domingo, 31 de maio de 2020

O ponto de encontro de duas pessoas nos negócios

5 dicas para ter sucesso empreendendo em casal - Pequenas Empresas ...
Onde vamos nos encontrar? "Quando duas pessoas querem fazer negócios, não importa o que seja, muitas vezes se perguntam: "Vamos nos encontrar em sua casa?", "Vamos nos encontrar na minha?" ou "Vamos nos encontrar em algum lugar no meio do caminho?"

No meio do caminho você vem a mim eu vou a você. No sentido mais amplo também podemos dizer: vou ao seu encontro e você ao meu. No meio do caminho chegaremos a um acordo. Nós dois continuaremos a ser o que somos e mesmo assim fazemos algo em comum. Ninguém vai abusar do outro nem vai ser absorvido ou tragado pelo outro. Ambos ganhamos, ninguém perde. Portanto, o ponto de encontro ideal é o meio.

Vou esclarecer um exemplo cotidiano: que perspectivas tem um relacionamento de casal se uma mulher se muda para casa de um homem ou até para casa dos pais dele, ou quando um homem se mudr para a casa da mulher ou até para a sua família ou dos pais dela?

En contraposição, quais as perspectivas que tem seu relacionamento quando ambos deixar na casa de seus pais e empreendem algo próprio, em comum, no meio do caminho, igualmente distantes de ambas as famílias? Aqui também. O encontro está exatamente no meio do caminho.

Se tiverem filhos. O caminho para a família de seu pai será igualmente distante como para a família da sua mãe. Podem ir para ambos, sentir-se em casa com eles e mesmo assim voltar ao centro comum. Aqui está sua riqueza.

Agora vou transferir isso às empresas. Tenho consciência de que se trata de uma tarefa delicada. Algumas coisas se baseiam em observações e não ouso dizer que possa explicar os motivos que estão no pano de fundo. Existem outras coisas que são dignas de serem pensadas, entretanto também não tenho a pretensão de afirmar onde fica o melhor ponto de encontro. Porém vale a pena olhar com mais atenção e perceber o que é mais útil para o êxito comum sobretudo que serve a ele de maneira permanente.

Agora vamos ao concreto. O que acontece quando a mulher recebe de sua família uma herança, assumindo-a? Então pode o homem mudar para a casa dela no sentido de assumir um cargo na empresa dela, até mesmo cargo na direção?

Então como se sente perante a sua mulher? Continuará sentindo-se como seu igual, também como homem, e como se sentirá nessa empresa? Será visto como igual a sua mulher? Gozará de respeito nela?

Vou continuar fantasiando ele se sentirá bem nessa empresa? Da o melhor de sí para conservá-la e desenvolvê-la? Terá força interior para isso? Vou exagerar um pouco aqui seria possível que vá se sentir bem e aliviado se a empresa quebrar? Se ele e sua mulher ficarem praticamente na rua e precisar recomeçar em outro lugar, no meio do caminho de suas famílias de origem, como ficará o seu relacionamento?

Espero que não tome literalmente o que eu estou dizendo, nem com a verdade incontestável. Porém, por que faço essas reflexões?

Minha observação - e outros fizeram observações semelhantes - é que, quando homem assume uma posição de liderança na empresa de sua mulher, se ela ajudou e assumiu de sua família, sua empresa vai de cair, até chegar a ruína, independentemente de quão capaz ele possa ser em muitos aspectos.

Portanto, um homem precisa se cuidar para não entrar e imiscuir-se na empresa de sua mulher, nem sequer assessorando. Isso significa que para fazer boa figura frente a sua mulher e ficar com ela, precisa de um trabalho e uma profissão independentemente dela ou fundar sua própria empresa. Isto pode soar duro. Ao mesmo tempo esta lei se transforma num desafio para ambos com êxito seguro e prometedor, no campo pessoal e no de negócios.

Eu inverso também é válido? Quando a mulher entra na empresa do marido, empresa que hedou e assumiu de seus pais? Podemos observar que uma mulher, via de regra, fomenta e apoia empresa do seu marido e que não parte dela nenhum perigo para a empresa e que possa levá-la a ruína.

Entretanto, a questão é se isso a fará feliz, principalmente, se tratar de uma empresa familiar e os pais do marido e, sobretudo seu pai, continuar tendo as rédeas nas mãos.

Pois o marido não pode deixar pai e mãe e, permanece em casa como filho, precisando esperar até que possa se tornar independente. Porém nunca será totalmente. Sua mulher, por mais que seja capaz, não encontrar ali seu próprio lugar e terá dificuldades em sentir-se igual ao seu marido.

Se um casal pode se encontrar no meio do caminho e o marido funda uma empresa, acontece muitas vezes a divisão de trabalho usual entre muitas famílias. O marido se dedica à sua profissão, e a mulher no se ocupa da casa e dos filhos. Assim permanecem  no meio. Ele vai ao encontro e ela em direção a ele. Dessa forma a sua empresa, embora tenha sido fundada por ele,se transforma empresa comum.

Isso vale muito mais quando um homem e uma mulher desde o início fundam uma empresa em comum onde ambos assumem um papel com igualdade de direitos. A base para o êxito de um relacionamento que se encontra  no meio tem um efeito que conduz ao sucesso na empresa.
Bert Hellinger - Êxito na Vida, êxito na Profissão.
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domingo, 24 de maio de 2020

Vivendo em confiança

B.R.A.V.I.N.G.: como criar confiança entre líderes e equipes?
Confiar, ainda que todas as possibilidades se apresentem contrárias a isto, remete-nos a algo muito importante: a capacidade de seguir um direcionamento que vem do coração e não da mente.

A mente é essencialmente criadora de dúvidas, medos e incertezas. Sempre que uma situação desconhecida se apresenta, ela nos leva a desconfiar, temer que algo dará errado e seremos punidos com dor e sofrimento.

A relação amorosa é a dimensão da vida em que a confiança mais se torna indispensável. Como entregar os sentimentos a alguém se não existir uma total confiança?

Entretanto, exatamente pelo peso e a importância que ela adquire no relacionamento, quando é quebrada - por uma traição ou pela rejeição, - o resultado é uma ferida que pode durar anos para ser curada.

Isto porque a confiança dá lugar ao medo e cria então uma verdadeira "muralha", que é erguida em torno do coração, uma defesa contra qualquer possibilidade de se entregar de novo ao sentimento.

O problema é que evitar o sofrimento nos leva a evitar a vida. Essa atitude de proteção pode nos dar uma sensação de segurança, mas também nos mantém estagnados e apáticos, sem usufruir da plenitude que só uma existência movida pela coragem e pela entrega pode nos proporcionar.

"Faça o que tem de fazer resolutamente, com todo o seu coração". Lembre-se da ênfase no coração. A mente jamais pode ser uma - por sua própria natureza ela é muitas.

E o coração é sempre um - pela sua própria natureza ele não pode ser muitos.

Você não pode ter muitos corações, mas você pode ter muitas mentes. Por quê?

Porque a mente vive na dúvida e o coração vive no amor. A mente vive na dúvida e o coração vive na confiança.

O coração sabe como confiar - é a confiança que o torna um. Quando você confia, de repente você fica centrado.

Daí a significância da confiança. Não importa se sua confiança é na pessoa certa ou não. Não importa se sua confiança será explorada ou não.

Não importa se você será enganado por causa de sua confiança ou não. Há toda a possibilidade de você ser enganado - o mundo é cheio de enganadores. O que importa é que você confiou.

É a partir de sua confiança que você se torna íntegro, que é muito mais importante do que qualquer outra coisa.

Não é uma questão de que primeiro você tem de estar certo se a pessoa é digna de confiança ou não. Como você estará certo?

E quem vai pesquisar? Será a mente, e a mente sabe somente como duvidar. Ela duvidará.

Ela duvidará mesmo de um homem como Cristo ou Buda. Ela não pode nem ajudar a ela mesma.

Assim, lembre-se: confiar não quer dizer que primeiro você tem de pesquisar, que primeiro você tem de deixar as coisas certas, garantidas e, então, confiar.

Isso não é confiança, isso realmente é dúvida - como você esgotou as possibilidades de duvidar, daí você confia. Se uma outra possibilidade de dúvida surgir, você duvidará novamente. Confie apesar de todas as dúvidas, apesar do que o homem é ou do que o homem vá fazer.

Isso é do coração, vem do amor.

Quando você confia e ama com um coração decidido, isso traz transformação. Então, você nunca hesita. A hesitação simplesmente o mantém aos pedaços.

Dando um salto quântico, sem nenhuma hesitação ou apesar de todas as hesitações, você se torna íntegro.

A hesitação desaparece, você se torna um. E tornar-se um significa libertar-se - libertar-se da própria multidão estúpida que existe dentro de você, libertar-se de seus pensamentos e desejos e memórias, libertar-se da própria mente".

Osho, The Dhammapada
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"Uma das reflexões que podem acrescentar boa dose de autoconhecimento a partir da visão sistêmica alinhada à filosofia de Bert Hellinger, o pai das Constelações Sistêmicas Familiares, é a identificação de qual o impulso essencial de nossas ações e na nossa busca da felicidade. Somos como um carro flex, que pode utilizar dois combustíveis: o medo ou a confiança.

O medo é como um combustível “batizado”, de má qualidade, que faz nosso carro falhar e até parar na beira da estrada. O medo nos faz olhar para trás enquanto tentamos andar para a frente.

Motivados pelo medo, consciente ou inconsciente, a pessoa está lutando na vida para escapar de algo, ela quer fugir, evitar uma situação a todo custo. Com este objetivo explícito ou oculto, o futuro é incerto. Qualquer lugar pode ser melhor do que aquele de que se quer fugir. É a pessoa que se casa para sair da casa dos pais, aceita qualquer proposta de emprego para sair de sua condição atual. Insuportável, investe em projetos com qualquer sócio que apareça, pois o mais importante é se por em movimento para escapar da inércia.

O medo, portanto, não é um bom propulsor. O que ele precisa é ser identificado, estudado, e devidamente superado com recursos próprios ou com ajuda de alguma terapia, aconselhamento espiritual ou metodologia que mobilize recursos internos que tragam clareza, serenidade ou cura. E não há uma receita. Depende da natureza e origem do medo.

A confiança é gasolina aditivada. Nos faz olhar para a frente, facilita manter o foco e a determinação, vê os obstáculos e dificuldades e busca os recursos para vencê-los, sabe andar em sintonia com o tempo, não apressa o resultado, mas mantém viva a certeza de que o destino está lá esperando o viajante.

O planejamento feito com confiança avalia riscos e amplia possibilidades. A confiança não é obstinada, sabe esperar e adequar a rota se for o caso, pois o objetivo é chegar ao destino no tempo certo. A confiança não tem pressa, não tem ansiedade, ela coloca a pessoa totalmente disponível para o Agora e mobiliza todas as forças para se ter o melhor resultado possível a cada passo, a cada dia.

A questão é: caso a pessoa identifique que é movida pelo medo, o que pode fazer? A proposta das constelações é: procure estar em paz com seu passado, diga SIM ao que foi, como foi, e vire a página com delicadeza e decisão. É claro que o medo tem uma origem, e é um tipo de resposta a algo que marcou a história da pessoa ou do clã familiar. O medo precisa, portanto, de atenção, de cuidado e de alguma espécie de cura, para que possa ficar no passado. Portanto, não fuja do medo. Olhe bem para ele, conheça-o e deixe-o, finalmente, passar.

Como fazer isso? Depende de cada caso, de cada contexto, de cada história pessoal. Mas as Constelações propõem um caminho que tem ajudado muita gente."    Almir Nahas - https://olharsistemico.com.br/

domingo, 17 de maio de 2020

Só a compaixão é terapêutica

Cavalheiro Segurando Mãos Femininas Acariciando Com Ternura Amor ...
Amado Osho,
Você disse: Só a compaixão é terapêutica. Você poderia comentar sobre a palavra 'compaixão', compaixão por si mesmo e compaixão pelos outros?

"Sim, somente a compaixão é terapêutica, porque tudo o que é doença no homem é causado pela falta de amor. Tudo o que está errado com o homem, está de alguma forma associado ao amor. Ele não tem sido capaz de amar ou ele não tem sido capaz de receber amor. Ele não tem sido capaz de compartilhar o seu ser. Essa é a miséria. Isso cria toda sorte de complexos internamente. 

Aquelas feridas internas podem vir à superfície de várias maneiras: elas podem se tornar doenças do físico e doenças mentais, mas no fundo o que o homem sofre é de falta de amor. Assim como o alimento é necessário para o corpo, o amor é necessário para a alma. O corpo não consegue sobreviver sem alimento e a alma não consegue sobreviver sem o amor. Na verdade, sem o amor a alma nunca nasce e nem há essa questão de sua sobrevivência.

Você simplesmente pensa que tem uma alma. Você acredita que você tem uma alma devido ao seu medo da morte. Mas você não a conheceu a não ser que você tenha amado. Somente no amor a pessoa vem a sentir que ela é mais do que o corpo, mais do que a mente. 

É por isso que eu digo que a compaixão é terapêutica.O que é compaixão? Compaixão é a forma mais pura de amor. No sexo, o contato é basicamente físico, na compaixão o contato é basicamente espiritual. No amor, compaixão e sexo estão misturados. O amor está no meio do caminho entre sexo e compaixão. 

Você também pode chamar a compaixão de prece. Você também pode chamar a compaixão de meditação. A forma mais elevada de energia é a compaixão. A palavra 'compaixão' é bela. Metade dela é 'paixão'. De alguma forma a paixão se tornou tão refinada que ela não é mais como uma paixão. Ela se tornou compaixão. 

No sexo, você usa o outro, você reduz o outro a um meio, você reduz o outro a uma coisa. É por isso que numa relação sexual você se sente culpado. Essa culpa nada tem a ver com ensinamentos religiosos, essa culpa é mais profunda que os ensinamentos religiosos. Numa relação sexual, enquanto tal, você se sente culpado. Você se sente culpado porque você está reduzindo um ser humano a uma coisa, a uma mercadoria para ser usada e jogada fora.

É por isso que no sexo você também tem uma sensação de escravidão, você também está sendo reduzido a uma coisa. E quando você é uma coisa, a sua liberdade desaparece, porque a sua liberdade somente existe quando você é uma pessoa. Quanto mais você for uma pessoa, mais livre será; quanto mais você for uma coisa, menos livre será.

Os móveis de seu quarto não são livres. Se você deixar o quarto fechado e voltar muitos anos depois, os móveis estarão nos mesmos lugares, com a mesma disposição, eles não se arrumarão numa nova disposição. Eles não têm liberdade. Mas se você deixar um homem num quarto, você não irá encontrá-lo do mesmo jeito, nem mesmo no dia seguinte, nem mesmo no momento seguinte. (...)

Para uma coisa, o futuro está fechado. Uma pedra permanecerá uma pedra. Ela não tem qualquer potencial para o crescimento. Ela não pode mudar, ela não pode evoluir. 

O homem nunca permanece o mesmo. Ele pode retornar, ele pode ir adiante, ele pode ir para o inferno ou para o céu, mas nunca permanece o mesmo. Ele segue se movendo, deste ou daquele jeito. 

Quando você tem uma relação sexual com alguém, você reduz aquela pessoa a uma coisa. E ao reduzi-la, você também se reduz a uma coisa, porque isso é um acordo mútuo do tipo: 'Eu lhe permito reduzir-me a uma coisa e você me permite reduzi-lo a uma coisa. Eu lhe permito usar-me e você me permite usá-lo. Nós usamos um ao outro. Nós ambos nos tornamos coisas'.

É por isso... Observe dois amantes: enquanto eles ainda não se acomodaram, o romance ainda está vivo, a lua de mel não termina e você vê as duas pessoas vibrando com a vida, prontas para explodir-se, prontas para explodir-se no desconhecido. 

E depois, observe um casal de marido e mulher, e você verá duas coisas mortas, dois cemitérios, lado a lado, ajudando um ao outro a se manter morto, forçando um ao outro a se manter morto. Esse é o conflito constante no casamento. Ninguém quer ser reduzido a uma coisa. 

O sexo é a forma mais baixa daquela energia 'X'. Se você é religioso chame isso de 'Deus"; se você é um cientista, chame isso de 'X'. Essa energia, X, pode se tornar amor. Quando ela se torna amor, então você começa a respeitar a outra pessoa. Sim, algumas vezes você usa a outra pessoa, mas você se sente agradecido por isso. Você nunca diz muito obrigado a uma coisa. Quando você está amando uma mulher e você faz amor com ela, você lhe diz: muito obrigado.

 Quando você faz amor com sua esposa, alguma vez você lhe disse muito obrigado? Não, você não dá valor algum. A sua esposa já lhe disse alguma vez obrigado? Talvez, muitos anos atrás, você consegue se lembrar de um tempo quando vocês ainda estavam indecisos, quando estavam experimentado, fazendo a corte, seduzindo um ao outro, talvez. Mas uma vez que vocês se acomodaram, ela disse alguma vez muito obrigado a você por alguma coisa? Você tem estado fazendo tantas coisas por ela, ela tem estado fazendo tantas coisas por você, vocês ambos têm vivido um para o outro... mas a gratidão desapareceu.

No amor existe gratidão, existe uma profunda gratidão. Você sabe que a outra pessoa não é uma coisa. Você sabe que o outro tem uma grandeza, uma personalidade, uma alma, uma individualidade. No amor você dá liberdade total ao outro. Na verdade você dá e você recebe, é uma relação de dar e receber, mas com respeito. 

No sexo há uma relação de dar e receber, mas sem respeito. Na compaixão, você simplesmente dá. Não há qualquer ideia, em lugar algum em sua mente, de receber algo em troca. Você simplesmente compartilha. Não que nada retorne. Mil desdobramentos retornam, mas espontaneamente, simplesmente como uma conseqüência natural. Não há qualquer espera por isto.

No amor, se você dá alguma coisa, no fundo você fica esperando aquilo que deve vir em troca. Se aquilo não vem, você percebe uma reclamação interna. Você pode não dizer, mas de mil e uma maneiras você pode insinuar que você não está satisfeito, que você está se sentindo traído. O amor parece ser uma barganha sutil.
 
Na compaixão, você simplesmente dá. No amor, você está agradecido porque o outro deu alguma coisa a você. Na compaixão você está agradecido porque o outro recebeu alguma coisa de você, porque o outro não rejeitou você. Você veio com energia para dar, você veio com muitas flores para compartilhar e o outro lhe permitiu, o outro estava receptivo. Você está agradecido porque o outro estava receptivo.

A compaixão é a mais elevada forma de amor. Muita coisa vem em troca, mil desdobramentos eu digo, mas esse não é o ponto, você não fica esperando por isto. Se não vier, não há qualquer reclamação. Se vier, você simplesmente fica surpreso. Se vier, isso será inacreditável. Se não vier, não há qualquer problema, você nunca dá o seu coração a alguém por qualquer barganha. Você simplesmente distribui porque você tem. Você tem tanto que se você não distribuir, você se sentirá sobrecarregado. É exatamente como uma nuvem carregada que tem que chover. E da próxima vez quando uma nuvem estiver chovendo observe atentamente e você sempre ouvirá; quando a nuvem estiver chovendo e a terra tiver absorvido, você sempre ouvirá a nuvem dizendo à terra 'muito obrigado'. A terra ajuda a nuvem a se descarregar. 

Quando uma flor desabrocha, ela tem que compartilhar a sua fragrância ao vento. Isso é natural. Não é uma barganha, não é um negócio. Isso é simplesmente natural. A flor está repleta de fragrância. O que fazer? Se a flor mantiver a fragrância para si mesma, ela irá se sentir muito, muito tensa, em angústia profunda. 

A maior angústia na vida é quando você não pode expressar, quando você não pode comunicar, quando você não pode compartilhar. O homem mais pobre é aquele que nada tem a compartilhar, ou aquele que tem algo a compartilhar mas que perdeu a capacidade, a arte, a maneira de como compartilhar, aí o homem é pobre.
 
O homem sexual é muito pobre. Em comparação, o homem amoroso é mais rico. O homem de compaixão é o homem mais rico, ele está no topo do mundo. Ele não tem qualquer confinamento, qualquer limitação. Ele simplesmente dá e segue o seu caminho. Ele nem mesmo espera você lhe dizer um muito obrigado. Com tremendo amor ele compartilha a sua energia. 
É isso que eu chamo terapêutico. (......)

Para ser compassivo é preciso que se tenha, em primeiro lugar, compaixão por si mesmo. Se você não amar a si mesmo, você nunca será capaz de amar um outro alguém. Se você não for amável consigo mesmo, você não conseguirá ser amável com ninguém mais. Os seus chamados santos, que são muito duros consigo mesmos, estão simplesmente fingindo que são amáveis com os outros. Isso não é possível. Psicologicamente isso é impossível. Se você não puder ser amável consigo mesmo, como você poderá ser amável com os outros?

Qualquer coisa que você for consigo mesmo, você será com os outros. Deixe que isso seja um ditado básico. Se você se detesta, você irá detestar os outros. E foi-lhe ensinado detestar a si mesmo. Ninguém jamais disse a você 'ame a si mesmo'. Essa própria idéia parece absurda: amar a si mesmo? A própria idéia não faz sentido: amar a si mesmo? Nós sempre pensamos que, para amar, nós precisamos de uma outra pessoa. Mas se você não aprender consigo mesmo, você não será capaz de praticar com os outros. 

Foi-lhe dito constantemente, você foi condicionado, que você não tem qualquer valor. De todas as direções lhe foi mostrado, lhe foi dito que você é sem valor, que você não é o que deveria ser, que você não é aceito como você é. Existem muitos 'deves' pendurados sobre a sua cabeça e todos esses 'deves' são quase impossíveis de serem satisfeitos. E quando você não consegue satisfazê-los, quando você tem um pequeno tropeço, você se sente condenado. Uma profunda raiva surge em você em relação a si mesmo.
 
Como você pode amar os outros? Tão cheio de ódio, onde você irá encontrar amor? Assim, você simplesmente finge, você simplesmente demonstra que está amoroso. No fundo você não está amoroso com ninguém, você não pode estar. Esses fingimentos são bons por uns poucos dias, depois o colorido desaparece, então a realidade se revela por si mesma. 

Todo caso amoroso está em cima de pedras. Mais cedo ou mais tarde, todo caso amoroso se torna muito envenenado. E como ele se torna tão envenenado? Ambos fingem que estão amando, ambos seguem dizendo que amam. O pai diz que ama a criança, a criança diz que ama o pai, a mãe diz que ama a filha e a filha segue dizendo a mesma coisa. Irmãos dizem que amam um ao outro. Todo o mundo conversa a respeito de amor, canta canções de amor, e você poderia encontrar outro local tão destituído de amor? Nem uma pitada de amor existe, e montanhas de falatórios, um Himalaia de poesias a respeito do amor.

Parece que todas essas poesias são apenas compensações. Porque nós não conseguimos amar, nós temos que acreditar de alguma maneira, através da poesia, da canção, que nós amamos. Aquilo que nos falta na vida, nós colocamos na poesia. O que nós vamos perdendo na vida, nós colocamos no filme, na novela. O amor está absolutamente ausente porque o primeiro passo ainda não foi dado.
 
O primeiro passo é: aceite-se como você é. Abandone todos os 'deves". Não carregue qualquer 'deve' em seu coração. Não é para você ser algo diferente do que é. Não é de se esperar que você faça algo que não pertença a você. Você existe para ser exatamente você mesmo. 

Relaxe e seja simplesmente você mesmo. Seja respeitoso para com sua individualidade e tenha a coragem de assinar a sua própria assinatura. Não siga copiando as assinaturas de outros. 
Não é de se esperar que você se torne um Jesus ou um Buda ou um Ramakrishna. O que se espera é que você se torne simplesmente você mesmo. Foi bom que Ramakrishna nunca tentou se tornar alguma outra pessoa, assim ele se tornou Ramakrishna. Foi bom que Jesus nunca tentou tornar-se Abraão ou Moisés, assim ele se tornou Jesus. E é bom que Buda nunca tenha tentado tornar-se Patanjali ou Krishna. Foi por isso que ele se tornou Buda.

Quando você não está tentando se tornar um outro alguém, então você simplesmente relaxa e uma graça surge. Então você está cheio de grandeza, esplendor e harmonia, porque aí não existe qualquer conflito. Nenhum lugar para ir, nada pelo qual brigar, nada para forçar nem para obrigar-se violentamente. Você se torna inocente. 
Em tal inocência, você sentirá compaixão e amor por si mesmo. Você se sentirá tão feliz consigo mesmo que ainda que Deus venha bater em sua porta e diga: 'Você gostaria de se tornar uma outra pessoa?, você dirá: 'Você ficou louco? Eu sou perfeito! Obrigado, e nunca mais tente fazer isso, eu sou perfeito como sou.' (......)

As rosas desabrocham tão lindamente porque elas não estão tentando se tornar lótus. E a flor de lótus desabrocha tão lindamente porque ela nunca ouviu as lendas a respeito das outras flores. Tudo na natureza segue tão belamente em harmonia porque ninguém está tentando competir com algum outro, ninguém está tentando se tornar algum outro. Tudo é do jeito que é.
Simplesmente veja o ponto! Seja apenas você mesmo e lembre-se de que você não pode ser alguma outra coisa, faça o que você fizer. Todo esforço é fútil. Você tem que ser simplesmente você mesmo.

Existem dois caminhos: um é: rejeitando, você pode permanecer o mesmo; condenando, você pode permanecer o mesmo. Ou, aceitando, entregando-se, curtindo, deliciando-se, você pode permanecer o mesmo. A sua atitude pode ser diferente, mas você vai continuar do jeito que você é, a pessoa que você é. Uma vez que você aceite, a compaixão surge. E então, você começa a aceitar os outros. (......)

Mova-se lentamente, alerta, observando, estando amoroso. Se você for sexual, eu não digo para abandonar o sexo; eu digo faça-o mais alerta, faça-o como uma prece, faça-o mais profundo, assim ele pode tornar-se amor. Se você está amando, então faça isso com mais gratidão, traga uma gratidão, uma alegria, uma celebração e uma prece mais profunda ao amor, traga meditação para ele, assim ele pode se tornar compaixão. 

A não ser que a compaixão tenha acontecido para você, não pense que você viveu corretamente, ou que você viveu de alguma maneira. Compaixão é o florescimento. E quando a compaixão acontece para uma pessoa, milhões são curadas. Qualquer um que chegue ao seu redor será curado. A compaixão é terapêutica."
OSHO - A Sudden Clash of Thunder - discourse nº 8
tradução: Sw.Bodhi Champak

Copyright © 2006 OSHO INTERNATIONAL FOUNDATION, Suiça.
Todos os direitos reservados.
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domingo, 10 de maio de 2020

A Vida Nos Trata Como Tratamos Nossa Mãe

claudia tremblay | Ilustração, Desenhos de gravidas, Pinturas
Segundo Bert Hellinger, psicoterapeuta criador das Constelações Familiares, e formulador das Leis Sistêmicas do Amor e da Vida, “O sucesso tem a face da mãe”. Quem não conquista o sucesso na vida, entendendo-se sucesso como ter relacionamentos afetivos amorosos e enriquecedores para ambos, uma relação saudável com o dinheiro, conquistar seus objetivos, realizar-se e ser feliz na vida, sentir-se seguro, é porque “não tomou sua mãe”.

Tomar a mãe significa aceitá-la plenamente, sem julgamentos, amorosamente no coração, independentemente de como tenha sido sua criação, educação e relação com ela, se sentiu-se ou não amado o suficiente ou da maneira que imagina “adequada”, se foi castigado injustamente, preterido ou mesmo abandonado.

Conheço muitas pessoas, amigos, alunos, pacientes, que ouvindo essas palavras, com expressão angustiada, de raiva ou sofrimento, afirmam ser uma tarefa impossível! Não conseguem, e muitos afirmam sinceramente que não querem, se abrir para esta aceitação. Carregam mágoas profundas, cicatrizes mal formadas que encobrem superficialmente feridas crônicas e incuráveis da alma.

Porém não há como dizer sim à Vida, sem a aceitação, e antes de dizer SIM a ela, nossa mãe. A Vida nos foi entregue através da mãe, nascemos de suas entranhas, de sua carne.
Nosso corpo foi forjado em seu ventre, através do alimento ingerido por ela e que tomamos para nós.

Esses nutrientes nos permitiram evoluir a partir do momento da concepção, quando duas células, mãe e pai, se tornaram somente uma, EU, através de um ato de amor da Vida, para trilhões de células no momento do nascimento.

O oxigênio que nos manteve vivos, foi inspirado através de seus pulmões. O ritmo pulsante e tranquilizador que nos embalou durante os nove meses que em seu ventre fomos carregados, vinha das batidas de seu coração.As emoções que sentíamos e nos envolviam, tanto as ruins que refletiam medos, incertezas e angústias, como as boas que carregavam os sonhos, esperanças, desejos e ideais, vieram de sua alma, e do campo familiar do qual ela fazia parte, e já nos envolvia, campo sistêmico que reverbera as experiências de milhares de pessoas que vieram antes de nós, as quais nos constituem incondicionalmente.

Revoltar-se, ter restrições, julgar ou criticar a mãe (ou também o pai, o que traz outras implicações) significa que nos julgamos maiores que ela, o que vai contra a lei da Hierarquia, significa também excluí-la o que vai contra a lei do Pertencimento e resulta em não realizar uma troca amorosa pois recebemos a Vida também através dela o que vai contra a lei do Equilíbrio de Troca.

Em resumo, com a escolha e atitude de não aceitar nem tomar plenamente a mãe, deixamos de vivenciar as três Ordens do Amor, as principais e fundamentais Leis dos relacionamentos e da Vida.

O resultado é a criação e / ou a continuidade do fenômeno transgeracional de emaranhamentos familiares, e o consequente fracasso em conquistar um destino de Sucesso, e uma Vida plena e feliz.

A partir da ampliação da consciência sobre esses temas, da aceitação de tudo e de todos como são, dizemos SIM à Vida, podemos transformar essa realidade, cumprir nossa missão pessoal, e enfim viver um destino saudável, com efeitos curativos em todo nosso sistema.

Viva a Vida!

Fontes: Obras de Bert Hellinger; conteúdo do curso de formação “Consciência Sistêmica”, reflexões do autor 
Por Roberto Debski - em https://www.portalraizes.com/

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Bert Hellinger é muito simples se prestarmos atenção às Leis do Amor. Elas são objetivas e diretas.
A mãe é a nossa fonte...sem ela (e o pai , em proporções diferentes) não estaríamos aqui, e, não seriamos quem somos.

Hoje, muitos filhos não poderão estar com suas mães por motivos diversos, mas quero dizer que no coração, todos podemos tê-las.
Seja grata(o), veja a grandeza que há na permissão de estarmos aqui neste mundo, independente de tudo que aconteceu contigo.
Sim mamãe... com amor!
Experimente...
Bom domingo
Tais 

domingo, 3 de maio de 2020

Luto e celebração no isolamento social

fotos gratuitas - Rgbstock - fotos gratuitas | praia vazia 3 ...
Da super produção ao vazio: o que estamos sentindo na quarentena?

"Imagem do vazio dos dias quentes, azuis e perfeitos aqui no litoral, com praias fechadas

Estou escrevendo esse texto há quarenta dias e simplesmente não sei onde quero chegar com ele. Nesse momento chegar em algum lugar é o que menos importa.

Estamos em casa, em isolamento social, há 35 dias, eu, minha filha de oito anos, completados na segunda semana da quarentena, e meu filho de onze. São tantos temas que estamos vivenciando, tantas coisas que já rolaram, como anos passando dentro de um mês. Como muitas famílias, estamos lidando com todas as novidades que surgiram a partir de algo que não tem nada de novo — estar em casa.

Como escritora, fui sentindo a cada dia os textos querendo sair, até transbordarem em formas de lágrimas, até me acordarem em forma de insônia, até me embrulharem o estômago com azia em uma sopa de tomates. Fiquei ali dividida entre meu corpo me pedindo para desaguar esses pensamentos no papel, minha mente me pedindo para silenciar, e meus filhos me pedindo para brincar, preparar lanches, ajudá-los em algo, enquanto os trabalhos esperam posicionamentos, os e-mails, resposta, a louça ser lavada, as roupas estendidas no varal e os estudos encaixados uma rotina inédita.

Havia uma eixo que se pautava pelos horários e ações de nosso ir e vir. Eu já trabalho em home office há onze anos e também sempre fui muito caseira. Escolhi essa casa justamente porque ela oferece o espaço perfeito para trabalhar, dar espaço às crianças e passar bastante tempo aqui. Ela é grande, confortável e cercada por verde. Tem brisa, uma vista linda, por do sol, árvores e quintal, tem bananeiras e tem silêncio (para mim, um bem valioso). Ou seja, do alto do privilégio do nosso máximo conforto, reconheço o quanto temos, sou grata por estarmos aqui, por termos escolhido viver em cidade de praia há cinco anos e agora ser nosso ambiente de confinamento.

Então, por que tenho sentido tanto desconforto? O que aconteceu com a minha zona de conforto que de repente ela se tornou desconfortável?

Tenho saído do meu centro. Não acordo mais cedinho para praticar yoga, nem as noites são tranquilas. Por vezes acordo no meio da madrugada com preocupações e pensamentos agitados — e soube que esse bonde da insônia da pandemia tem passado em muitas casas. Já não me vejo mais tão disciplinada, ativa e motivada. Me percebo irritada, chorosa e, em muitos momentos, sem paciência. Eu que sempre fui tão paciente. Não estou me reconhecendo. Quando sento para trabalhar, aquela pessoa focada dá lugar a uma desatenta que lê três vezes a mesma frase. Uma cabeça cheia e várias janelas abertas. Os trabalhos criativos não saem. Os burocráticos andam com muita delonga e aqueles mais desafiadores permanecem sendo religiosamente adiados. Temos tudo. Só me falta “eu mesma” no momento.

Estou aqui dentro, mas estou lá fora.

Navego por notícias tentando entender e acompanhar os fatos. Meu coração se aperta pela dor que tantos vivem, pelos que estão morrendo, pelos que estão doentes, pelos vulneráveis e que passam grandes necessidades, pelos que não podem nem velar seus entes queridos. Uma inquietação, uma sensação de estar anestesiada, ou adormecida, ou por demais acordada. Nunca me senti assim. Ou já? Demorei dias a me dar conta que, sim, já me senti assim. Foi durante o luto.

Burn out da quarentena

Nas primeiras semanas da quarentena, fui ficando cada dia mais incomodada com a avalanche de sugestões do que “fazer com seu tempo” e do que “fazer com as crianças”. Desde fazer artes como origamis, curso de língua, visitas virtuais a museus, aulas de música, de dança, filmes e séries, aproveitar serviços de streaming, ler coleções de livros e leituras, ouvir podcasts e audio books, começar uma horta, reformar seu guarda-roupa, experimentar receitas de culinária, fazer um diário da quarentena, organizar a casa, bordar tapetes, transformar cortinas, reciclar itens antigos, restaurar móveis, pintar, participar de happy hours, fazer um MBA. Ufa. As propostas foram essas e mais dezenas. Fora as centenas de convites diários para LIVES. Nunca me desgastei tão rapidamente com uma palavra. Live (ao vivo). Quando tudo que queremos é nos manter ALIVE. (vivos).

Como uma taurina que demora a aceitar e elaborar mudanças, resisti a entender por que as sugestões da quarentena estavam me incomodando? Um pouco de culpa, talvez? Já que todos parecem conseguir realizar mil coisas, assistir tantas séries, menos eu? Ou por estar dormindo ao invés de me exercitando? Segui refletindo sobre a mais nova exigência do mundo moderno que nos tenta convencer a reproduzir em casa tudo que fazíamos fora dela.

De tudo que ouvi, fui resumindo a mensagem assim: “Você pode continuar trabalhando, se divertindo, aprendendo, interagindo, se distraindo, se estressando, até mesmo gastando seu dinheiro, só que agora tudo virtual, olha que beleza. É super simples, basta transferir a sua vida real para a virtual, um upload e pronto, temos uma nova vida prontinha para você na segurança do seu lar.”

Foi em um dia que parecia igual a todos os outros que me dei conta: não cabe tudo isso. Até tenho tempo, mas não tenho VONTADE de fazer todas essas coisas virtualmente. E mesmo que tivesse, o tempo que tenho não está apenas a serviço das minhas vontades, porque está sendo consumido em grande parte por obrigações e tarefas chatas e repetitivas que envolvem cozinha, faxina, roupas, louça, arrumações, em uma proporção bem maior do que antes, já que ficamos mais em casa e temos menos ajuda. Além do trabalho de sempre. Além dos cuidados com as crianças. Além do novíssimo, polêmico, e, por vezes, desafiador — homeschooling.

O meu, o seu, o nosso luto

Dali do alto do trapézio consigo ver que estamos agarrados a uma barra, ela é grande e confortável, mas lá embaixo, onde antes havia uma rede de apoio — que incluía professores, amigos, atividades extra curriculares, avós, enfim, companhias e lazer- agora resta o chão duro e frio. A iminência da morte. Ela está ali, não consigo vê-la, mas consigo senti-la. Ela é fria e solitária.

Então esse movimento eufórico — e vale destacar a etimologia da palavra eufórica — eu, fora — surgiu com força total no início da quarentena e esse tom de “faça tudo que sempre sonhou com seu tempo”, com foco no fazer — produzir, ocupar-se, talvez esconda duas intenções: a primeira, de nos confortar ainda que temporariamente, com a ilusão de que nada mudou, é apenas uma adaptação para a virtualidade. Continuaríamos eficientes como máquinas produtivas, programadas, obedientes e sem tempo para refletir, como convém aos sistemas desde sempre. E a segunda e grande motora desse texto e que agora finalmente parece pronto para nascer:

Assim, tão ocupados com a casa, com o trabalho virtual, com as reuniões no zoom, no jitisi, no facetime, no whastsapp, em tantas conexões ao mesmo tempo, em tantas mensagens e lives e ligações e videos, nos desconectamos do sentir.

O tempo todo ocupando todo o tempo, sem tempo para sentir. Vivendo, mas não sentindo.

Justamente por não estarmos fazendo aquilo que planejamos ou gostaríamos, estamos todos vivendo um luto coletivo. Há um vazio. Um espaço. É preciso olhar para ele.

Para mim, estamos todos em um luto coletivo. Eu, você e todos que vierem a ler esse texto, tivemos uma perda. Talvez (ainda) não humana, de alguém próximo, conhecido ou um ente querido, mas essa perda vai chegar. Por enquanto, começamos com as pequenas perdas. Perdemos uma viagem que estava programada, um aniversário a comemorar, um evento a atender, os amigos a reunir, os avós a visitar, os primos a encontrar. Perdemos o que havíamos programado ou gostávamos de fazer no final do dia, no final da semana ou no final do mês. Perdemos o encontro com alguém, os encontros que tínhamos com nós mesmos, as oportunidades de nos nutrirmos do convívio social. Perdemos nossa agenda. Mais importante, perdemos o toque, o contato, o beijo e o abraço. Perdemos ainda que temporariamente, a tranquilidade de ir e vir, de estar na praia, no cinema, na rua, de nos juntarmos, de aglomerar e de usufruir da tranquilidade de estar em um mundo aparentemente seguro e confortável. Vale lembrar, muitas pessoas aqui no Brasil e em outras partes do mundo nunca tiveram nada disso e perderam ainda muito mais — empregos, salário, moradia, possibilidade de crescimento, sonhos.

O ponto é que em maior ou menor escala, todos vivemos uma perda. Do planejado, do sonhado, do esperado. Em alguma camada aqui dentro de nós, esse sentimento reside e tem nome: luto.

Nosso luto individual se compõe em um mosaico com os lutos de todos. É como um tecido que se forma com os pedacinhos de cada casa, de cada família, e todos se agregam em um luto coletivo por mais de dois milhões de vidas humanas já perdidas até o momento. E por todas que ainda perderemos.

Novamente cá estou eu a escrever sobre luto. Eu que fui desperta ao tema em 2011, quando da perda de um filho recém-nascido, e para ele em 2015 escrevi Até Breve, José. Todos os dias, leio e escrevo sobre o tema, em trocas de e-mails e mensagens com leitoras e leitores.

Então talvez essa inquietude, esse fora-do-lugar, esse algo errado, esse cansaço, aliás, essa exaustão que alguns dias têm me acometido e talvez também a você, venha daí. Estamos enlutando o que perdemos até aqui e o que ainda vamos perder.

Reconhecer as perdas, se permitir sentir, e principalmente, se permitir chorá-las, é parte fundamental do processo do luto. Se você ainda não saiu do ritmo maratonista da quarentena, permita-se. Deixe sua Internet desligada por algumas horas, sim, você pode, é só apertar um botãozinho que fica atrás do seu roteador.

Deixe o vazio chegar. Não pegue nada para ler, não vá varrer a casa ou nem pintar paredes. Apenas deixe que ele te encontre, respire o tédio, o medo, a angústia e todos os outros sentimentos que vem com ele. É interessante observar como o vazio pode carregar tantas coisas.
Quando olhamos de perto, o vazio é muito cheio.
Permita-se inundar, transbordar esses sentimentos, e se puder, chore. Chore suas perdas. Chore por todos aqueles que nesse momento estão morrendo sozinhos, sem poderem ser velados. Por todos que estão nos hospitais, acamados. Pelos profissionais de saúde que todos os dias saem de casa, arriscando a própria vida, para cuidar de todos nós. Chore de raiva por todos que não estão fazendo o que você acha que elas deveriam estar fazendo. Chore pela governança conflituosa que nos deixa ainda mais inseguros em meio à crise. Chore pelas risadas leves que já não conseguimos dar. Chore de medo do que vem, chore de saudades do seu pai, da sua mãe, dos seus avós, de seus amigos, de beijar, abraçar e circular por aí. Chore o receio de talvez nunca mais ver algumas pessoas. Chore e deixe que as crianças também chorem — pelos amigos que não estão encontrando, por saudades da escola, das brincadeiras, do dia-a-dia, de todos os corpos que os abraçavam.

Crianças são espelhos. Se os seus filhos e filhas estão gritando mais, dormindo menos, parecem agitados e confusos, não é uma coincidência.

Ah, e se der, chore um pouco pelo futuro do pretérito também. Chore pela viagem que faria, pelo que realizaria, pelo amor que conheceria naquele final de semana que passou. Chore pelas trocas que teria, não fosse… Chore, minha amiga, meu amigo, chore seu luto pela humanidade que hoje enfrenta o maior desafio da nossa era, chore por cada sentir, do macro cosmo até o micro cosmo, do planeta todo até a muda que você plantou, mas talvez não vingou.

Tome seu tempo, Temos muito tempo. Tome seu tempo e chore seu luto.

E quando sentir que já o choro cessou, respire bem fundo. E perceba que apesar do luto, continuamos todos vivos. Que honra estar vivo. Que presente é a vida.

É possível sermos tristes e felizes ao mesmo tempo

Então chegamos agora na vida que há após o luto, e que chamamos de celebração. O que podemos celebrar? A tristeza já encontramos debaixo da pilha de ocupações internéticas onde se escondia, e fizemos amizade com ela. E agora desde essa leveza que só sente quem desaguou suas águas, podemos então, ousar celebrar.

Celebremos os aprendizados, o crescimento, as novidades, o convívio, as pessoas que amamos e estão ao nosso lado. Celebremos por cada dia que conseguimos sair da cama, que demos conta de um milhão de tarefas, que não xingamos ninguém e nem queimamos o arroz. Celebremos, afinal, os aprendizados e ganhos. Celebremos por cada papo virtual que nos foi concedido com um amigo ou familiar, por cada reunião que deu certo apesar de picar o áudio ou congelar a imagem, por cada grupo novo que nasceu, ideia que surgiu, cada meme que criaram (somos eternamente gratos!), cada descoberta da quarentena. Celebremos as refeições, a comida que temos, o aconchego, o espaço seguro em que estamos, seja do tamanho que for, a cama quentinha, o travesseiro que nos faz companhia nas noites insones, o Sol majestoso que, às vezes, nos alcança até mesmo dentro de casa.
Celebremos estarmos vivos, seguros, saudáveis. Celebremos estarmos todos aqui, agora.

Há tanto para celebrar! A vida é generosa, mesmo quando não parece.

Essa frase está no meu livro, e agora também está ainda mais viva em mim.

É mais autêntica a celebração depois de enlutar. São duas faces, como o dia e a noite. Ao trazer da sombra aquele luto não-dito, não-nomeado, que nos atormenta e desestabiliza, encontramos um caminho para sentirmos em paz, à luz da celebração.

Hoje completo 40 dias enlutando meus sentimentos e agora celebro! Finalmente, consegui escrever."

Camila Goytacaz - É professora de Comunicação e Liderança na FGV e
 facilitadora de Comunicação Não-Violenta.
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