domingo, 17 de janeiro de 2016

Abrir-se a um novo parceiro

Leia o relato completo de um trabalho de Constelação Familiar feito a partir de imagens mentais 
"Ano passado uma cliente me procurou para uma sessão de constelação individual com uma queixa comum a muitas mulheres. Embora estivesse solteira há três anos e disposta a conhecer outro homem, não conseguia entender o porquê de sua dificuldade em encontrar um parceiro. Outro fato, que acontecia de forma repetida nos últimos anos, também a intrigava. Os homens pelos quais havia se interessado não estavam disponíveis para um relacionamento, por uma mesma razão: estavam casados.


Nessa situação eu poderia ter feito uma constelação utilizando bonecos ou objetos para representar aspectos e pessoas que tivessem relação com ela e seu problema, mas como essa cliente é bastante visual, decidi trabalhar apenas com imagens mentais. Após conduzi-la a um estado de relaxamento, disse a ela que se colocasse, mentalmente, num espaço de visão interna (o que chamamos de campo mórfico, ou campo de informação). A partir dali pedi que não interferisse nem construísse nada, apenas observasse e relatasse as imagens e movimentos que fossem surgindo em sua mente.

No início ela disse que o campo ao seu redor estava tomado por uma neblina e que seu corpo começou a se movimentar de forma estranha, caminhando em círculos. Após dar algumas voltas sobre si mesma, e sentindo-se um pouco tonta, ela finalmente parou e uma imagem de um tronco de árvore começou a se formar e a se sobrepor à imagem de seu corpo. De repente, o tronco foi se partindo ao meio: o lado direito envergou até cair no chão, enquanto que o lado esquerdo permaneceu em pé, firme, mas com uma imagem ligeiramente apagada, sem nitidez.

Ela foi descrevendo que, sobreposta àquela metade do tronco que
tombou até o chão, havia sua própria imagem deitada de lado e de olhos fechados. Parecia dormir profundamente. Disse que para conseguir um parceiro e ter sucesso nos relacionamentos ela precisaria estar inteira, honrando e integrando o aspecto masculino de sua existência (o pai e a linhagem paterna) – aqui representado pelo lado direito do corpo –, com o aspecto feminino (mãe, linhagem materna) – representado pelo lado esquerdo. E pedi para ela repetir algumas vezes a frase: “Papai, por favor!”

Algum tempo depois surgiu da névoa à sua frente um dos homens casados por quem ela havia se interessado recentemente. Ele veio caminhando em sua direção, olhou alguns instantes para a parte dela que estava deitada e tentou levantá-la pelos braços, mas sem sucesso. Mas ela continuava profundamente adormecida, sem reação. A parte que permanecia em pé continuava olhando com preocupação para a parte deitada. E sentiu o impulso de dizer: “Por favor, preciso de você pra ficar inteira.” O homem então se afastou, virou para o lado e saiu do campo.

Foi então que a parte dela começou, muito lentamente, a abrir os olhos e a se levantar.
Simultaneamente, a imagem sobreposta do tronco de árvore foi se erguendo num movimento forte e contínuo até se juntar com a outra metade. Quando finalmente pôde se fundir por completo, a cliente sentiu uma grande força interna e visualizou que seus pés eram raízes enterradas no chão. “Isso é muito bom”, disse. “Sinto-me realmente forte e muito bem estável nessa posição, mas ao mesmo tempo um pouco presa, paralisada.”

Logo em seguida surgiu à sua frente a imagem de um novo homem, com quem ela tivera alguns poucos encontros e estava em dúvida se deveria seguir adiante. Muito lentamente ele começou a caminhar em sua direção e ela sentiu seu corpo querendo se mover em direção a ele, mas seus pés estavam presos no chão, enterrados como raízes. Percebendo que a cliente estava um pouco ansiosa nesse momento, pedi que ela aguardasse os próximos movimentos, sem intenção e sem querer alterar nada. O homem então se aproximou dela e lhe estendeu a mão. Com esse pequeno e poderoso gesto, ela finalmente pôde dar o primeiro passo. “Agora sinto meus pés como raízes sendo arrancadas da terra.”

Logo ele se juntou a ela e finalmente puderam caminhar lado a lado. Toda aquela névoa que encobria o campo se dissipou e um caminho se abriu diante deles, com um sol brilhando no horizonte. Ela o olhou, sorriu e teve vontade de dizer: “Muito obrigada!” E ali encerramos a constelação.

Ela ficou muito impressionada com as imagens do campo e com o resultado do trabalho e quis fazer várias perguntas: “Mas afinal, o que estava por trás da minha dificuldade em se relacionar? Minha relação com o meu pai? Estava emaranhada com alguém do meu sistema familiar? Alguém do lado paterno? O que simbolizava aquela parte minha que estava deitada no chão de olhos fechados?” De fato, como interpretar tudo isso? Segundo Bert Hellinger, precisamos confiar e nos render plenamente aos movimentos que se revelam e nos atingem de forma irresistível numa constelação. Somos levados, diz ele, por forças criadoras que vão muito além da vontade e intenções pessoais – seja do cliente, do representante ou do facilitador.

Sob a perspectiva das Novas Constelações, essas forças nos levam para além daquilo que nós vivenciamos como problemas e que procuramos resolver e superar do nosso jeito, com nossa consciência disponível no momento. O que toma conta do trabalho de constelação a certa altura é esta outra consciência, uma consciência universal, que leva cada um para além dos limites de sua própria consciência.

É natural termos uma curiosidade irresistível depois de uma constelação. Nossa mente racional inquieta não descansa na tentativa de encontrar explicação para tudo, afim de poder analisar se algo é lógico ou não. Mas precisamos abrir mão de querer entender pela razão, pois teorizar e julgar apenas enfraquece aquilo que é essencial. E o que foi essencial nesse trabalho? Que algo precisava ser visto, reconhecido, liberado e integrado. E isso aconteceu lindamente nessa constelação. A cliente finalmente pôde se abrir e estar inteira para o novo.

Muitas vezes nós facilitadores não temos acesso aos resultados de uma constelação na vida da pessoa constelada. Mas, recentemente, ao revê-la num encontro terapêutico, soube que estava construindo um relacionamento com aquele homem que, gentilmente, conseguiu tirá-la do lugar onde estava. Isso foi um convite para eu compartilhar esse relato."
Alice Duarte
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Muitas pessoas perguntam qual a diferença entre a Constelação em grupo e a Constelação individual e eu respondo que, a princípio, não há diferenças. Digo também que depende muito do tema, da confiança do cliente no terapeuta e do próprio cliente.
Em grupo teremos representando, pessoas desconhecidas e que nada sabem sobre o tema e isso gera confiança. Muitos clientes perguntam como determinado representante pode ter uma postura igualzinho a "fulano de tal", de sua família? Isso é o "campo" que mostra a história passada.
Para entendermos melhor o significado de “campo”, utilizamos as concepções de Rupert Sheldrake, onde ele afirma que algumas capacidades humanas não são paranormais, mas sim capacidades que qualquer ser humano, que faz parte de nossa natureza biológica. Segundo Sheldrake, essas capacidades são amplamente difundidas em todo o reino animal. Fomos nós que com o tempo fomos perdendo e esquecendo estas capacidades que a evolução nos legou.
“Os campos perceptivos constituem uma espécie de campo mórfico. Estes campos perceptivos têm sua raiz no cérebro e são afetados pelos padrões de atividade dentro do cérebro, mas se projetam para fora de modo a nos ligar ao mundo que percebemos ao nosso redor” ( Rupert Sheldrake).
Na Constelação Familiar nos abrimos através de uma percepção ampliada, para que o “campo” do cliente, nos mostre, se revele, o que era antes desconhecido. Este “campo” é o campo energético do sistema familiar dele, sistema este que pode ser o atual ou o de origem, contando aí, toda a ancestralidade da pessoa. 
Todos os segredos são nocivos, nada que aconteceu em alguma geração de nosso sistema familiar fica impune. Alguém um dia irá pagar um preço por isso e como sempre a corda arrebenta na parte mais fraca, as crianças, elas acabam levando toda carga negativa do que estava escondido.
Por isso o cliente que vai fazer uma Constelação não precisa trazer muita informação de sua vida. Basta o terapeuta entrar em sintonia com ele, observar o que vai além das palavras e deixar o “campo” revelar o que precisa ser anunciado para a verdade aparecer e o quebra cabeças ser montado e aí a solução é encontrada. 
A solução é o resultado final de uma Constelação. O que é necessário para a saúde (física, emocional, familiar etc) se restabelecer.
Na constelação individual o terapeuta e/ou o próprio cliente faz o papel de representante, ou usa-se ancoras, papéis , bonecos etc... e o cliente sente, juntamente com o terapeuta, as soluções apresentadas.
Boa semana
Taís

2 comentários:

  1. Ana Odete Trentini17 de janeiro de 2016 16:20

    Fantástico o que compartilhou Tais. Que lindo desabrochar! De arrepiar! Bjos querida

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  2. Tais, gostei de saber como pode ser trabalhado individualmente as Constelações. Amei o tema. Obrigada pelo carinho ao selecionar toda semana uma surpresa melhor que a outra.

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