domingo, 12 de agosto de 2012

O sistema familiar e as exclusões



A FAMÍLIA PRÓXIMA
Nós pertencemos não somente aos nossos pais, mas também à nossa família próxima, a um sistema maior. O nosso sistema familiar comporta-se como se fosse controlado por uma função mais elevada de que todos os membros compartilham em comum. Podemos comparar isto a um bando de pássaros. De repente todos os pássaros voam num novo sentido, como se os pássaros individuais fossem movidos em comum pela decisão do bando. Num sistema familiar, esta elevada função de grupo age como uma consciência de família compartilhada. Esta consciência comum é primariamente inconsciente, e nós podemos reconhecer as ordens que serve, pelo que acontece quando nós lhe obedecemos ou violamos as suas exigências.
Podemos dizer quem pertence ao sistema familiar observando quem é afetado por esta consciência comum, e quem não é. Regra geral, as seguintes pessoas pertencem a um sistema familiar:
·         Todas as crianças, incluindo as mortas e as natimortas;
·         Os pais e seus parentes;
·         Os avós;
·  Ocasionalmente um ou outro dos bisavós, incluindo os parentes mesmo mais distantes que sofreram um destino particularmente difícil ou injusto;
·   Os não-parentes pertencem ao sistema também quando, através da sua morte ou infortúnio, alguém na família beneficiou, por exemplo, sócios ou parentes anteriores dos pais e avós.

O DIREITO DE SOCIEDADE
Um princípio fundamental aplica-se a um sistema familiar que determina que todos os membros têm um direito igual de lhe pertencer. Em muitas famílias e clãs, determinados membros foram excluídos, um tio por exemplo, que era a ovelha negra da família, ou um filho ilegítimo sobre quem ninguém falava.
Ou alguns membros podem dizer, "eu sou Católico e você é Protestante, e como Católico tenho um direito maior de pertencer do que você." Ou o reverso, "como um Protestante, eu tenho um direito maior de pertencer, porque eu pertenço à fé verdadeira. Você é menos fiel do que eu, então você tem menos direito de pertencer." A religião não é tão importante como era hábito, mas outras coisas são ainda, como a profissão, nacionalidade, cor da pele, gênero.
Ou, às vezes quando um filho morre em criança, os pais dão ao filho seguinte o mesmo nome. Dizem efetivamente à criança falecida, "você já não pertence. Nós temos um substituto para ti." A criança falecida não pode mesmo manter o seu próprio nome. Em muitas famílias tais crianças nem são contadas entre os filhos, nem são mencionadas. O seu direito fundamental de pertencer é ferido e negado.
Muitos chamam moralidade, especialmente quando alguns membros acreditam que são melhores do que os outros e colocam-se acima deles, é realmente a mensagem, "nós temos mais direito de pertencer do que você." Ou quando falamos mal de outros membros e os tratamos como se fossem maus, nós estamos a dizer, "vocês têm menos direito de pertencer do que eu." Em tais situações, "bom" somente quer dizer que eu tenho mais direito de pertencer e "mau" significa que você tem menos direito de pertencer.

OS MEMBROS EXCLUÍDOS SÃO REPRESENTADOS
A dinâmica fundamental num sistema familiar é que todos os membros têm um direito igual de pertencer e não é tolerado ferir. Sempre que alguém num sistema familiar é excluído, gera-se uma necessidade de compensação. Esta dinâmica de compensação leva a que o membro excluído ou desdenhado seja representado por um membro mais novo da família, que está inconsciente de, e sem poder fazer nada contra essa identificação.
Por exemplo, um homem casado apaixona-se por outra mulher e diz à sua esposa que não quer ter mais nada com ela. Inventa razões superficiais e caprichosas para justificar as suas ações, compondo a injustiça feita à sua esposa. Mais tarde teve filhos com a sua nova companheira, mas a sua filha enfrenta-o por nenhuma razão aparente. Verifica-se que a filha representa inconscientemente a sua primeira esposa e sente pelo pai o mesmo ódio que a sua primeira esposa deve ter sentido, mesmo não sabendo da existência da primeira mulher. Nisto, podemos ver o trabalho de uma invisível e sistemática força compensatória, vingando a injustiça feita ao anterior membro através da utilização inconsciente de um membro mais novo.
Muito sérias disfunções em distúrbios no comportamento familiar nas crianças, mas também as doenças, tendência a acidentes e comportamentos suicidas ocorrem quando as crianças representam inconscientemente uma pessoa excluída para satisfazer a necessidade de restituição dessa pessoa. Isto mostra uma segunda característica da consciência do sistema familiar. Assegura justiça para os membros mais antigos e causa injustiça para os mais novos.

SOLUÇÃO PARA MEMBROS EXCLUÍDOS
Os membros mais novos da família podem ser libertados de tais enredos quando a ordem fundamental é restabelecida; quando os membros excluídos são novamente aceitos na família e recebem o devido respeito. Por exemplo, a segunda esposa pode dizer à primeira, "eu tenho este homem e você pagou o preço; respeito a tua perda e reconheço que te foi feita uma injustiça; peço-te que, por favor, sejas amigável para mim e para os meus filhos." Quando são sinceramente ditas, tais frases nomeiam honestamente o que aconteceu e prestam à primeira esposa o devido respeito. Nas constelações familiares observamos frequentemente como a face da primeira esposa amacia e como se torna amigável porque é respeitada. A sua reacção demonstra que também pertence à família.
A solução requer também que a criança que representa a primeira esposa lhe diga, "eu pertenço somente ao meu pai e à minha mãe. O que quer que esteja entre vocês não é nada comigo." Pode também dizer ao seu pai, "você é o meu pai e eu sou a sua filha. Olhe por favor para mim, como sua filha." Estas frases, ditas com sinceridade, também restauram a ordem fundamental. O pai pode olhar para a sua filha e não necessita de ver nela a sua primeira esposa, e não necessita encontrar nela o ódio e a dor que a sua primeira esposa deve ter sentido. E se amar ainda a sua primeira esposa, não necessita ver a sua amada, na filha. Pode olhá-la, e ver, e amar a sua filha. A filha é libertada para ser meramente uma filha, e o pai, um pai.
A filha pode também dizer-lhe, "esta é a minha mãe; eu não estou relacionada com a tua primeira esposa; eu reclamo e quero a minha mãe; é única para mim". E pode dizer à sua mãe, "eu não estou relacionada com a outra mulher; eu não estou conectada com ela de forma alguma." Tal como a representante da primeira esposa, a mãe pode inconscientemente ver a outra mulher nela, e começar um conflito uma com a outra como se fossem rivais. Quando a filha diz, "você é minha mãe e eu sou sua filha; eu não tenho nenhuma ligação com a outra mulher; eu a quero como minha mãe. Por favor, aceita-me como tua filha", ela restaura a ordem básica.
Ofensas ao direito igual de pertencer são também a causa de enredos muito mais sérios. Por exemplo, quando uma criança morre jovem numa família, as outras crianças tendem a sentirem-se culpadas porque estão ainda vivas quando o seu irmão ou irmã estão mortos. É como se acreditassem que estão em vantagem porque estão vivos e o seu parente está em desvantagem porque está morto. Inconscientemente tentam compensar procurando falhar, ficando doentes, ou em casos extremos, querendo morrer, embora não saibam porquê.
Em situações como esta, algumas crianças puderam restaurar a ordem do amor dizendo ao seu parente falecido, "você é meu irmão (ou irmã). Eu respeito-o como meu irmão (irmã). Você tem um lugar no meu coração. Eu curvo minha a cabeça perante ti e o teu destino, qualquer que seja, e aceito o meu destino conforme ele vier." Estas frases prestam respeito ao parente falecido, e a criança viva pode voltar à sua vida, sem culpa.
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Por todas essas razões /soluções acima expostas é que trabalho com as Constelações Familiares.
Sentir e observar as soluções é fantástico, motivador e acima de tudo respeitoso com todo o sistema familiar, mesmo em situações onde os membros não vivem mais e/ou não estão presentes.
Um trabalho de amor, simples e direto, que modifica nosso olhar sobre os conceitos existentes e nos mostra algo totalmente novo. A sensação que os constelados relatam é algo parecido com "encontrar uma luz no fim do túnel" ou "é possível olhar de outra forma e ser feliz apesar de"...
Busquem conhecer este trabalho participando de vivências como representantes, ou apenas assistindo uma Constelação e tomando ciência das Ordens do Amor tão bem descritas por Bert Hellinger, e que embasam todo este trabalho.
Taís

Um comentário:

  1. Uma antiga cliente12 de agosto de 2012 08:47

    Tais, me parece que posso incluir sem me expor ao outro...que nem permite que eu fale algo. É isto? Tenho brigas familiares de muito tempo atras....e para mim já está resolvido, mas sinto que preciso dizer-lhes...e não tenho como! Parece que nas Constelações é possivel! Vou te ligar. Obrigada

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