sábado, 10 de setembro de 2011

Libertando-se das máscaras...


Gente...a história é longa...mas vale a pena como possibilidade de refletirmos sobre nossas “fachadas”...
Adorei ler e sentir que, mesmo sendo produto do nosso sistema familiar, podemos crescer e nos modificarmos como seres humanos que somos...afinal qual é a nossa função na passagem por este planeta?????
Como despedir daquelas seguranças, com as quais nos acostumamos, afinal somos pseudo aceitos...
Como andar novamente sozinho na rua? Enfrentar a multidão?!
Arriscar olhar nos olhos das pessoas... ou esconder-se eternamente atrás daquela fachada de segurança?
 Eis a questão! Boa leitura...
Tais
"Fachada era um cachorrinho de raça, com pedigree e tudo a que um cachorro de raça tem direito. Quando ele chegou naquela casa, já por lá andavam outros habitantes: um casal de gatos siameses, muitos queridos pelo pessoal da família. Fachada logo sentiu que aquele povo gostava muito de gatos...e desde cedo ficou com a sensação de que se fosse um gato seria mais aceito pela família. Meteu-se-lhe aquela história na cabeça e acabou pegando a idéia...
Fachada começou a ensaiar um jeitinho de gato... e foi percebendo que as pessoas achavam isso bem legal. Estava emplacando! E por aí foi! Com o tempo, ele já estava até conseguindo miar igual aos gatos... ou quase igual! O disfarce ia se ajustando bem no seu corpo de cachorro. Isso lhe rendia mimo e aprovação das pessoas. Era perfeito! Tudo o que ele quisera era ser bem-aceito pela família, conseguir “sobreviver” numa família onde gatos eram bem acolhidos. Ele se sentia bem com isso. O jogo funcionava e dava lucro!
Assim foi crescendo o nosso Fachada! Cachorro feito, já grande, continuava levando adiante aquela fantasia de ser gato...mas algo começava a não funcionar! De vez em quando, as pessoas iam percebendo que na realidade ele não era igual aos gatos... de vez em quando escapava um latido, sem que ele mesmo apercebesse disso! Lentamente as pessoas foram desconfiando... embora se tivessem acostumado, durante muito tempo, a olhar e cuidar de Fachada como se fosse gato. Pensando bem, só não via quem não queria! Enquanto ele era pequeno, até que a mascara de gato passava bem discreta e se confundia... mas os anos passaram: o corpo de cachorro já não conseguia esconder debaixo da mascara de gato... e as pessoas que com ele conviviam mais de perto, foram caindo na real e vendo que, afinal...Fachada era mesmo cachorro...
             Só ele não percebia! Continuava achando que era gato e se esforçando para parecer um gato em tudo que fazia! Sempre fora assim... sempre foi aceito e querido desse jeito... sempre tinha atraído a atenção as pessoas fazendo esse papel, sempre se dera bem com esse disfarce... por que não continuar?
            Mas, no fundo, algo não batia direito na vida do Fachada! Quando ele via um cachorro passando na rua... aquilo mexia com ele: as vezes sentia vontade de ser como o cachorro e de sair correndo atrás dele para ganhar o mundo... outras vezes sentia antipatia pelos cachorros que passavam, como se algo o incomodasse profundamente, quando olhava para eles...
Fachada começou a ficar triste... e, de vez em quando, ficava sozinho pensando na vida! Lembrava  de quando era cachorro pequeno, de quando tinha chegado naquela casa... mas não era muito agradável ficar pensando naquelas coisas... e logo se cansava e arrumava outra coisa para fazer.
Um dia Fachada percebeu que as pessoas o olhavam de um jeito meio estranho...e que ficavam cochichando alguma coisa, por entre sorrisos, quando passavam por ele...aí, ele começou a se mancar! – “Hum... algo está contecendo e eu estou por fora!” E aí, foi pintando uma vontade de tirar aquela história a limpo... uma vontade grande de se conhecer, de saber o que estava acontecendo com ele, de entender por que ele não andava se sentindo bem...”afinal, aquela história de ser gato já não estava funcionando  tão direitinho como sempre funcionara.”
E aí, um belo dia, Fachada se encheu de coragem, entrou em casa e se olhou no espelho!
Foi o fim! De repente, ele sentiu o chão desaparecer debaixo de sues pés... tudo ficou escuro à sua volta... ele sentiu vergonha dele mesmo...estava claro! Não dava para ter dúvida! Ele era mesmo um cachorro... não tinha nada de gato... “Meu Deus, como pudera andar tanto tempo pensando ser um gato?”
Naquela hora, passado o susto inicial, Fachada sentiu nojo daquela máscara de gato...que já não lhe servia mais, que ficava ridícula naquele corpo de cachorro...Agora ele entendia os sorrisos e comentários que as pessoas faziam nas costas dele...
Estava claro que não dava mais para continuar fingindo-se de gato! Era ridículo! Além disso, nesta altura do campeonato, todos já deviam ter percebido claramente que ele não era gato... “então, para que servia essa máscara?”  Servia em outros tempos! Mas agora não dava mais! Não dava mais para ele... que cada vez mais sentia que algo estava errado e o fazia infeliz. Não dava mais para enganar os outros, que já tinham descoberto que por trás da máscara havia um outro bicho! “Então...por que continuar com essa droga de máscara?!” Aquilo estava apenas atrapalhando a sua vida... Era um peso estranho que cada vez mais custava a ser carregado! Decididamente... estava na hora de jogar aquela máscara...
Mas...”e com que cara eu vou agora aparecer para as pessoas?!...e se as pessoas não me aceitarem como cachorro... e se as pessoas me rejeitarem, não gostarem, de mim? “
Um monte de dúvidas tomou de assalto a cabeça e o coração de Fachada... o negócio não era tão simples assim... a vida inteira ele tentara viver como um gato... como iria agora...de repente, começar a ser cachorro? Ele se sentia meio sem jeito, com a cara no chão... sabendo que não dava amis para continuar o disfarce, mas sabendo também que não saberia como vivcer de outro jeito...
Tempos passaram. Aquela máscara era cada vez mais ridícula! Cada dia se sentia mais oprimido por ela. Mas era difícil desfazer-se dela... até porque ele tinha criado por ela um grande carinho, ao longo de toda sua vida. Sem ela, sentia-se inseguro, pisando em terreno desconhecido, meio sem jeito, como um cachorro na chuva...
“ E se as pessoas não me aceitarem como cachorro?” – era a pergunta que ia e vinha na angústia de Fachada.
Mas...também não dava para ficar amarrado naquela angústia! Era preciso “chutar o balde”... e pagar para ver! Continuar assim não tinha jeito. Ele sabia que era mentira. Todos já tinham percebido isso há muito tempo...”então, que se dane esta máscara...serviu enquanto serviu, agora não serve mais... e eu posso viver sem isso!”
E, um belo dia, Fachada acordou corajoso e enjoado daquela máscara...entrou em casa, rasgou aquela máscara, olhou-se no espelho, pela primeira vez gostou de se ver cachorro, riu dele mesmo sem entender como pudera ter passado tanto tempo querendo ser gato e, respirando fundo, foi ao encontro das pessoas, ainda tremendo nas bases...
Para surpesa sua, os olhares de aprovação foram mais fortes que os comentários de espanto...
“Que coisa...parece  que as pessoas sempre me viram assim... acharam tão normal eu aparecer como cachorro!”
Daí a poucos dias, Fachada se descobriu contabilizando  o lucro de sua nova situação: os gatos passaram a respeitá-lo mais, as pessoas arrurmaram para ele um lugar bem melhor e mais espaçoso, a comida mudou e ele passou a gostar muito mais daquela nova vida de cachorro... e, aos poucos,  ele foi sentindo o orgulho de ser um cachorro! Um cachorro de raça! Com pedigree e tudo a que um cachorro de raça tem direito... embora, de vez em quando, ainda batesse uma tentação de voltar a ser gato... apenas um momento de fraqueza , logo superado pela alegria de ser o que realmente ele era: um cachorro de raça!"
Crescendo com o Eneagrama na Espiritualidade – Domingos Cunha- Ed Paulus

5 comentários:

  1. Amigos (as), li a crônica . Recomendo a leitura! Extraio um trecho: "E, um belo dia, Fachada (nome do personagem - o grifo é meu) acordou corajoso e enjoado daquela máscara...entrou em casa, rasgou aquela máscara, olhou-se no espelho e..)... Eis a resposta!

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  2. Ana Cristina Sobocinski Paes10 de setembro de 2011 19:18

    Parabéns Tais ... muito bom o texto...

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  3. HUM!!! INTERESSANTE!!!!!!!!!!!!!!

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  4. Gostei da maneira como a Tais abordou o assunto, ficou ÓTIMO. Máscaras encobrem a realidade. Por mais que dê tudo errado, fingir Ser não é a solução. O cachorro “Fachada”, da crônica, tentou ser gato para se adaptar a sua nova vida, enfim, fez isso para ser aceito. Porém, com o tempo ele descobriu que seria aceito do mesmo jeito, livrando-se do “faz de conta” e resgatando a sua verdadeira identidade. Devemos ser autênticos, porém, cada qual à sua própria maneira, com originalidade, ter coragem de começar de novo e fazer acontecer!

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  5. Tema bem-vindo Taís.
    Como diz Bert Hellinger: "...busca segurança quando é preciso coragem.".
    Claudia Pizzatto

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