domingo, 12 de maio de 2019

Mãe: caminho de cura

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Hoje, dia 12 de maio comemoramos o dia da MÃE.

Ela, uma mulher bem comum, ainda que extraordinária, somou-se a um homem, este também comum e igualmente extraordinário para criar algo intimamente ligado com toda a força desse universo. Criou uma vida, algo somente alcançado através do amor.

Talvez nesse pequeno pensamento, já é possível perceber a força e a grandeza dessas mulheres que se tornaram mães. A capacidade sublime de somar recursos e gerar vida.

Nessa vida contém toda a força e capacidade de duas pessoas que se aventuram nesse caminho arriscado de gerar filhos. 

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“Eu tomo a vida de você”

Arriscado também porque ter filhos é aceitar a vulnerabilidade do cargo. É saber que a própria felicidade não está mais somente em seu poder, mas agora atrelado ao destino de uma nova pessoa.

É o maior caminho de amadurecimento reservado à nossa humanidade. A maior responsabilidade que um casal pode ter. A cada filho que nasce no mundo, todos ganhamos a chance de um novo recomeço. Uma nova oportunidade de seguirmos adiante.

Filhos só existem por causa de mães e pais. Mães e pais só existem por causa de seus filhos. Esse é a grande força que comemoramos neste fim de semana.

Este domingo é uma data em que todos fazemos parte. Todos tivemos uma mãe, independente de como tenha sido: a vida chegou até nós através dela.

Ela nos convida a incluir, em torno de uma mesa farta, todos os que pertencem à nossa família. E na inclusão de todos, reside a cura. 

“Tudo, a totalidade”

Como filhos, esse domingo é uma oportunidade para reconhecermos todo o carinho, cuidado, atenção, oportunidade, amor, acolhimento que recebemos de nossas mães.

Mães que aguardam pacientemente nossas voltas pelos lados escuros do amadurecimento. Mães que permanecem mães mesmo após não poderem mais estar conosco.

Mães que com um pequeno gesto, geram memórias que nos acolhem durante toda uma vida. Mães que nos deram um pai e uma família.

Mães que pedem para pôr um “casaquinho” pois o frio está vindo. E esse casaco, quando o frio realmente chega, se torna o melhor abrigo que poderíamos receber. Não é apenas o tecido certo. É o cuidado com a gente que esquenta.

Mães com destinos tão difíceis que deram tudo o que podiam e seguem incompreendidas por nós, que ainda nos arrogamos o direito da crítica e do julgamento, como se elas pudessem ter sido diferente do que foram.

Mães com suas dores e lágrimas.

Mães que talvez um dia, também foram crianças tão pequenas e indefesas, abandonadas.

Mães que são… mães.

Maravilhosas pelo sim que dão a vida para nos trazer a este mundo.

Agradecimento ao despertar da vida

Mães nos apontam para o sucesso. Na verdade, são nossa primeira possibilidade de sucesso. Nosso nascimento vem carregado de trabalho que nós, como família, fazemos juntos.

Um bebê experimenta através da mãe o sucesso do nascimento e da alimentação ativa, ainda que por vezes por um curto período de tempo.

O que foi possível é o suficiente. Para cada leitor deste texto há uma mãe que ficou disponível, da melhor forma possível, ao fluxo da vida. Que aceitou a tarefa com tudo que ela carrega, com todas as dores e felicidades.

As vezes, nós como crianças pequenas, não aceitamos bem o que vem de nossa mãe, e sofremos na ambiguidade do nosso sentimento. Bert Hellinger fala em seu livro “O amor do espírito” de um exercício que podemos fazer para experimentar os efeitos de concordar com os destinos de nossos pais.

Hoje, em especial, sugerimos que este exercício seja feito direcionado à mãe. Imaginamos nossa mãe à nossa frente, nos ajoelhamos e dizemos o seguinte para ela:

“Querida mamãe,
Eu tomo a vida de você,
Tudo, a totalidade,
Com tudo o que ela envolve,
E pelo preço total que custou a você
E que custa a mim.
Vou fazer algo dela, para sua alegria.
Que não tenha sido em vão!
Eu a mantenho e honro
e a transmitirei, se me for permitido,
como você fez.
Eu tomo você como minha mãe
e você pode ter-me como seu filho(a).
Você é a mãe certa para mim
e eu o filho certo pra você.
Você é grande, eu sou o pequeno.
Você dá, e eu tomo – querida mamãe.
E me alegro porque você tomou o meu pai.
Vocês dois são os certos para mim.
Só vocês!”

Estar em concordância com a imagem deste exercício é tomar ativamente o que é passado a nós pelas nossas mães e pais. E este tomar é o acesso a uma vida mais significativa, alinhado com a nossa força familiar e tudo o que nos move.

Reverenciamos todas as mães, com tudo que as moveu e que nos trouxe até aqui.

Obrigado por todos os olhares durante nossas vidas.

Obrigado. Obrigado. Obrigado.
Texto extraído do site Ipe Roxo - https://iperoxo.com
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domingo, 5 de maio de 2019

As ordens do amor: cliente e constelador

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“As ordens do amor são princípios desenvolvidos por Bert Hellinger, a partir da observação. Ainda que sejam estranhas à Psicologia, por causa da tradição psicológica, poderão ser absorvidas com o passar do tempo porque em toda evolução ocorrem quebras de tradições.

1. Todos de um sistema familiar tem o direito de pertencer. Isso não é uma decisão consciente, é um fato: a pessoa tem o mesmo sangue, ou tiveram relações sexuais ou teve filhos juntos. Se alguém do sistema familiar é excluído, o sistema familiar tenta corrigir isso nas gerações seguintes, através da identificação ou do “emaranhamento” de alguém do sistema.

2. Existe uma hierarquia natural em um sistema familiar: o primogênito é sempre o primeiro gerado (nascido ou não), o segundo filho é o segundo, e assim por diante. Os cônjuges, se houver mais de um, vêm na ordem que apareceram. Isso não tem a ver com a forma de eles olharem a própria história: se casou com X primeiro e depois com Y, X vem primeiro e Y vem depois. Ponto final. Os pais nascem antes dos filhos e os pais deles nasceram antes deles. É a ordem.

Em vidas problemáticas, os comportamentos que estão na superfície são as águas brancas turbulentas sobre um rio que flui forte em baixo, caoticamente, uma corrente sistêmica mais profunda e constante, que flui sempre na mesma direção. Essa corrente profunda é feita daquilo que recebemos da mãe e do pai. Vibramos a frequência da mãe e do pai desde que nascemos. Não há escolha. Não há escape. A nossa vida se originou da deles e dançamos a música que eles dançaram.

Aceitar que a nossa vida veio de seres imperfeitos, nos libera de culpá-los e nos habilita a receber o amor, a vitalidade e o nosso direito de nascença. O mais importante é que nos conectemos a eles de uma forma que permita que o amor flua muito além deles e que ele também nos alcance.

Nem todo sistema familiar está fora de ordem mas muitas pessoas com dificuldade nos relacionamentos pessoais ou nas relações de trabalho, carregam alguma confusão sistêmica sobre a simples ordem de “quem veio primeiro." Sem reconhecer quem eram, as pessoas seguiram uma consciência grupal e se deram mal.

A nossa "consciência" individual (nosso sentimento pessoal de culpa ou inocência) é baseada na necessidade de pertencer ao grupo. É algo atávico. Pelo bem da sobrevivência, a prioridade é proteger os laços com nosso grupo, o nosso lugar na comunidade.

Se o grupo disser que devemos excluir um membro da família, a fim de pertencermos, o excluiremos; e até nos sentiremos bem e sem culpa, fingindo que a pessoa não faz mais parte da família. Sentimo-nos bem porque estamos de acordo com o grupo, sem medo de sermos excluídos ou de nos afastarmos dele. Trocamos o que é verdadeiro pelo pertencimento.

Cuidado com a sua rejeição do filho homossexual, da filha dependente química, do primo que cumpre sentença na prisão, da enteada que você expulsou porque não é a sua filha, do irmão que abraçou uma religião que você não gosta, da ex-esposa que você tirou o direito de mãe porque a denegriu para o juiz lhe dar guarda exclusiva, do filho que você rejeitou para se casar de novo, do pai que você largou porque ele se perdeu na vida. Tais comportamentos voltam, nesta ou nas próximas gerações e com os seus descendentes de sangue. 

A dinâmica sistêmica transgeracional é uma ordem superior de amor que insiste que todos tenhamos um lugar. Há ocasiões em que nos sentimos com um conflito interno porque o sistema familiar exige que neguemos a inclusão da extensão da alma da família real. A pessoa que foi internada, a ovelha negra, os filhos da amante, a que se casou fora da raça ou cultura. Há uma ordem maior que exige que tais membros da família voltem para casa. Todo mundo tem o direito de pertencer.

Essa tal consciência pessoal tem motivado a maioria das atrocidades, cometidas em nome de uma "boa consciência": genocídios, perseguição, de grupos ou indivíduos. Só porque seguiam suas crenças. Cuidado com o governo que você apoia. Será que ele inclui todos ou tenta cortar pessoas da nação, lhes privando de fazerem parte de um plano governamental benéfico? Os dias são ruins mas as pessoas podem torna-los piores. Quantas gerações serão necessárias para se purgar todo o mal que foi feito?

Quando vemos as maneiras pelas quais os indivíduos, gerações depois, se identificam com aqueles vitimados pelo sistema familiar, notamos quantos paralelos surpreendentes podem ser criados na vida das pessoas! Hoje você pode estar sofrendo pelas ações dos seus antepassados. O seu país também.

Há também aquelas poucas aves raras que escutaram um chamado mais elevado de "consciência" e conseguiram algo maior, mais universal e abraçaram uma outra agenda mesmo sob risco de serem excluídas e, às vezes, perderem até a própria vida.

Hellinger afirmou que há menos pressão e mais fluxo, quando as pessoas são respeitadas e reconhecidas dentro da ordem, conforme venho expondo. Existem muitos facilitadores focados em aprender a facilitar a constelação sistêmica familiar mas eles precisam, antes de qualquer coisa, reconhecer a posição do cliente. A integridade do sistema do cliente deve ser apoiada no espaço da constelação, de forma que o cliente consiga obter força e se curar, levando isso para o seu contexto sistêmico de família.

“As crianças fazem de tudo para salvar a mãe e o pai. Elas querem substituir a mãe e o pai e dizem: "É melhor que eu adoeça no seu lugar, minha mãezinha". Ou "É melhor que eu morra no seu lugar, mãezinha". Mas as tentativas de ajudar a salvar os pais sempre fracassam. Mesmo assim, elas não desistem: crescem, querem ajudar outras pessoas, do mesmo jeito que queriam ajudar os seus pais quando eram crianças. Vivem procurando pessoas necessitadas de ajuda e desenvolvem um relacionamento esquisito com a pessoa que querem ajudar. 

Hellinger afirmou que o constelador não pode ser uma criança que tenta mudar o destino de uma pessoa. Quem se comporta como uma criança e quem deve se comportar como mãe ou pai? O cliente ou o facilitador? Se for o facilitador, a relação terapêutica só pode falhar. Quando queremos alcançar a força para ajudar, temos, primeiro, que desistir de ajudar os nossos pais, olhar para eles e lhes dizer: "Você são grandes e eu sou pequeno. Eu os honro e continuo sendo o filho de vocês”. Assim, a criança consegue se separar dos pais e quando crescer, vai ajudar os outros e ela não precisa mais se comportar como uma criança. O constelador diz ao cliente: "Você é grande e eu sou pequeno", olhando não só para o cliente, mas para os pais dele, respeitando-os."

Os pais vêm primeiro e o filho vem em segundo lugar, porque os pais chegaram primeiro e os filhos depois. Se um cliente nos pede ajuda, entramos nesse sistema. Quem vem primeiro? Os pais e depois o cliente, claro!. Por último vem o constelador. Tem constelador que se acha ótimo e se comporta de maneira superior: ele primeiro, depois o cliente e então os pais do cliente. Está tudo errado. Vai dar errado.

O sistema familiar é um sistema fechado: nascido nele, nunca poderá ser diferente do que ele é. Isso foi traçado desde quando aquele determinado espermatozóide fertilizou aquele óvulo. Esse é o “ponto de origem” objetivo, quer você goste ou não.

Ter uma mãe não significa que alguém tenha sido nutrido ou "criado" por essa pessoa. Ter um pai não significa que alguém tenha sido nutrido ou "criado" por ele. Alguns tiveram destinos muito difíceis quando crianças, foram abusados ou foram negligenciados. Mas se a pessoa está viva, alguém contribuiu para isso. É, portanto, a vida aquilo que eu reconheço quando não há mais nada sobrando. No fim, a herança maior é a de se estar vivo.

Se alguém é incapaz de ser grato pela própria vida, viverá com raiva, inconscientemente punindo os pais terríveis com a sua própria vida terrível. Volta e meia, isso aparece nas constelações e a pessoa precisa agradecer pelo dom da vida, pois ela é a única realidade verdadeira que permite alguém ficar de pé, e fazer algo de bom, apesar de a vida ter sido ruim no passado.

Quantas famílias têm um segredo sobre um membro da família e que não é realmente um segredo? Isso gera uma tremenda tensão no sistema familiar: um filho, fruto de um caso de amor, que não é contado no rol de filhos. Tal exclusão é só o começo de um compromisso inconsciente multi geracional de lembrar e perpetuar a tradição de exclusão dessa família. É um fato que será repetido de novo e de novo, através das gerações, até que a essência da dinâmica e das crianças excluídas tenha sido colocada no lugar.

Muitos sofrem porque, em algum momento, lhes foi pedido que concordassem com a mentira de não terem pais: “eu não tenho pai” ou “não tenho mãe”. Mas todos os seres humanos, biologicamente, têm uma mãe e tem um pai. Para que o amor flua, os pais dão vida aos filhos e estes a obtém deles.

Para o amor fluir entre casais, deve haver um equilíbrio entre o dar e o receber. Para que esse amor flua, é preciso reconhecer o fluxo da vida.

Mas isto é uma conversa para outro dia.”
Autor: Miguel Mello
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Essas Ordens descritas acima regem TODOS  os relacionamentos: empresariais, familiares, governamentais... e todo tipo de relação terapêutica.
Como um profissional desta área pode direcionar seu cliente para uma solução que ele "acha" ser a melhor?
O cliente deve seguir as Ordens do Amor, para que sua vida flua, ou seja: Pertencimento, Ordem e Hierarquia ( já muito discorridas neste blog).
Observo quase sempre uma desordem nas relações, ao atender meus clientes. Mas,  partir do momento que o ele as compreende e passa a adota-las em sua vida ( mesmo que doa, que seja difícil etc...) tudo passa a fluir com mais rapidez. E aí tem uma nova armadilha - o cliente acredita que a constelação vai fazer mágica e resolver tudo....
Não!!!!!! A constelação mostra o essencial, aquilo que está encoberto...mas a "tarefa" da mudança e o olhar é do cliente- e apenas dele!
As constelações podem ser individuais e em grupo, e é uma forma de terapia breve para mostrar aquilo que está agindo no contexto e apontar as ordens que foram ou estão sendo quebradas. A  solução é mostrada ao cliente, através do campo, do seu sistema... mas a decisão para segui-las ou não, é do cliente.
Bom dia e boa semana.
Taís

domingo, 28 de abril de 2019

Quem Pensa, Quem Sofre, Quem Ama

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"Meu pensar, meu sofrer, meu amor tem um efeito. São parte de um movimento que põe em marcha algo, ocasionando-lhe uma mudança, impulsionando-o para avançar ou freando, detendo--o. Meu pensar, meu sofrer, meu amor estão enlaçados com um movimento, que tanto para mim, como para os demais, é significativo. Portanto, nunca são estritamente pessoais. Dependem de algo maior. Têm efeitos que ultrapassam nossos desejos, nossa vontade, nossos temores e nosso poder; e cuja envergadura não podemos nem estimar, nem determinar, nem represar, nem deter – seja para nós, ou seja para os demais.

Quem pensa, então, quando pensamos? Quem ou o que sofre quando sofremos? Quem ou o que ama quando amamos? Como ficamos quando tomamos consciência de que algo mais pensa quando pensamos, algo que nos supera de longe? Como ficamos quando lhe deixamos pensar do jeito que quiser? Quando lhe permitimos nos envolver com seu pensar, seja o que for, pensar em nós e com nós, entregando-nos a ele e agindo conjuntamente com ele no que pensa com e em nós; como ficamos, então? Por acaso precisamos nos preocupar em saber para onde nos leva este pensar? Por acaso precisamos nos preocupar com o modo como nos torna a seu serviço, diferente do que teríamos arriscado e podido, caso este pensar surgisse de nós?

E o que acontece com nosso sofrer? Por acaso dominamos seus efeitos? Quando nos alcança, assim como a outros, e nos faz ser razoáveis, por exemplo? Ou nos ajuda, levando-nos a refletir, ou nos obriga a mudar de pensamento, levando-nos a um pensar mais criativo? Por acaso controlamos para onde nos leva nosso sofrer, assim como aos outros? Trata-se apenas de um sofrer pessoal ou está a serviço de um poder maior, assim como nosso pensar? Um poder do espírito, para o qual apenas representa uma transição para metas mais elevadas e distantes?

Como manejar nossa dor em sintonia com estas forças condutoras? Ora, nos deixamos guiar por nossa dor para uma realização. Nos deixamos tomar pela mão por este sofrer em um movimento que reordena algo para nós e para outros. Neste caso, é apenas nossa dor, uma dor pessoal? Ou está a serviço de um movimento que, através da nossa dor, consegue algo para muitos ao mesmo tempo?

Portanto, olhemos além de nosso sofrer, para este potente movimento, deixemo-nos guiar por ele, para onde vá. Este movimento pensa através da nossa dor e, com ela, nos faz voltar à razão.

De que razão se trata, antes de tudo? Nosso sofrer nos obriga a pensar de outra forma. Nos obriga a pensar de outra forma nos demais, em sua dor, por exemplo, ou em sua culpa e a nossa. Mas, acima de tudo, nos obriga a pensar distintamente com respeito àquela força espiritual cujo pensar traz tudo para a existência, tal como é, e que leva tudo para sua meta, que ainda permanece oculta para nós.

Além disso, este movimento nos mostra algo: está dirigido a tudo igualmente, sem favorecer nada. Já que, em função de qual critério poderia dar a preferência a outro, posto que tudo tem que ser como ele o concebe e quer?

Mas, pelo visto, nós achamos que podemos preferir um em detrimento do outro, e que temos o direito de considerá-lo melhor ou pior. E nos outorgamos a possibilidade de excluir ou eliminar algo a favor de outra coisa, como se pudéssemos ou tivéssemos a permissão para isso.

Se o fazemos, qual é o resultado ou as consequências? Ora, é o sofrimento. Através do sofrimento estamos reconectados com o que, a nosso parecer e ao parecer do nosso grupo, não deveria estar ali, aquilo que não tem permissão para esta ali, como nós, como aqueles dos quais dependemos e aos quais estamos entregues.

Quem sofre, então? Nós sofremos. Mas sofremos para que algo retorne com o objetivo de que possamos nos completar graças a isso e, por conseguinte, no curar. Sofremos porque uma força nos leva a esta dor, mas por um caminho que abre para nós e para os demais.

Ao serviço do que, então, se encontra o sofrer? A serviço do amor.

Algo mais se destaca aqui. O amor desta força criadora ama de modo diferente do qual nós podemos amar. Pelo menos, no começo do nosso amor e até que nos encontremos envolvidos amorosamente por este outro amor. Que amor é este? É o amor para tudo, tal como é.

Quando amamos, então, quem ama neste amor? É este poder que atua por trás de tudo, que abarca tudo de igual maneira em seu movimento, em um movimento de amor para todos. Por acaso somos nós que amamos ainda? Ou nos abandonamos, com nosso eu, a este amor?"
Revista Hellinger Sciencia, março 2008

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