda maiores. Assim, quando você se esconde atrás de fachadas, o real começa a morrer e o não real prospera, torna-se mais robusto. 

Se você expuser-se, o não verdadeiro irá morrer, ele estará pronto para morrer, porque o não verdadeiro não consegue permanecer no aberto. Ele consegue permanecer apenas em sigilo, na escuridão, nos túneis da sua inconsciência. Se você o trouxer à consciência, ele começará a evaporar. (......)
Se você conseguir expor-se religiosamente, não na privacidade, não com seu psicanalista, mas simplesmente em todos os seus relacionamentos, isso é o que significa o sannyas. Isso é auto-psicanálise. Isso é vinte quatro horas de psicanálise, todos os dias. Isso é psicanálise em todo tipo de situação: com a esposa, com o amigo, com os parentes, com o inimigo, com o estranho, com o chefe, com o seu funcionário. Por vinte e quatro horas você está se relacionando. 

Se você continuar se expondo.... No começo vai ser ser realmente muito assustador, mas logo você começará a ganhar força porque uma vez que a verdade é exposta, ela se torna mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você se tornará mais enraizado e centrado. Você começa a se tornar um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece.

A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade lhe é imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus a fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com tremendo poder. 

Somente no começo, haverá medo. Por isso a necessidade de um Mestre, para que no começo ele possa segurar suas mãos, para que no começo ele possa lhe dar suporte, para que ele possa levar-lhe a dar alguns passos com ele. O Mestre não é um psicanalista. Ele é muito mais. O psicanalista é um profissional e o Mestre não é um profissional. Não é sua profissão ajudar as pessoas, é a sua vocação, é o seu amor, é a sua compaixão. E por causa dessa compaixão ele a conduz apenas o tanto que você precisa dele. No momento em que ele sente que você pode ir por si mesma, ele começa a soltar as suas mãos. Embora você quisesse continuar agarrada, ele não pode permitir isso. 
Uma vez que você esteja pronta, corajosa e desafiadora; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expor a sua realidade, você poderá seguir por si mesma. Você conseguirá ser uma luz para si mesma.

Mas o medo é natural porque desde o início da infância, lhe foram ensinadas falsidades, e você se tornou tão identificada com o falso que abandoná-lo quase parece cometer suicídio. E o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece. 
Por cinqüenta, sessenta anos, você tem sido um certo tipo de pessoa. Agora a Gita deve estar atingindo os sessenta. Por sessenta anos você tem sido um certo tipo de pessoa. Agora, nesta última fase de sua vida, abandonar aquela identidade e começar a aprender a respeito de si mesma desde o ABC é assustador. 
A cada dia a morte está se aproximando mais. Será esse o tempo para aprender uma nova lição? Quem sabe se você será capaz de completá-la ou não? Quem sabe? Você pode perder a sua velha identidade e pode não ter tempo suficiente, energia suficiente, coragem suficiente para alcançar uma nova identidade. 

E, nesse caso, você iria morrer sem uma identidade? Isso será uma espécie de loucura, viver sem uma identidade. O coração desmonta e se encolhe. A pessoa pensa: "Agora, tudo bem levar isto adiante por mais alguns dias. É melhor viver com o velho, o que é familiar, o seguro e conveniente." Você se torna competente para lidar com isso. E isso foi um grande investimento: você colocou sessenta anos de sua vida nisso. De alguma maneira você administra isso, de alguma maneira, você criou uma ideia de quem você é, e agora eu digo a você para abandonar tal ideia porque você não é isso. Nenhuma ideia é necessária para conhecer-se. Na verdade, todas as idéias têm que ser abandonadas, somente então você poderá saber quem você é. 

O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, nós temos que ir além dele. 
Exponha pouco a pouco, não há qualquer necessidade de você dar saltos que você não possa administrar. Vá passo a passo, gradualmente. Mas logo você irá descobrir o sabor da verdade e você ficará surpresa de que todos esses sessenta anos foram puro desperdício. Sua velha identidade será perdida e você terá uma concepção totalmente nova. Não será, na verdade, uma identidade mas uma nova visão, uma nova maneira de ver as coisas, uma nova perspectiva. Você não será capaz de dizer "Eu" novamente, com alguma coisa por trás. Você usará essa palavra porque ela é útil, mas você estará sabendo todo o tempo que a palavra não carrega qualquer significado, qualquer substância, definitivamente qualquer substância existencial. Por trás desse "Eu" está escondido um oceano infinito, vasto e divino.

Você nunca alcançará uma outra identidade. A sua velha identidade terá ido embora e, pela primeira vez, você começará a sentir-se como uma onda no oceano de Deus. Isso não será uma identidade porque você não estará ali. Você terá desaparecido. Deus terá se apoderado de você. 
Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo. 

Todo o meu trabalho é para, de alguma maneira, persuadir você, seduzir você, desse jeito ou daquele, para que abandone a velha identidade. Muitos medos virão. Muitas coisas você fez no passado e foi capaz de esconder com sucesso. Agora, sem qualquer propósito, de novo abrindo os capítulos fechados, os espaços fechadas e liberando os fantasmas do passado....

Você pode não ter sido fiel ao seu marido uma vez ou outra, mas você foi capaz de manter uma certa face de sinceridade e de fidelidade. Agora, expor-se desnecessariamente vai lhe criar medo. Você pode não ter sido fiel, mas qual é a razão de expor isso agora? Ou você tem sido leal em ações mas não em pensamentos. Mas, qual é a razão de expor isso? 

A mente lhe dirá: 'Não há qualquer necessidade! Já existem tantos problemas, porque criar mais um?'
Você pode ter sido bem sucedida ao contar muitas mentiras e espalhando tais mentiras como verdades. Você pode ter sido bem sucedida e, para os outros, aquelas mentiras são quase verdades agora, e mesmo para você. Agora, voltando lá atrás e olhando de novo, é muito natural ficar com medo e não querer olhar para trás e não voltar àqueles pesadelos. (...)

É melhor ficar quieto, diz a mente. É melhor não trazer todos os velhos fantasmas, não liberá-los. É melhor deixá-los sentados lá. Por sessenta anos você tem sido capaz de manter uma certa conduta, uma certa graciosidade, uma certa personalidade - polida, civilizada, respeitável - agora, de repente, expor-se sem qualquer razão? Você ficou maluca? A mente lhe dirá: 'você já agüentou tanto tempo, você pode agüentar um pouco mais.' (....)

Depois de sessenta anos de vida, a ideia simplesmente surge em sua mente: 'você já aguentou tanto tempo, por que você não pode aguentar alguns dias mais? Por que criar perturbações? Por que criar agitações desnecessariamente?' As coisas estão acomodadas, todo mundo respeita você, as crianças, o marido, toda a sociedade respeita você. Tem sido uma luta árdua, uma luta com o mundo externo e com o mundo interno. De alguma maneira você reprimiu tudo aquilo que era selvagem dentro de você. Você reprimiu sexo, raiva, ambição, inveja; você reprimiu tudo o que a sociedade condena. Você, de alguma maneira, desenvolveu um belo caráter. Agora, na última fase de sua vida, por que expor isso? Com que objetivo? O que você vai ganhar com isso? 

A mente lhe dará todas essas razões astutas, essas racionalizações. 
Se você viveu por sessenta anos de uma maneira falsa, então chega! Já foi o bastante. Já é hora de abandonar toda essa falsidade. O que as pessoas podem tirar de você agora? Mais cedo ou mais tarde você vai estar morta e todo o respeito, todo o caráter, tudo irá se perder e logo você será esquecida. Algumas poucas pessoas irão se lembrar de você por uns poucos dias, e depois elas irão morrer. Então, até mesmo a sua memória vai desaparecer da Terra. (...)
Quantos milhões de pessoas viveram na Terra? Ninguém nem mesmo sabe seus nomes agora. Na época em que elas viveram elas devem ter se gabado de suas personalidade, caracteres, força, verdade, coragem, religiosidade, santidade, e disso e daquilo. Agora, ninguém nem mesmo sabe os seus nomes. (...)

Agora, o que você tem a perder, Gita? Você nada tem a perder e tem tudo a ganhar. Você foi afortunada por, na última fase de sua vida, ter entrado em contato com este campo de energia. Você foi afortunada pois no final da tarde de sua vida uma porta está aberta e a pessoa que volta para casa, ainda que no final da tarde, não deve ser considerada perdida.
Existe um provérbio na Índia: 'mesmo no final da tarde, quando o sol está se pondo, se alguém volta para casa, ele não é considerado perdido.' Ele chegou, finalmente ele chegou.
Não perca essa última fase da vida. E a última é a mais importante fase, porque ela lhe trará a morte. E se você conseguir morrer como verdade, você não nascerá novamente. Se você puder morrer com todas as falsidades abandonadas, com todas as falsas identidades desconectadas de você, renunciadas, se você puder morrer completamente nua diante de Deus, absolutamente nua diante de Deus como uma criancinha diante de seus pais, a sua morte será a mais bela experiência que você jamais conheceu.

Aqueles que conheceram a morte sabem que a vida é nada comparada a ela. A vida tem uma extensão, setenta, oitenta anos, ela se espalha por todos esses anos. Daí, ela não conseguir ter a mesma intensidade que a morte pode ter, e que somente a morte consegue ter, porque a morte acontece num momento. Por oitenta anos você vive e num momento você morre. A morte tem intensidade, não extensão mas intensidade. Ela tem profundidade.

A vida é um longo caminho para viver. Você pode adiar para amanhã e viver de uma maneira sem entusiasmo. Mas a morte é tão total... E se você puder morrer conscientemente... 

E você só pode morrer conscientemente se você expor-se totalmente, de modo que tudo o que o inconsciente estiver carregando seja colocado para fora, tudo o que o inconsciente estiver reprimindo seja liberado, e assim o inconsciente se torna vazio e nada há para esconder. Você pode se expor no momento da morte e morrer conscientemente.
Lembre-se, uma pessoa que tiver qualquer repressão não poderá morrer conscientemente. A repressão cria o inconsciente. Quanto mais reprimido você for, maior o inconsciente que você tem. O que na verdade é o inconsciente? Ele é aquela parte de sua mente que fica de lado, é aquela parte de sua casa onde você nunca vai, o porão. Você vai atirando ali todo tipo de coisas e nunca você vai lá. (...)

O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo. Esta calamidade está acontecendo em todo o mundo. Isso tem que parar. E a única maneira de parar isso é ajudando as pessoas a colocar para fora os seus inconscientes nas meditações.

Gita, exponha-se. Isso será um alívio. E eu estou aqui. Não fique preocupada e não tenha medo. Eu estou indo com você. Eu vou lhe fazer companhia até o ponto em que você não precise mais de mim. Eu só deixarei você no desconhecido quando eu sentir que agora você pode caminhar por si mesma. E aí não haverá mais medo. 

Mas não perca esta oportunidade. Desta vez, morra conscientemente. Mas você tem que começar neste exato momento a viver conscientemente. Somente então você poderá morrer conscientemente. Mesmo que você consiga viver conscientemente por poucos anos, isso será o suficiente. Mesmo alguns meses ou mesmo alguns dias, se a intensidade for grande, mesmo alguns minutos serão suficientes para viver conscientemente. Então a pessoa se torna capaz de morrer conscientemente. E morrer conscientemente é ressuscitar numa dimensão totalmente diferente, a dimensão do divino. 
Eu gostaria que todos os meus sannyasins morressem tão profundamente que eles nunca nascessem de novo, assim eles poderiam desaparecer no cosmos e se tornar parte do todo. "
OSHO - The Guest - discourse nº 8
tradução: Sw.Bodhi Champak
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Alguém que não tenha nenhum resquício desta verdade, pode achar absurdo: como vou conseguir tudo isso?
Olha... queira em primeiro lugar!
A partir desta vontade o universo se colocará à sua frente e o que necessitas estará ali...apenas de esperando você "querer". 
Ou resistir...

"A resistência é um dos problemas mais básicos, e, a partir dele, todos os outros problemas são criados. Quando você resiste a algo, você fica em dificuldade.
Jesus disse: "Não resista ao mal." Mesmo ao mal não deveria haver resistência, porque a resistência é o único mal, o único pecado. Quando você resiste a algo, isso significa que você está se separando do todo; você está tentando se tornar uma ilha, separada, dividida. Você está condenando, julgando, dizendo que isso não está correto, que não deveria ser assim. Resistência significa que você tomou uma postura de julgamento.
Se você não resistir, não haverá separação entre você e a energia que está se movendo à volta. Subitamente você está com ela – tanto assim que você desaparece e somente a energia se move. Aprenda a cooperar com as coisas que estão acontecendo; não se coloque contra o todo. Aos poucos, você começa a sentir uma imensa energia nova, a qual surge ao caminhar em sintonia com o todo, porque na resistência você dissipa energia e na não-resistência você absorve energia.
Está é a atitude oriental sobre a vida: aceite e não resista, entregue-se e não lute. 
Deixe que isto seja um insight: Não desperdice tempo em resistir"

Uma excelente semana para vocês, meus leitores queridos!
Tais

domingo, 2 de junho de 2019

Unidade e diversidade

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 A palavra unidade é somente compreensível, se existe algo diverso. Sem algo diferente não existe unidade, pois a unidade é aquilo que sintetiza e une coisas diferentes. A imagem mais linda da unidade de coisas diferentes é o casal. Não se pode imaginar uma coisa tão diferente como um homem e uma mulher. Eles são diferentes sobre todos os aspectos, mas mesmo assim relacionados um ao outro.

 Essa é uma imagem, creio eu, para completude da natureza, que a diversidade atua conjuntamente para uma unidade, para algo maior. O universo, a terra ou a natureza são unidade de coisas diferentes. quando se tem isto em vista pode se ver daí como é que um relacionamento o amor pode dar certo: quando o diferente continua sendo diferente e mesmo assim se funde numa unidade. O reconhecimento da diversidade produz essa profunda unidade e é  justamente a diferença e também o contraditório vivenciado que atuam de modo criativo.

 Tão logo se nivela umas diferenças e diversidades não sei tem unidade, mas a monotonia. Mas isso tem pouca força criativa. Somente esse contraste e a sua atenção produzo novo e o terceiro. Por isso, no relacionamento a dois é importante que o homem permaneça homem, mesmo que algumas vezes não agrade a mulher que os homens sejam diferentes. E, ao contrário, que a mulher permaneça mulher, mesmo que algumas vezes não agrade aos homens que as mulheres sejam  como elas são.

 Porque o homem é diferente da mulher e a mulher é diferente do homem, existe em alguns relacionamentos o empenho de nivelar as diferenças depois de algum tempo, que o homem queira puxar a mulher para o seu lado, para que ela se torne como ele é o que é mulher queira puxar o homem para o seu lado, para que ele se torne como ela é. Por um lado, isso é mais cômodo, mas depois de um certo tempo faltam ao relacionamento atenção e força. Por isso sou defensor da manutenção da diversidade  e do cultivo das diferenças.

 Para que o amor dê certo 

 O amor dá certo de muitas formas, e essas formas dependem umas das outras. A base para que o amor entre homem e a mulher dê certo é o amor da criança pelos pais e dos pais pela criança. Quando existem dificuldades no relacionamento a dois, isto frequentemente está ligado ao fato de que aquilo que antecede o amor entre o casal ainda precisa de uma solução. Isto porque num relacionamento a dois queremos alcançar algo que talvez não tenhamos conseguido no amor pelos nossos pais. Mas isso não dá certo  sem que, primeiramente, o amor pelos pais comece a fluir.

 Algo mais precisa ser observado para que o amor dê certo. O amor dá certo preliminarmente. É uma fase em um todo maior e aspira a uma completude. A completude do amor é a despedida no final. O amor entre o casal é - nas desilusões que algumas vezes traz, nas crises que algumas vezes traz - uma preparação para a despedida. Quando a despedida no amor é vivenciado desde o começo, o amor recebe, face à despedida, algo precioso.  Exatamente porque é limitado. Isso também tem que ser considerado. 

Por isso, olhamos para as crises no relacionamento de casal com calma e serenidade e tratamos delas com calma e serenidade. Nesse sentido, espero que encontremos boas soluções, tanto no que se refere ao relacionamento entre homem e mulher, entre pais e filhos em relação ao todo maior no qual o amor está inserido e no qual, também, mais tarde se completa.
Bert Hellinger - A fonte não precisa perguntar pelo caminho
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Bert é genuíno em seus escritos, e, para mim, a cada leitura/estudo algo especial é compreendido e percebido. 
Sinto em meu trabalho de clínica, o quanto esse conhecimento é puro e restaurador para as pessoas.

Se o cliente está aberto para dar permissão ao seu sistema - para que a dificuldade oculta se mostre - a solução vem junto, 
"abraçadinha" com a dificuldade...e algo novo surge!

Na verdade a Unicidade e a Separatividade sempre estão presentes, e quando se consegue perceber o que atua, o cliente pode tomar outra direção - vista por ele mesmo - através de seu livre arbítrio. 

"A inação, também é uma ação, renunciar ao mundo é uma fuga de suas responsabilidades.
Você deve agir, mas agir sem apego aos resultados"
Bom dia e boa semana.
Taís